quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

No Brasil de ponta-cabeça

 

Num daqueles almoços em que se joga papo fora enquanto põe a comida pra dentro, ouvi a afirmação:

“Só mesmo o Lula pra melhorar a situação do país.”

Eu fiquei pasma.

Ele continuou:

 “Outro não vai dar jeito não. Qualquer um que ganhe, vai continuar essa mesma coisa. Mas se o Lula ganhar, aí eu sei que vai melhorar. Porque não teve outro Presidente que pensou nos pobres. Claro, teve o Getúlio, né, mas depois de Getúlio, não teve outro. Só o Lula. E ele vai ganhar.”

Continuei pasma. Almoçando. E pensei: uma pessoa que nunca votou no Lula falando isso.

Aliás, nunca votou nem no PT. E não estou falando de um cara da elite. Falo de um nordestino, que sempre trabalhou duro, que lutava no sindicato pra "peãozada" ter direito a um café da manhã, à cesta básica, a condições mínimas de trabalho na obra civil.

Mesmo assim, nunca se identificou com o Partido dos Trabalhadores. Nunca se sentiu representado por Lula, apesar de ser sindicalista.

Pensei.

A pessoa teve de ver o país na pior. Teve de ver gente morrendo ou ficar desempregada. Teve de ouvir as sandices do atual presidente. Teve de ver que um analfabeto ocupando o maior cargo do país soube conduzir a nação para uma melhora social e econômica.

Ele acrescenta:

“Ele pode ter feito o que fez, pode ter ajudado a roubar, mas ainda foi o único que pensou no pobre. “

Como o próprio Lula disse: “Não quero que publiquem que eu sou santo. Não sou. Estou cansado que me carreguem no colo, que puxem meu saco. Não encontro textos sérios: ou inventam mentiras para me esculhambar, ou exageram em coisas que não existiram para me transformar num super-homem. Não sou nem uma coisa nem outra.” [1]

Exatamente isso que venho falando há tempos. 

Que o mundo dá voltas, a gente já sabe. Pena que numa dessas voltas, alguns tenham de ficar de ponta-cabeça pra dar valor ao que estava de pé.

 

Em tempo, pesquisa do Datafolha[2] revela que 23% de eleitores que votaram em Bolsonaro, votariam em Lula, caso haja um segundo turno entre esses dois candidatos.

 

Nota: o título deste post foi oportunamente emprestado da letra da música "No Brasil de ponta cabeça", interpretada por Rios Voadores.



[1] PARANÁ, Denise. Lula, o filho do brasil. 3. ed. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2008.

[2] Pesquisa realizada entre os dias 13 e 15 de setembro 2021, em 190 municípios brasileiros.

domingo, 19 de setembro de 2021

Povo marcado: povo feliz!

 

“Se eu não confiar num homem que ficou 27 anos no Congresso e não se corrompeu, eu vou confiar em quem?”

Mais uma vez leio algo que me impulsiona a escrever.

A frase acima foi escrita por um colega, universitário, que vê no atual Presidente da República um exemplo de honestidade.

Basta uma pesquisa rápida para saber se realmente essa capa de honestidade está sobre o maior representante da nação.

Só vou citar o esquema das “rachadinhas”, como ficou conhecida a prática de desvio de parte do salário de um servidor e/ou funcionário para o parlamentar.

O esquema foi relatado e investigado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em que o filho do Presidente, Flavio Bolsonaro, pratica há anos.

Mas antes que o leitor diga: “ah, mas era o filho dele!! Eu não votei no filho!”, já há provas de que o esquema ilegal foi praticado nos anos em que o senhor Jair Bolsonaro foi deputado na Câmara.

Imaginem, que os servidores tinham de devolver até 90% do salário, segundo apurações e denúncias de ex-servidores.

Tudo isso sem falar na interferência do Presidente na Polícia Federal na investigação dos seus filhos. Ora, quem não deve, não teme.

Tudo isso parece não ser considerado como atos de corrupção pelos seus eleitores. E assim, Bolsonaro vai passando com sua auréola aos olhos de algumas pessoas. Acreditamos que em breve, esse número de fiéis diminua ao ver a verdadeira capa que cobre o seu “Messias”.

 

terça-feira, 9 de março de 2021

Lá vem ela. Ela mesma.

 

Quem? A polarização. Ela voltou. 

Voltou numa hora imprópria, é verdade, mas muito conveniente para a família Bolsonaro.

Ontem cedo, os jornais estampavam notícias sobre a pandemia, sobre o caos nos hospitais, sobre a falta de planejamento e o negacionismo do governo federal.

Quando mudavam de assunto, era sobre a mansão do filho Bolsonaro, sobre as “rachadinhas”, enfim, hoje, as principais páginas do noticiário falam sobre a decisão do Ministro Fachin.

Verdade é que já falamos nesse Blog sobre as provas inexistentes que levaram à prisão do ex-Presidente, mas conforme o STF, só foi alterado o foro do julgamento, ou seja, tornou incompetente o foro de Curitiba, mas designou outro foro para apreciar a matéria. Sem falar que essa decisão do Ministro Fachin leva ao encobrimento da parcialidade (ou não) do ex juiz Sérgio Moro. 

Então podemos afirmar que a volta de Lula à pista, embora possa ser temporária, significa o fortalecimento do discurso antipetista. E não são poucos os que apoiam esse ódio.

Quem quer odiar o PT, que odeie, mas tenha racionalidade para não fazer como a cigarra da fábula:

“A cigarra, com raiva da formiga, votou no inseticida. Morreram todos, incluindo o grilo que ficou neutro.”

Há quem já tenha se decidido em não votar em Bolsonaro novamente, pois conseguiu perceber o descaso com que trata várias questões cruciais para a população, enquanto dá importância demais para picuinhas e futilidades.

Porém, também temos aqueles eleitores que querem um replay desse desgoverno, além de não querer a vacina. E são muitos.

Olhando pelo retrovisor, vejo diminuição do número de pessoas na linha de pobreza; vejo pessoas com prato de comida todos os dias; sem falar na viagem de avião, que não é necessidade de primeira ordem, mas muitos conseguiram pela primeira vez. Sem falar no bom relacionamento comercial com outros países, incluindo China e Índia. Imaginem hoje como teria sido a negociação das vacinas com esses países, se o governante fosse o Lula?

Olhando hoje, o que vejo? O aumento da pobreza. E a pandemia, sem dúvida, acelerou ainda mais esse empobrecimento: a falta de emprego, a falta de comida, são muitas pessoas esperando uma doação de frutas e legumes quase podres lá no Ceagesp. Isso sem falar daqueles que pegam os restos nos lixos. No Nordeste, no Norte, no Sul, não tem região que esteja bem.

Ninguém olhou mais para o pobre do que aquele governo. E quando digo aquele governo, refiro-me especificamente ao Lula. Não me refiro ao PT ou à Dilma. Falo do Lula mesmo. Falo daquele que, em seu governo, conviveu com a corrupção, viu e ouviu. Assim como todos os outros governantes em todos os níveis da administração.  

Se ainda continua com seu ódio, seja racional.