quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Barbárie contra a democracia


Foto: Gabriela Biló

Após o 8 de janeiro de 2023, começam a surgir textos e mais textos da ala extrema da esquerda.

Todos condenam os atos destruidores em Brasília, mas uma coisa em particular me chama a atenção: culpar os EUA pela orquestração de todo o acontecimento.

Há muitos anos, a esquerda culpava os Estados Unidos por todo o mal que havia no Brasil e no mundo.

Longe de serem santos, os EUA estavam nos bastidores em 1964, quando depuseram o governo de João Goulart.

O mais intrigante é que se sustente essa tese de que os EUA também estão por trás dos atos antidemocráticos do último dia 08.

E intrigante por quê?

Porque nos últimos 4 anos, o ex-presidente Jair Bolsonaro incitava a todo momento que podia, atos antidemocráticos. Ao se aproximar a data de 7 de setembro, a cada ano, todos se viam às portas de um golpe militar. Ele deixava uma nuvem de dúvida por cima das instituições, que não sabiam se haveria ou não, se poderia haver, se no meio de um desfile de tanques do Exército haveria ou não um golpe.

Quando em 2021, eleitores insatisfeitos com a derrota de Donald Trump, nos EUA, invadiram a sede do legislativo, o Capitólio, Bolsonaro afirmou: “se não tivermos voto impresso em 22, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos”.

A cartilha foi seguida à risca. Tudo o que foi feito nos EUA, Bolsonaro fez no Brasil: criticou as urnas, a falta de confiança, etc. Até o silêncio após derrota nas urnas foi copiado de Trump.

Falta de criatividade?

Não sei, só sei que a cartilha foi seguida passo a passo.

Quando colocam a culpa de tudo nos EUA, indiretamente se inocenta Bolsonaro. Afinal, se os EUA querem derrubar o governo Lula, eleito legitimamente, o que Bolsonaro e sua rede de apoiadores teriam feito de errado? Nada. Seriam apenas marionetes nas mãos da CIA e da rede que teme que o novo governo Lula expanda o comércio e influência sobre a parte do mundo que os EUA não quer perder.

Mesmo sabendo que os EUA são poderosos e adoram meter o nariz nos assuntos da América Latina, não podemos absolver Bolsonaro e sua trupe. Não podemos esquecer que a ligação Trump-Bolsonaro foi intensificada aqui devido ao próprio Bolsonaro, que quis se mostrar forte diante dos seus seguidores.

Alguém aí acha que a responsabilidade pelos atos de vandalismo não teve sua nascente na família Bolsonaro? Alguém aí acha que a construção da narrativa golpista nasceu no país do Tio Sam?

O que a ala extrema da esquerda não percebeu nos últimos anos? Ainda estão presos nos anos de chumbo? Não sabem o que as cabeças pensantes bolsonaristas articulam nas redes?

Não sei quanto a você, mas eu quero ainda ver todos os envolvidos pagarem por seus atos.

A barbárie acabará? Não sei, mas tenho certeza de que pensarão duas vezes antes de acharem que a impunidade lhe darão colo.

 

domingo, 1 de janeiro de 2023

Nunca antes na história deste país

Durante os últimos anos só vimos coisas inéditas, comportamentos que antes nenhum de nós pensaria ser possível: o fim do bom senso, da solidariedade, atitudes tão absurdas que precisávamos ver uma cerimônia de posse como nunca tínhamos visto na história do Brasil.

Tudo o que defendemos é um governo que pense no povo todo e não somente numa parcela. E vimos isso no simbólico ato de colocar a faixa presidencial.

A representação de um povo. Um povo diverso. Um povo formado por muitos povos, vindos de guerras, vindos de perseguição, fugindo da fome, fugindo do medo e encontraram aqui, muitos, o trabalho, a terra, o acolhimento, o sorriso e a mão estendida do povo brasileiro. 

Muitas influências tivemos, mas sobretudo garantimos o reconhecimento mundial de um povo acolhedor e alegre.

Quando o maior líder da nação chora ao falar da fome que assola esse país, não é possível que não choremos junto, ao ver tamanha compaixão que não vimos em um só momento naquele governo que acabou em 2022.

E as cores verde e amarelo são do povo brasileiro, como eu sempre disse. Não tenham vergonha. A bandeira é de todos: daqueles que não fogem à luta!

É de todos nós que aqui ficamos e vamos continuar lutando para sermos ainda mais acolhedores e felizes!

Fonte: @lulaoficial

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Um caminho coletivo

 

“A partir de 1º de janeiro de 2023, vou governar para 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não apenas para aqueles que votaram em mim. Não existe dois brasis, somos um único país, um único povo, uma grande nação.”

A fala de um estadista. A fala de quem conhece o papel de um Presidente: o de governar para todos, o de pensar políticas públicas para todos.

Diferentemente, vimos recentemente o atual Presidente falar que as minorias deveriam se ajustar às maiorias. Essa é a fala de quem não conhece a grandeza do cargo que ocupou, com a missão de unificar o povo, de fazer com que cada brasileiro trilhe um caminho coletivo.

O que vimos nesses últimos 4 anos foi exatamente o contrário: cada um trilhando um caminho próprio. Quando muito, um caminho com os seus iguais. E os diferentes que ficassem à margem, ou sumissem do caminho, era indiferente.

Foi um ódio gratuito que vimos: nos tios, nos vizinhos, no colega do bar, qualquer um poderia ser nosso inimigo. É assim que pensam os bolsonaristas radicais: quem comigo não ajunta, espalha.

O amor não pode ser somente aos iguais. Se assim for, somos falsos como uma nota de 6 reais. 

Basta de hipocrisia: andar com a Bíblia e não ajudar ao próximo. Falar de amor à família e ao mesmo tempo ensinar o teu filho a xingar o esquerdista.

Queremos a paz e voltar a ter nossos almoços em família. Voltar a ter nossas conversas e desentendimentos. Que eles venham e voltem, sempre que necessário, mas que sobretudo, haja respeito a opinião alheia.

Desde quando começou a haver eleições para Presidente no Brasil, dizíamos o voto é secreto. E não havia mal algum em declarar nosso voto publicamente.

Lembro que meu pai, malufista de carteirinha, tinha orgulho em dizer seu voto, mas sempre havia alguns que torciam o nariz pra ele. Outro diziam que ele era louco, dar voto pra corrupto. Mas nunca o agrediram, nem o hostilizaram na rua, caso usasse um boné com a foto do Maluf.

Tivemos, em 2022, uma amostra do que é a perda da liberdade e a perda da democracia: o medo de colocar um adesivo no carro, de usar uma camiseta do partido, de se expressar, de falar, de cantar o jingle.

Quiseram nos calar, mas temos de continuar lutando para que a democracia ajuste a todos nós: e saibamos tolerar as preferências de todos, sabendo que cada um arca com a responsabilidade por quem elege.

E pra quem leu meu post anterior, aquela velha conhecida conseguiu sair da UTI. A democracia foi visitá-la no dia da sua alta hospitalar. Foi emocionante. Arrancou lágrimas de muitos, de pessoas que há 4 anos a aguardavam sair do caos em que se encontrava.

Precisamos trilhar um caminho coletivo, pensando no outro junto conosco, assim o Brasil voltará a ter voz internacionalmente e voltará a crescer, sem esquecer dos que mais precisam.


terça-feira, 25 de outubro de 2022

Uma questão de caráter

 

Ao longo de toda a campanha eleitoral, eu tentei expor alguns motivos pelo quais eu não voto em Bolsonaro.

Aos que me chamaram de comunista: estude primeiro o que é comunismo, pra não passar vergonha, e depois conversamos.

Aos que me chamaram de não-cristã, leia bem o Evangelho que Jesus Cristo deixou e entenda que Deus enviou o Seu filho para amar a todos, sem distinção. E amar não significa votar em quem incita o ódio e a morte de quem pensa diferente.

Aos que me chamaram de puxa-saco de político, quero lembrar aqui que não preciso de que político algum faça algum benefício para mim. Graças a Deus posso comer picanha quando eu tiver vontade.

Fico feliz ao ver alguns irmãos nordestinos meus se puderem ter uma cisterna perto de casa, fico feliz se o filho do pedreiro ou do jardineiro conseguir estudar e ter um bom emprego.

Fico feliz ao ver minha igreja voltar a ser o que era: um ambiente apolítico, onde não se filia a partidos, onde se ajuda ao próximo e onde se prega o amor.

Fico feliz ao não ver mais as ruas cheias de pessoas, crianças desnutridas, pedindo um pão ou revirando as latas de lixo.

Muitos brasileiros estão com a geladeira quase vazia, muitos estão colocando água no frasco de xampu pra render, muitos estão procurando emprego há meses, em filas imensas, entregando currículo, muitos estão dividindo um pão para os quatro filhos ou fazendo um caldo com ossos de galinha para almoçar. Muitos tem de escolher quando entra num supermercado: compro o arroz ou compro o feijão? Se tenho o arroz, me falta o gás. Não tem sido fácil para esses, que talvez, você nem conheça. Mas como um bom cristão: você sente.

E para esses, eu digo: Por que votar em Bolsonaro? O que ele fez nesses quatro anos para você ou para quem você conhece?

É por isso que não voto pela reeleição de Bolsonaro. E em São Paulo também não voto em Tarcísio, pois além de conhecer o Prof. Haddad, sei que é uma pessoa que preza pela educação e o quanto isso é necessário para nossos filhos e nossa população crescer e o país se desenvolver.

E se você não gosta de nenhum dos candidatos, vote em branco, mas não deixe esse inepto mais 4 anos na presidência fazendo nada pelo povo que mais precisa.  

E se mesmo assim, você, que não tem muita coisa, votar no inepto: assuma! Não diga que vota em nome da família. Não diga que vota em nome da verdade. Não diga que vota pelo fim da corrupção. E não diga que vota em nome da pátria. Diga que vota pelo direito ao povo armado, pelo direito de não ter negros ao seu lado na universidade, pelo direito de não viajar para Paris com a doméstica. Assuma! Pois é isso que o bolsonarismo prega e defende. Ninguém vota inocente.

Você pode ser conservador, é uma escolha.

Ser desumano, já é uma questão de caráter.

domingo, 2 de outubro de 2022

Ela está em coma

Uma conhecida muito querida, quase da família, tão querida que a cada leitura, cada estudo, cada análise, ela se tornava mais querida.

Hoje, ela entrou em coma.

A conhecida a quem me refiro é a Política. A Política como ciência. Desculpem-me os colegas cientistas políticos que discordam.  

Entender e estudar o comportamento político dos eleitores, usando as teorias que aprendemos na faculdade, não vale mais nada! O voto racional, o voto útil, o voto econômico, etc.

Quando você percorre as ruas do extremo da zona leste e vê manifestações de voto na extrema direita, bem você vê que não há mais ligação entre a posição social com o voto. Nem há mais consciência de classe, daquelas que víamos trabalhadores votando em quem se preocupa com o povo.

O resultado das urnas hoje demonstrou que a mentira sobre o que pode acontecer num governo de esquerda venceu. A mentira venceu.

E digo mentira pois já tivemos 13 anos de governo esquerdista e principalmente: nenhuma igreja foi fechada, nenhum cristão foi preso ou sumiu (como ocorria na ditadura).

Essa guerra de mentiras foi quem levou a minha conhecida ao coma. Ela não merecia isso. Ela achava que o povo que passa fome, o povo que perdeu o emprego, o povo que ganha um salário suado, pegando o trem lotado todo dia, o povo que conta as moedas pra pagar o transporte caro, o povo que não consegue mais pagar uma passagem de avião pra ver a família no Pará, ou em Rondônia, ela achava que essas pessoas iriam escolher a democracia.

Talvez ela consiga acordar do coma no segundo turno e ainda veja a democracia para visitá-la no dia da sua alta.

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Política e Religião

 

Muitos dos meus leitores já ouviram aquele velho ditado: política e religião não se discute.

Eu concordo, mas nos últimos anos o que mais fazemos é exatamente o contrário.

Discutimos tanto um quanto o outro assunto. E o pior: misturamos os dois.

E é aí que está o problema.

Voltando ao século XVI, Maquiavel diria que a religião está a serviço da política. Por quê? Porque assim, os governantes poderiam usá-la para manter o Estado e dessa forma, conduzir o povo ao patriotismo. Além disso, o temor a Deus faz com que os seus súditos sejam fiéis às leis civis também.

Algo lhe parece familiar?

Voltando ao nosso século XXI:  o povo está cansado das brigas políticas, das discussões em família, do afastamento dos amigos, enfim, de tudo e de todos que se mostrem perversos.

Devido a isso, a procura por uns momentos de tranquilidade se intensificou.

A própria pandemia e o risco iminente de morte fizeram as pessoas buscarem um consolo, uma palavra encorajadora onde elas acreditem estar mais perto de um ser superior.

Mas dependendo de quem é esse ser superior, não é respeitado pelo governante. Isso porque os conservadores querem moldar a sociedade de acordo com suas crenças (se é que creem em algo divino).  Muitas vezes, o lobo se disfarça de ovelha.

Pena que muitas ovelhas não percebem isso.

Pena que muitas ovelhas são tão facilmente enganadas que podem acreditar que um governo de esquerda fecharia as igrejas.

Ora, eu mesma já ouvi isso: há uns 33 anos. Foi naquele processo eleitoral entre Lula e Collor na disputa à Presidência. Muitos afirmavam e ainda usavam a Bíblia para provar por a+b que as igrejas seriam fechadas.

Pagamos pra ver na eleição de 2002.

Nada aconteceu.

Mas não é possível!!! O pastor disse! O fulano disse!

Vamos votar nele novamente pra ver se a igreja fecha. Repetimos a escolha em 2006.

Nada.

As igrejas permaneceram abertas, com liberdade de culto, conforme determina a Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso VI:


“é inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias;”

 

Enquanto essa preocupação saiu da mente de muitos, outros puderam trabalhar, almoçar e jantar no mesmo dia, além de exercer suas crenças.

A laicidade do Estado é justamente isso: ter direito o cidadão de escolher uma religião, assim como não escolher. Isso deveria ser respeitado e divulgado.

E não inventar boatos para que as ovelhinhas fiquem assustadas e sigam o governante. A época de Maquiavel já passou.

Estamos na época da benevolência. A época de fazer o bem. De ajudar o próximo. Quem se diz seguidor dos passos de Cristo, deveria fazer o bem, estender a mão ao samaritano, ao egípcio, ao israelita, não importa de onde vem, pra que partido dá o voto, o que importa é se precisa de ajuda. Jesus quando andou na terra disse: amai ao próximo como a ti mesmo.

 

 

Do dicionário Aulete: Laico: não religioso.


 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Trabalhadores, uni-vos!

 

A classe trabalhadora vive um cenário insatisfatório. Desde a reforma trabalhista, temos visto o desmoronamento de muitas conquistas. E com elas, o sindicato.

O sindicato nasceu a partir da insatisfação com a precarização e as péssimas condições de trabalho e de vida que marcaram o final do século XIX, no período pós revolução industrial na Inglaterra.

Foi nessa época em que houve grande confronto de interesses: de um lado a burguesia e do outro, o proletariado.

A partir daí, o proletariado passou a se reunir e se organizar, de modo a confrontar os empregadores, questionando sua situação.

Porém, somente em 1824, na Inglaterra foi permitida a livre associação dos operários. Esse ajuntamento foi denominado trade unions. Essas associações realizavam a negociação entre trabalhadores e empregadores.

Também conseguiram fixar salário por categorias. Além disso, aquilo que no Brasil conhecemos como participação nos lucros, foi regulamentada pelas trade unions. Assim, conforme aumentava a produtividade, os trabalhadores recebiam aumento no salário.

No Brasil, a chegada de trabalhadores vindos da Europa transformou a relação de trabalho. Aqui, havia acontecido a abolição da escravidão e, por isso, a mão-de-obra assalariada era extremamente necessária.

Os imigrantes europeus, que já tinham conhecimento dos seus direitos trabalhistas, passam a se reunir, de modo informal, formando uniões operárias.

Somente em 1930, Getúlio Vargas submete os sindicatos ao Estado.

E por que ele fez isso?

Porque via o crescimento dos sindicatos e suas lideranças ligadas a partidos políticos. Sendo assim, ele estabeleceu em lei, que os sindicatos eram proibidos de realizar atividades político-ideológicas e que funcionários públicos não podiam ser sindicalizados. Em contrapartida, foi criada a contribuição sindical

Além disso, no governo Vargas foram regulamentados vários direitos trabalhistas e outras medidas, como a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Mesmo assim, a luta sindical crescia cada vez mais, com intensas greves.

O movimento sindical exercia grande poder de representação, defendendo interesses em comum dos seus associados.

Nos últimos anos, o que temos visto?

Aprovação da lei da terceirização, fim da política de valorização do salário-mínimo, carteira verde-e-amarela, entre outros.

Qual o destino do sindicalismo no Brasil? O destino, eu não sei, mas o caminho até lá é de submissão, já que o poder de barganha está em declínio. Além disso, a desestabilização é uma constante nesse ambiente. Isso porque dentro de uma mesma categoria há os que fazem gol contra. Nem mesmo os trabalhadores acreditam no sindicato como antes. Talvez o sindicalismo encontre uma via que o leve à superação, porém há muito o que se reconstruir: confiança, acima de tudo! Os trabalhadores precisam voltar a confiar que a união da classe ainda é a melhor forma de lutar.  E não pensando cada um em seu próprio umbigo.

Para quem quiser se aprofundar sobre a história do sindicalismo, recomendo um excelente livro: Destino do sindicalismo. Autor: Leôncio Martins Rodrigues. Edusp, 1999.