As disciplinas de Sociologia e
Filosofia foram incorporadas ao currículo do Ensino Médio em 2008, mas ainda há
quem as veja como disciplinas menos importantes, como se fossem inúteis e
abstratas.
E por serem vistas dessa maneira,
sem o menor interesse, não correspondem ao real sentido dessas disciplinas para
a vida humana.
Concordo que a Filosofia e a
Sociologia não agradem a todos. Isso é normalmente aceito. Porém, temos de
admitir que a “marginalização” que sofrem e sempre sofreram não é justa.
Afinal, para que servem?
A Sociologia tem um importante
papel na educação, pois permite e estimula a “ação consciente e transformadora”,
como disse Paulo Freire.[1]
Ainda nos anos 1960, o sociólogo Wrigt
Mills[2]
observou a Sociologia como uma prática criativa e definiu como “imaginação
sociológica”. Isso seria como a capacidade de conectar situações da realidade
com os diversos interesses que existem na sociedade. Ou seja, nada acontece por
acaso na sociedade. O indivíduo passa a compreender temas públicos com maior
amplitude.
Dessa forma, o aluno desenvolve a
capacidade de problematizar o mundo a sua volta. Possui postura crítica e
reflexiva. Ou seja, deixa de ser subserviente a tudo o que lhe impõem as outras
pessoas (não só a mídia, como qualquer outro meio de informação).
A depreciação da Sociologia tem
muito a ver com essa atitude reflexiva que ela promove nas pessoas. Nenhum
governo quer seu povo crítico. Ninguém quer um povo que use lentes de
interpretação da realidade e que pense em novas práticas sociais.
A Filosofia levanta muitas
questões e não responde a nenhuma. Muitas pessoas podem afirmar isso, porém, filosofar
é muito mais do que apenas saber o que os outros autores pensaram. É abrir
possibilidades de elucidar os sentidos dessas questões.
O filósofo não é uma pessoa
alienada que não se preocupa com a vida cotidiana. Muito pelo contrário: o
filósofo está atento a tudo o que ocorre na sociedade.
Por isso, é tão importante a
união dessas duas disciplinas no Ensino Médio: criar nos jovens o pensamento
reflexivo e crítico de tudo o que há na sociedade. Ter consciência de que a
mudança só ocorre quando há vontade e pensamento!
[1]
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 41. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
2005.
[2]
MILLS, C. W. A imaginação sociológica. 5. ed. Rio de Janeiro. Zahar Editores,
1982.