terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Trabalhadores, uni-vos!

 

A classe trabalhadora vive um cenário insatisfatório. Desde a reforma trabalhista, temos visto o desmoronamento de muitas conquistas. E com elas, o sindicato.

O sindicato nasceu a partir da insatisfação com a precarização e as péssimas condições de trabalho e de vida que marcaram o final do século XIX, no período pós revolução industrial na Inglaterra.

Foi nessa época em que houve grande confronto de interesses: de um lado a burguesia e do outro, o proletariado.

A partir daí, o proletariado passou a se reunir e se organizar, de modo a confrontar os empregadores, questionando sua situação.

Porém, somente em 1824, na Inglaterra foi permitida a livre associação dos operários. Esse ajuntamento foi denominado trade unions. Essas associações realizavam a negociação entre trabalhadores e empregadores.

Também conseguiram fixar salário por categorias. Além disso, aquilo que no Brasil conhecemos como participação nos lucros, foi regulamentada pelas trade unions. Assim, conforme aumentava a produtividade, os trabalhadores recebiam aumento no salário.

No Brasil, a chegada de trabalhadores vindos da Europa transformou a relação de trabalho. Aqui, havia acontecido a abolição da escravidão e, por isso, a mão-de-obra assalariada era extremamente necessária.

Os imigrantes europeus, que já tinham conhecimento dos seus direitos trabalhistas, passam a se reunir, de modo informal, formando uniões operárias.

Somente em 1930, Getúlio Vargas submete os sindicatos ao Estado.

E por que ele fez isso?

Porque via o crescimento dos sindicatos e suas lideranças ligadas a partidos políticos. Sendo assim, ele estabeleceu em lei, que os sindicatos eram proibidos de realizar atividades político-ideológicas e que funcionários públicos não podiam ser sindicalizados. Em contrapartida, foi criada a contribuição sindical

Além disso, no governo Vargas foram regulamentados vários direitos trabalhistas e outras medidas, como a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Mesmo assim, a luta sindical crescia cada vez mais, com intensas greves.

O movimento sindical exercia grande poder de representação, defendendo interesses em comum dos seus associados.

Nos últimos anos, o que temos visto?

Aprovação da lei da terceirização, fim da política de valorização do salário-mínimo, carteira verde-e-amarela, entre outros.

Qual o destino do sindicalismo no Brasil? O destino, eu não sei, mas o caminho até lá é de submissão, já que o poder de barganha está em declínio. Além disso, a desestabilização é uma constante nesse ambiente. Isso porque dentro de uma mesma categoria há os que fazem gol contra. Nem mesmo os trabalhadores acreditam no sindicato como antes. Talvez o sindicalismo encontre uma via que o leve à superação, porém há muito o que se reconstruir: confiança, acima de tudo! Os trabalhadores precisam voltar a confiar que a união da classe ainda é a melhor forma de lutar.  E não pensando cada um em seu próprio umbigo.

Para quem quiser se aprofundar sobre a história do sindicalismo, recomendo um excelente livro: Destino do sindicalismo. Autor: Leôncio Martins Rodrigues. Edusp, 1999.