Pelo menos em uma coisa temos de
concordar: o desmatamento não começou na era Bolsonaro. Isso é verdade.
Temos de voltar muitos anos, na
década de 1970, quando o governo militar criou o lema “integrar para não
entregar”. Dessa forma, a ideia era povoar a região Norte com os homens do
Nordeste que sofriam com a seca. Assim, os estrangeiros que estavam de olho na
região amazônica não alcançariam nossas riquezas.
Para os novos moradores ganharem
as terras, seria preciso botar a floresta abaixo e formar pastagens. Para
garantir isso, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) adquiriu um
novo sistema que começou a partir de 1988 a avaliar as taxas de desmatamento,
verificando assim, se realmente estavam desmatando ou não para formar as
pastagens.
Recentemente, as queimadas na
Amazônia tomaram lugar em noticiários do mundo todo. E como toda questão contrária ao desejo do atual presidente brasileiro, os bolsonaristas agora defendem o fim da Amazônia, só pra contrariar a opinião internacional e reafirmam que as queimadas já ocorrem há muitos anos e ninguém estava dando importância a isso.
Ora, não é porque o
desmatamento ocorre há décadas, que vamos deixar de nos importar. Pelo
contrário, a cada ano que passa fica mais evidente de como o ser humano sofre
devido ao desmatamento.
Sempre existiu o desmatamento, mas não incentivadas pelo presidente do país.
Trazendo para os dias atuais e
levando em conta a estratégia bolsonarista de “estragar para não entregar”,
conforme citou Claudio Angelo[1].
O atual presidente, ainda em campanha, defendeu o desmatamento e aumentar os
garimpos a fim de estimular o crescimento econômico.
Na verdade, a maior parte do
desmatamento que ocorre hoje na Amazônia é feita ilegalmente. Ou seja, não é
computada no PIB nacional. Faz parte da grilagem e do crime organizado.
Então, por que acabar com a
floresta Amazônica?
Quando os apaixonados por
Bolsonaro dizem que o desmatamento não começou hoje, estão certos, realmente
não começou. Porém, o atual presidente defende o desmatamento. E por isso a
opinião pública atribui a ele o avanço da degradação da Amazônia. Ele não está interessado em protege-la. Veremos
em que resultará o seu discurso nacionalista: uma nação pobre em todos os
sentidos: pobre em biodiversidade, pobre em riquezas naturais, pobre em ciência,
pobre em valores e cultura (chega de índios, não é esse o discurso?)
Daí seremos apenas mais um país
latino-americano, que não sabe aproveitar a riqueza que tem.
É isso o que queremos?
Acorda Brasil!
Ou vamos continuar chorando pelo incêndio
na Notre Dame, o incêndio na Califórnia, enquanto nossos museus e florestas
queimam?
Amazônia: região que pertence a
nove países: Brasil (60%), Peru (13%), Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia,
Guiana, Suriname e Guiana Francesa, com partes menores.
[1]
Jornalista especializado em meio ambiente e autor do livro A Espiral da Morte:
como a humanidade alterou a máquina do clima