quarta-feira, 12 de junho de 2019

Interceptar: fazer parar; deter

As últimas notícias que tomam conta da imprensa e da conversa de elevador sobre os aúdios vazados, despertou um sentimento adormecido: justiça.

Há quem diga que o escândalo que ainda virá será maior e de tal repercusão como foi o escândalo de Watergate, nos Estados Unidos.
 
Para quem não sabe o que foi o Watergate, segue um resumo: foi o escândalo político que levou à renúncia de Nixon (do Partido Republicano), nos Estados Unidos.

Homens espionavam a sede do Partido Democrata e foram pegos enquanto instalavam câmeras.

Um dos detidos fazia parte do comitê do Presidente Nixon. Outro preso recebeu um depósito de US$ 25 mil.

Ou seja, o Presidente Nixon espionava/interceptava conversas e vídeos dos democratas para conseguir alguns trunfos para sua campanha de reeleição, em 1972.

Ele ganhou a eleição, mas a investigação em fitas gravadas revelou que o presidente tinha conhecimento das operações ilegais, além de tentar atrapalhar as investigações. Em 1974, foram apresentadas várias provas contra o partido republicano e Richard Nixon renunciou.

Será que no Brasil, as revelações atuais alcançarão tal desfecho? O direcionamento das investigações, ou melhor, a falta de provas, que entendo o mesmo de provas frágeis, pois, se são frágeis é porque não são consistentes, não tem comprovação.

Conforme o hacker disse, “a bruxa está solta” e há muito mais para ser revelado.

Interessante notar que nem mesmo os envolvidos Moro e Dallagnol não negaram o conteúdo da conversa. O que eles reclamam é a maneira como foi obtida e divulgada: ilegalmente por um hacker.  Mas em momento algum alegaram ser montagem as falas.

O jornal britânico BBC escreveu: se fosse aqui, o ministro já teria renunciado.

Assim como fez Nixon, não é mesmo?

Voltemos ao Brasil.

Quem vai renunciar aqui no Brasil por vídeos ou áudios vazados?

Mesmo a Lava Jato tendo sido extremamente relevante no combate à corrupção, foi exposto a lisura do processo que levou o ex Presidente Lula à prisão.

E de acordo com o título desse post, a agência de notícias The Intercept pode ter feito parar a operação Lava Jato.

 

 Lembrei daquela música dos Titãs[1]:

“Estão nas mangas dos Senhores Ministros, nas capas dos Senhores Magistrados...

... Isso não prova nada, sob pressão da opinião pública

É que não haveremos de tomar nenhuma decisão

Vamos esperar que tudo caia no esquecimento

Aí então!

Faça-se a justiça!"



[1] Música: Vossa Excelência – composição: Charles Gavin, Paulo Miklos, Tony Bellotto, 2005.