Ao escrever o título, já me
deparei com um impasse: sempre vejo escrito por aí: Direita e Esquerda. Mas por
que se meus olhos leem da esquerda para a direita?
No trânsito a preferência é de
quem vem da direita. Já perceberam uma
certa hostilização com quem vem da esquerda? É sempre o errado. E o que falar
dos canhotos? Quantos canhotos tiveram que se contorcer para escrever naquelas
carteiras feitas para destros?
Você deve se perguntar: esse papo
de direita e esquerda, ops, de esquerda e direita, só pode resultar em política.
É claro, esse blog é Escrevendo Política. Mas o que é a direita? E o que é a
esquerda hoje em dia? Ainda há aquelas pretensas diferenças entre uma e outra?
A cada dia parecem mais se
misturarem e as diferenças vão sumindo.
Quando a esquerda chega ao poder,
algumas ideias somem devido à dificuldade de se sustentar e em seu lugar,
aparecem ideias de direita. Isso faz desaparecer as distinções que antes tínhamos tão
claras. A privatização é uma delas. Privatizar é coisa da direita. Não é assim
que diziam os esquerdistas?
Fazer com que os mais pobres
tenham melhores oportunidades, tanto na obtenção de renda, como no acesso à
educação, é política da esquerda. Enquanto a direita quer manter os privilégios
dos que já tem e manter a desigualdade entre os desiguais.
Entre as políticas de esquerda e
de direita, há partidos que realizam ambas, outros que não fazem nenhuma. Há
alguns que se intitulam partidos do centro. E o que faz o centro? Dizem que o
centro equilibra as políticas sociais sem esquecer o capitalismo. Na prática, é impossível esquecer o capitalismo, seja de direita, esquerda ou centro.
Há ainda posições intermediárias,
como uma direita mais ao centro, outra direita mais à direita (parece
redundante, mas não é), uma esquerda mais à esquerda e uma esquerda mais ao
centro.
Mas como distingui-las quando
chegam ao poder? Parecem que retiram a roupa de esquerda ou a
roupa de direita e vestem a roupa do poder, tão brilhante e bonita!
Um dia desses, perguntei a uma
pessoa da minha família em quem ela votaria para prefeito. A pessoa respondeu: “Acho
que agora vou votar na Marta, afinal ela não é mais do PT”.
Deixando a preferência dessa
pessoa de lado, pra mim, foi um exemplo de coerência, pois essa pessoa nunca
votou em ninguém de um partido considerado da esquerda.
Mais uma vez a esquerda hostilizada. Como no trânsito, a preferência é da direita. Por quê?