“A partir de 1º de janeiro de
2023, vou governar para 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não apenas
para aqueles que votaram em mim. Não existe dois brasis, somos um único país,
um único povo, uma grande nação.”
A fala de um estadista. A fala de
quem conhece o papel de um Presidente: o de governar para todos, o de pensar
políticas públicas para todos.
Diferentemente, vimos
recentemente o atual Presidente falar que as minorias deveriam se ajustar às
maiorias. Essa é a fala de quem não conhece a grandeza do cargo que ocupou, com
a missão de unificar o povo, de fazer com que cada brasileiro trilhe um caminho
coletivo.
O que vimos nesses últimos 4 anos
foi exatamente o contrário: cada um trilhando um caminho próprio. Quando muito,
um caminho com os seus iguais. E os diferentes que ficassem à margem, ou
sumissem do caminho, era indiferente.
Foi um ódio gratuito que vimos: nos tios, nos vizinhos, no colega do bar, qualquer um poderia ser nosso inimigo. É assim que pensam os bolsonaristas radicais: quem comigo não ajunta, espalha.
O amor não pode ser somente aos iguais. Se assim for, somos falsos como uma nota de 6 reais.
Basta de hipocrisia: andar com a
Bíblia e não ajudar ao próximo. Falar de amor à família e ao mesmo tempo
ensinar o teu filho a xingar o esquerdista.
Queremos a paz e voltar a ter
nossos almoços em família. Voltar a ter nossas conversas e desentendimentos.
Que eles venham e voltem, sempre que necessário, mas que sobretudo, haja
respeito a opinião alheia.
Desde quando começou a haver
eleições para Presidente no Brasil, dizíamos o voto é secreto. E não havia mal
algum em declarar nosso voto publicamente.
Lembro que meu pai, malufista de
carteirinha, tinha orgulho em dizer seu voto, mas sempre havia alguns que
torciam o nariz pra ele. Outro diziam que ele era louco, dar voto pra corrupto.
Mas nunca o agrediram, nem o hostilizaram na rua, caso usasse um boné com a
foto do Maluf.
Tivemos, em 2022, uma amostra do
que é a perda da liberdade e a perda da democracia: o medo de colocar um
adesivo no carro, de usar uma camiseta do partido, de se expressar, de falar,
de cantar o jingle.
Quiseram nos calar, mas temos de
continuar lutando para que a democracia ajuste a todos nós: e saibamos tolerar
as preferências de todos, sabendo que cada um arca com a responsabilidade por
quem elege.
E pra quem leu meu post anterior,
aquela velha conhecida conseguiu sair da UTI. A democracia foi visitá-la no dia
da sua alta hospitalar. Foi emocionante. Arrancou lágrimas de muitos, de
pessoas que há 4 anos a aguardavam sair do caos em que se encontrava.
Precisamos trilhar um caminho
coletivo, pensando no outro junto conosco, assim o Brasil voltará a ter voz
internacionalmente e voltará a crescer, sem esquecer dos que mais precisam.