Hoje escrevi este texto, dia 31
de agosto de 2016. Para muitos, um dia que ficará na história, quer pela
justiça, quer pela injustiça a que ele deu lugar. Porém, poderia ter sido
escrito há alguns meses e publicar somente hoje, que ninguém notaria a
diferença.
Digo isso não porque não houve
mudança nos fatos, ou porque a acusação e a defesa não tenham se empenhado. Muito pelo contrário, ambas as partes demonstraram, argumentaram, apresentaram
teorias, fatos e debruçaram-se em esperanças de que o debate os levariam à
vitória.
O Brasil acompanhou nos últimos
dias o julgamento. Verdade é que nem todo mundo acompanhou. Ou por não ter tempo,
ou por não aguentar mais esse assunto. De qualquer forma, os brasileiros
entenderam que havia um réu, advogado de defesa, advogados de acusação,
testemunhas e um juiz.
Errado.
Vários juízes: Suas Excelências,
os Senadores. E eles decidiram o que já estava decidido. Votaram de acordo com
suas consciências. Para nós, consciências questionáveis, mas ainda assim, juízes,
conforme a Constituição.
Muitos brasileiros otimistas tinham
esperança na volta da Presidente ao poder, pois poderiam reverter alguns votos.
Enquanto a imensa maioria já dava como certo o afastamento definitivo.
Agora só nos resta esperar qual
será nosso destino: a classe média alta mais feliz, o desmantelamento das
políticas sociais, alterações na previdência, entre outras.
Muito mais grave é imaginar que num
futuro não muito distante, a sociedade brasileira reconheça o que ocorreu de
fato nesse processo. Talvez se envergonhem da tese utilizada pela acusação, talvez
acreditem que a tese foi criada, ou ainda que a defesa tenha esquecido um x ou
um y na explicação.
Por fim, o que foi feito já está feito e
somente à história caberá a explicação. E alguns dirão: “Os senhores
senadores sabiam de tudo isso e mesmo assim votaram pelo impeachment da Presidente?”
E outros dirão: “Claro que sim. São nossas Excelências.”