sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Política e Religião

 

Muitos dos meus leitores já ouviram aquele velho ditado: política e religião não se discute.

Eu concordo, mas nos últimos anos o que mais fazemos é exatamente o contrário.

Discutimos tanto um quanto o outro assunto. E o pior: misturamos os dois.

E é aí que está o problema.

Voltando ao século XVI, Maquiavel diria que a religião está a serviço da política. Por quê? Porque assim, os governantes poderiam usá-la para manter o Estado e dessa forma, conduzir o povo ao patriotismo. Além disso, o temor a Deus faz com que os seus súditos sejam fiéis às leis civis também.

Algo lhe parece familiar?

Voltando ao nosso século XXI:  o povo está cansado das brigas políticas, das discussões em família, do afastamento dos amigos, enfim, de tudo e de todos que se mostrem perversos.

Devido a isso, a procura por uns momentos de tranquilidade se intensificou.

A própria pandemia e o risco iminente de morte fizeram as pessoas buscarem um consolo, uma palavra encorajadora onde elas acreditem estar mais perto de um ser superior.

Mas dependendo de quem é esse ser superior, não é respeitado pelo governante. Isso porque os conservadores querem moldar a sociedade de acordo com suas crenças (se é que creem em algo divino).  Muitas vezes, o lobo se disfarça de ovelha.

Pena que muitas ovelhas não percebem isso.

Pena que muitas ovelhas são tão facilmente enganadas que podem acreditar que um governo de esquerda fecharia as igrejas.

Ora, eu mesma já ouvi isso: há uns 33 anos. Foi naquele processo eleitoral entre Lula e Collor na disputa à Presidência. Muitos afirmavam e ainda usavam a Bíblia para provar por a+b que as igrejas seriam fechadas.

Pagamos pra ver na eleição de 2002.

Nada aconteceu.

Mas não é possível!!! O pastor disse! O fulano disse!

Vamos votar nele novamente pra ver se a igreja fecha. Repetimos a escolha em 2006.

Nada.

As igrejas permaneceram abertas, com liberdade de culto, conforme determina a Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso VI:


“é inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias;”

 

Enquanto essa preocupação saiu da mente de muitos, outros puderam trabalhar, almoçar e jantar no mesmo dia, além de exercer suas crenças.

A laicidade do Estado é justamente isso: ter direito o cidadão de escolher uma religião, assim como não escolher. Isso deveria ser respeitado e divulgado.

E não inventar boatos para que as ovelhinhas fiquem assustadas e sigam o governante. A época de Maquiavel já passou.

Estamos na época da benevolência. A época de fazer o bem. De ajudar o próximo. Quem se diz seguidor dos passos de Cristo, deveria fazer o bem, estender a mão ao samaritano, ao egípcio, ao israelita, não importa de onde vem, pra que partido dá o voto, o que importa é se precisa de ajuda. Jesus quando andou na terra disse: amai ao próximo como a ti mesmo.

 

 

Do dicionário Aulete: Laico: não religioso.