Muitos dos
meus leitores já ouviram aquele velho ditado: política e religião não se
discute.
Eu concordo,
mas nos últimos anos o que mais fazemos é exatamente o contrário.
Discutimos
tanto um quanto o outro assunto. E o pior: misturamos os dois.
E é aí que
está o problema.
Voltando ao
século XVI, Maquiavel diria que a religião está a serviço da política. Por quê?
Porque assim, os governantes poderiam usá-la para manter o Estado e dessa
forma, conduzir o povo ao patriotismo. Além disso, o temor a Deus faz com que os
seus súditos sejam fiéis às leis civis também.
Algo lhe parece
familiar?
Voltando ao
nosso século XXI: o povo está cansado
das brigas políticas, das discussões em família, do afastamento dos amigos,
enfim, de tudo e de todos que se mostrem perversos.
Devido a
isso, a procura por uns momentos de tranquilidade se intensificou.
A própria
pandemia e o risco iminente de morte fizeram as pessoas buscarem um consolo,
uma palavra encorajadora onde elas acreditem estar mais perto de um ser
superior.
Mas dependendo
de quem é esse ser superior, não é respeitado pelo governante. Isso porque os
conservadores querem moldar a sociedade de acordo com suas crenças (se é que
creem em algo divino). Muitas vezes, o
lobo se disfarça de ovelha.
Pena que
muitas ovelhas não percebem isso.
Pena que
muitas ovelhas são tão facilmente enganadas que podem acreditar que um governo
de esquerda fecharia as igrejas.
Ora, eu
mesma já ouvi isso: há uns 33 anos. Foi naquele processo eleitoral entre Lula e
Collor na disputa à Presidência. Muitos afirmavam e ainda usavam a Bíblia para
provar por a+b que as igrejas seriam fechadas.
Pagamos pra
ver na eleição de 2002.
Nada aconteceu.
Mas não é
possível!!! O pastor disse! O fulano disse!
Vamos votar
nele novamente pra ver se a igreja fecha. Repetimos a escolha em 2006.
Nada.
As igrejas
permaneceram abertas, com liberdade de culto, conforme determina a Constituição
Federal, em seu artigo 5º, inciso VI:
“é inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o
livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção
aos locais de culto e as suas liturgias;”
Enquanto essa preocupação saiu da mente de muitos, outros puderam
trabalhar, almoçar e jantar no mesmo dia, além de exercer suas crenças.
A laicidade
do Estado é justamente isso: ter direito o cidadão de escolher uma religião,
assim como não escolher. Isso deveria ser respeitado e divulgado.
E não inventar
boatos para que as ovelhinhas fiquem assustadas e sigam o governante. A época de
Maquiavel já passou.
Estamos na
época da benevolência. A época de fazer o bem. De ajudar o próximo. Quem se diz
seguidor dos passos de Cristo, deveria fazer o bem, estender a mão ao samaritano,
ao egípcio, ao israelita, não importa de onde vem, pra que partido dá o voto, o
que importa é se precisa de ajuda. Jesus quando andou na terra disse: amai ao
próximo como a ti mesmo.
Do
dicionário Aulete: Laico: não religioso.