Ontem à noite, o Partido dos Trabalhadores falou em rede
nacional por 10 minutos, cumprindo a inserção obrigatória a que os partidos tem
direito em ano não eleitoral.
E qual não foi o meu espanto, ao perceber algumas luzes
piscando em janelas de apartamentos, como forma de protesto, no bairro onde
moro. Bairro, aliás, onde moram muitas
pessoas que se julgam classe média alta e por isso, creem que sendo assim, tem
de ser contra o progresso do pobre. Esquecem, porém, que progrediram de classe
ou até mesmo passaram a morar nesse bairro durante o progresso econômico nos
anos de administração desse mesmo partido: PT.
Querem protestar? Querem bater panela? Querem buzinar?
Querem acender e apagar as luzes? Que o façam! Queimem suas lâmpadas, amassem
suas panelas!
Mas num dia como ontem: após a divulgação da lista do
relator da Lava Jato, achei desprezível qualquer forma de protesto unilateral. Sair para protestar contra a reforma da Previdência, ninguém sai, ninguém bate panela, ninguém buzina! Uma reforma que vai afetar a vida de todos, independentemente de preferência partidária.
Outra reforma: a política. Esses mesmos parlamentares vão aprovar em breve a lista fechada. É o que eles querem, para se elegerem, aliás, é a única forma de se manterem no poder. Como disse um jornalista: não é reforma política, é redoma política.
Espanta-me a cegueira que toma grande parte da população
desse país.
Aborrece-me a falta de discernimento com que as pessoas
discutem.
Em alguns casos, fico quieta, não me pronuncio. Porém ontem,
a indignação foi grande. Não há como calar.
Pouco me importa quem vai ler esse texto ou se ninguém irá
lê-lo. Isso porque as pessoas só curtem no Facebook as futilidades que publico. Quando o assunto é política, fingem que não veem. Esse blog é pra quem quer ler algo útil. E curte e comenta quem leu, entendeu e gostou.
As pessoas não podem protestar contra só
um lado que está errado. Está tudo errado. Basta ver a lista de políticos que receberam
propina da Odebrecht: tem gente de todos os partidos.
E o Presidente Temer, citado 43 vezes na delação, só não
está na lista do Ministro Fachin, por questões constitucionais, pois um
Presidente da República só pode ser investigado ou denunciado por fatos
relacionados ao exercício do seu mandato, que nesse caso de Temer começou em
maio de 2016.
Enfim, pensando no Congresso, no Planalto, no país inteiro,
não tem como não me lembrar do grande compositor Bezerra da Silva:
“Aqui realmente está toda a nata: doutores, senhores, até
magnata (...) tirei a minha conclusão: Se gritar pega ladrão, não
fica um meu irmão”.