quarta-feira, 12 de abril de 2017

Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão


Ontem à noite, o Partido dos Trabalhadores falou em rede nacional por 10 minutos, cumprindo a inserção obrigatória a que os partidos tem direito em ano não eleitoral.
E qual não foi o meu espanto, ao perceber algumas luzes piscando em janelas de apartamentos, como forma de protesto, no bairro onde moro.  Bairro, aliás, onde moram muitas pessoas que se julgam classe média alta e por isso, creem que sendo assim, tem de ser contra o progresso do pobre. Esquecem, porém, que progrediram de classe ou até mesmo passaram a morar nesse bairro durante o progresso econômico nos anos de administração desse mesmo partido: PT.
Querem protestar? Querem bater panela? Querem buzinar? Querem acender e apagar as luzes? Que o façam! Queimem suas lâmpadas, amassem suas panelas!
Mas num dia como ontem: após a divulgação da lista do relator da Lava Jato, achei desprezível qualquer forma de protesto unilateral. Sair para protestar contra a reforma da Previdência, ninguém sai, ninguém bate panela, ninguém buzina! Uma reforma que vai afetar a vida de todos, independentemente de preferência partidária.
Outra reforma: a política. Esses mesmos parlamentares vão aprovar em breve a lista fechada. É o que eles querem, para se elegerem, aliás, é a única forma de se manterem no poder. Como disse um jornalista: não é reforma política, é redoma política.
Espanta-me a cegueira que toma grande parte da população desse país.
Aborrece-me a falta de discernimento com que as pessoas discutem.
Em alguns casos, fico quieta, não me pronuncio. Porém ontem, a indignação foi grande. Não há como calar.
Pouco me importa quem vai ler esse texto ou se ninguém irá lê-lo. Isso porque as pessoas só curtem no Facebook as futilidades que publico. Quando o assunto é política, fingem que não veem. Esse blog é pra quem quer ler algo útil. E curte e comenta quem leu, entendeu e gostou.
As pessoas não podem protestar contra só um lado que está errado. Está tudo errado. Basta ver a lista de políticos que receberam propina da Odebrecht: tem gente de todos os partidos.
E o Presidente Temer, citado 43 vezes na delação, só não está na lista do Ministro Fachin, por questões constitucionais, pois um Presidente da República só pode ser investigado ou denunciado por fatos relacionados ao exercício do seu mandato, que nesse caso de Temer começou em maio de 2016.
Enfim, pensando no Congresso, no Planalto, no país inteiro, não tem como não me lembrar do grande compositor Bezerra da Silva:
“Aqui realmente está toda a nata: doutores, senhores, até magnata (...) tirei a minha conclusão: Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”.