O relator da maior operação de
investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve estava num
avião que caiu.
A morte chega pra todo mundo.
Isso é fato. Uns mais jovens. Outros mais velhos.
Alguns, a dona morte vem
encontrar, enquanto outros, a dona morte é pega de surpresa. Ela olha pra
sua agenda e não tinha aquele compromisso. “Coisas estranhas acontecem no
Brasil”, ela pensa.
Não, não. Isso não é coisa de Brasil.
Essas agendas atrapalhadas existem em todo o mundo. Porém, no Brasil, está muito recorrente.
Sem andar muitos anos para trás,
lembramo-nos do avião com Eduardo Campos. O Brasil parou. Um candidato que oferecia
risco para os concorrentes? Jeitinho de bom moço...só o jeitinho: diferente dos
outros? Talvez. Mas o destino não quis que o conhecêssemos na cadeira
presidencial. A dona Morte teve de vir correndo, pega de surpresa.
Voltando 15 anos, um caso que
ninguém esquece: Celso Daniel. O prefeito de Santo André que foi assassinado em
2002, aparentemente num sequestro relâmpago, mas sabia muito: sabia sobre um esquema de extorsão em
empresas de ônibus da região.
Por coincidência, o caso Celso
Daniel vem à tona na Operação Lava Jato.
E por quê? Porque Ronan Maria Pinto, empresário do setor de ônibus e
dono do Diário do Grande ABC, foi preso pela Operação Lava Jato. Já está solto
após pagar a fiança de 1 milhão.
Vejam que coincidências!
E o Teori? Ah...o Teori era só o
relator do processo no Supremo Tribunal Federal. Ele analisava as delações da
Odebrecht. Note-se que o Ministro Teori tinha o maior número de processos chamados
ocultos. Ele mantinha grande sigilo quanto aos processos envolvendo
autoridades. Uma mudança nos relatórios beneficiaria autoridades de todos os partidos.
E dona Morte ontem recebeu mais
uma vez uma tarefa que não estava na sua agenda. E no caminho, pensava:
“Até
essa tal de Lava Jato acabar, vou ter muito trabalho!”