domingo, 25 de agosto de 2019

Notre Dame não pode acabar. E a Amazônia?


Pelo menos em uma coisa temos de concordar: o desmatamento não começou na era Bolsonaro. Isso é verdade.

Temos de voltar muitos anos, na década de 1970, quando o governo militar criou o lema “integrar para não entregar”. Dessa forma, a ideia era povoar a região Norte com os homens do Nordeste que sofriam com a seca. Assim, os estrangeiros que estavam de olho na região amazônica não alcançariam nossas riquezas.

Para os novos moradores ganharem as terras, seria preciso botar a floresta abaixo e formar pastagens. Para garantir isso, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) adquiriu um novo sistema que começou a partir de 1988 a avaliar as taxas de desmatamento, verificando assim, se realmente estavam desmatando ou não para formar as pastagens.

Recentemente, as queimadas na Amazônia tomaram lugar em noticiários do mundo todo. E como toda questão contrária ao  desejo do atual presidente brasileiro, os bolsonaristas agora defendem o fim da Amazônia, só pra contrariar a opinião internacional e reafirmam que as queimadas já ocorrem há muitos anos e ninguém estava dando importância a isso.

Ora, não é porque o desmatamento ocorre há décadas, que vamos deixar de nos importar. Pelo contrário, a cada ano que passa fica mais evidente de como o ser humano sofre devido ao desmatamento. 

Sempre existiu o desmatamento, mas não incentivadas pelo presidente do país.

Trazendo para os dias atuais e levando em conta a estratégia bolsonarista de “estragar para não entregar”, conforme citou Claudio Angelo[1]. O atual presidente, ainda em campanha, defendeu o desmatamento e aumentar os garimpos a fim de estimular o crescimento econômico.

Na verdade, a maior parte do desmatamento que ocorre hoje na Amazônia é feita ilegalmente. Ou seja, não é computada no PIB nacional. Faz parte da grilagem e do crime organizado.

Então, por que acabar com a floresta Amazônica?

Quando os apaixonados por Bolsonaro dizem que o desmatamento não começou hoje, estão certos, realmente não começou. Porém, o atual presidente defende o desmatamento. E por isso a opinião pública atribui a ele o avanço da degradação da Amazônia.  Ele não está interessado em protege-la. Veremos em que resultará o seu discurso nacionalista: uma nação pobre em todos os sentidos: pobre em biodiversidade, pobre em riquezas naturais, pobre em ciência, pobre em valores e cultura (chega de índios, não é esse o discurso?)

Daí seremos apenas mais um país latino-americano, que não sabe aproveitar a riqueza que tem.

É isso o que queremos?

Acorda Brasil!

Ou vamos continuar chorando pelo incêndio na Notre Dame, o incêndio na Califórnia, enquanto nossos museus e florestas queimam?





Amazônia: região que pertence a nove países: Brasil (60%), Peru (13%), Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, com partes menores.



[1] Jornalista especializado em meio ambiente e autor do livro A Espiral da Morte: como a humanidade alterou a máquina do clima