domingo, 2 de outubro de 2016

Esquerda e Direita

Ao escrever o título, já me deparei com um impasse: sempre vejo escrito por aí: Direita e Esquerda. Mas por que se meus olhos leem da esquerda para a direita?

No trânsito a preferência é de quem vem da direita.  Já perceberam uma certa hostilização com quem vem da esquerda? É sempre o errado. E o que falar dos canhotos? Quantos canhotos tiveram que se contorcer para escrever naquelas carteiras feitas para destros? 

Você deve se perguntar: esse papo de direita e esquerda, ops, de esquerda e direita, só pode resultar em política. É claro, esse blog é Escrevendo Política. Mas o que é a direita? E o que é a esquerda hoje em dia? Ainda há aquelas pretensas diferenças entre uma e outra?

A cada dia parecem mais se misturarem e as diferenças vão sumindo.

Quando a esquerda chega ao poder, algumas ideias somem devido à dificuldade de se sustentar e em seu lugar, aparecem ideias de direita. Isso faz desaparecer as distinções que antes tínhamos tão claras. A privatização é uma delas. Privatizar é coisa da direita. Não é assim que diziam os esquerdistas?

Fazer com que os mais pobres tenham melhores oportunidades, tanto na obtenção de renda, como no acesso à educação, é política da esquerda.  Enquanto a direita quer manter os privilégios dos que já tem e manter a desigualdade entre os desiguais.

Entre as políticas de esquerda e de direita, há partidos que realizam ambas, outros que não fazem nenhuma. Há alguns que se intitulam partidos do centro. E o que faz o centro? Dizem que o centro equilibra as políticas sociais sem esquecer o capitalismo. Na prática, é impossível esquecer o capitalismo, seja de direita, esquerda ou centro.

Há ainda posições intermediárias, como uma direita mais ao centro, outra direita mais à direita (parece redundante, mas não é), uma esquerda mais à esquerda e uma esquerda mais ao centro.

Mas como distingui-las quando chegam ao poder? Parecem que retiram a roupa de esquerda ou a roupa de direita e vestem a roupa do poder, tão brilhante e bonita!

Um dia desses, perguntei a uma pessoa da minha família em quem ela votaria para prefeito. A pessoa respondeu: “Acho que agora vou votar na Marta, afinal ela não é mais do PT”.

Deixando a preferência dessa pessoa de lado, pra mim, foi um exemplo de coerência, pois essa pessoa nunca votou em ninguém de um partido considerado da esquerda.

Mais uma vez a esquerda hostilizada. Como no trânsito, a preferência é da direita. Por quê?