segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Um caminho coletivo

 

“A partir de 1º de janeiro de 2023, vou governar para 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não apenas para aqueles que votaram em mim. Não existe dois brasis, somos um único país, um único povo, uma grande nação.”

A fala de um estadista. A fala de quem conhece o papel de um Presidente: o de governar para todos, o de pensar políticas públicas para todos.

Diferentemente, vimos recentemente o atual Presidente falar que as minorias deveriam se ajustar às maiorias. Essa é a fala de quem não conhece a grandeza do cargo que ocupou, com a missão de unificar o povo, de fazer com que cada brasileiro trilhe um caminho coletivo.

O que vimos nesses últimos 4 anos foi exatamente o contrário: cada um trilhando um caminho próprio. Quando muito, um caminho com os seus iguais. E os diferentes que ficassem à margem, ou sumissem do caminho, era indiferente.

Foi um ódio gratuito que vimos: nos tios, nos vizinhos, no colega do bar, qualquer um poderia ser nosso inimigo. É assim que pensam os bolsonaristas radicais: quem comigo não ajunta, espalha.

O amor não pode ser somente aos iguais. Se assim for, somos falsos como uma nota de 6 reais. 

Basta de hipocrisia: andar com a Bíblia e não ajudar ao próximo. Falar de amor à família e ao mesmo tempo ensinar o teu filho a xingar o esquerdista.

Queremos a paz e voltar a ter nossos almoços em família. Voltar a ter nossas conversas e desentendimentos. Que eles venham e voltem, sempre que necessário, mas que sobretudo, haja respeito a opinião alheia.

Desde quando começou a haver eleições para Presidente no Brasil, dizíamos o voto é secreto. E não havia mal algum em declarar nosso voto publicamente.

Lembro que meu pai, malufista de carteirinha, tinha orgulho em dizer seu voto, mas sempre havia alguns que torciam o nariz pra ele. Outro diziam que ele era louco, dar voto pra corrupto. Mas nunca o agrediram, nem o hostilizaram na rua, caso usasse um boné com a foto do Maluf.

Tivemos, em 2022, uma amostra do que é a perda da liberdade e a perda da democracia: o medo de colocar um adesivo no carro, de usar uma camiseta do partido, de se expressar, de falar, de cantar o jingle.

Quiseram nos calar, mas temos de continuar lutando para que a democracia ajuste a todos nós: e saibamos tolerar as preferências de todos, sabendo que cada um arca com a responsabilidade por quem elege.

E pra quem leu meu post anterior, aquela velha conhecida conseguiu sair da UTI. A democracia foi visitá-la no dia da sua alta hospitalar. Foi emocionante. Arrancou lágrimas de muitos, de pessoas que há 4 anos a aguardavam sair do caos em que se encontrava.

Precisamos trilhar um caminho coletivo, pensando no outro junto conosco, assim o Brasil voltará a ter voz internacionalmente e voltará a crescer, sem esquecer dos que mais precisam.


terça-feira, 25 de outubro de 2022

Uma questão de caráter

 

Ao longo de toda a campanha eleitoral, eu tentei expor alguns motivos pelo quais eu não voto em Bolsonaro.

Aos que me chamaram de comunista: estude primeiro o que é comunismo, pra não passar vergonha, e depois conversamos.

Aos que me chamaram de não-cristã, leia bem o Evangelho que Jesus Cristo deixou e entenda que Deus enviou o Seu filho para amar a todos, sem distinção. E amar não significa votar em quem incita o ódio e a morte de quem pensa diferente.

Aos que me chamaram de puxa-saco de político, quero lembrar aqui que não preciso de que político algum faça algum benefício para mim. Graças a Deus posso comer picanha quando eu tiver vontade.

Fico feliz ao ver alguns irmãos nordestinos meus se puderem ter uma cisterna perto de casa, fico feliz se o filho do pedreiro ou do jardineiro conseguir estudar e ter um bom emprego.

Fico feliz ao ver minha igreja voltar a ser o que era: um ambiente apolítico, onde não se filia a partidos, onde se ajuda ao próximo e onde se prega o amor.

Fico feliz ao não ver mais as ruas cheias de pessoas, crianças desnutridas, pedindo um pão ou revirando as latas de lixo.

Muitos brasileiros estão com a geladeira quase vazia, muitos estão colocando água no frasco de xampu pra render, muitos estão procurando emprego há meses, em filas imensas, entregando currículo, muitos estão dividindo um pão para os quatro filhos ou fazendo um caldo com ossos de galinha para almoçar. Muitos tem de escolher quando entra num supermercado: compro o arroz ou compro o feijão? Se tenho o arroz, me falta o gás. Não tem sido fácil para esses, que talvez, você nem conheça. Mas como um bom cristão: você sente.

E para esses, eu digo: Por que votar em Bolsonaro? O que ele fez nesses quatro anos para você ou para quem você conhece?

É por isso que não voto pela reeleição de Bolsonaro. E em São Paulo também não voto em Tarcísio, pois além de conhecer o Prof. Haddad, sei que é uma pessoa que preza pela educação e o quanto isso é necessário para nossos filhos e nossa população crescer e o país se desenvolver.

E se você não gosta de nenhum dos candidatos, vote em branco, mas não deixe esse inepto mais 4 anos na presidência fazendo nada pelo povo que mais precisa.  

E se mesmo assim, você, que não tem muita coisa, votar no inepto: assuma! Não diga que vota em nome da família. Não diga que vota em nome da verdade. Não diga que vota pelo fim da corrupção. E não diga que vota em nome da pátria. Diga que vota pelo direito ao povo armado, pelo direito de não ter negros ao seu lado na universidade, pelo direito de não viajar para Paris com a doméstica. Assuma! Pois é isso que o bolsonarismo prega e defende. Ninguém vota inocente.

Você pode ser conservador, é uma escolha.

Ser desumano, já é uma questão de caráter.

domingo, 2 de outubro de 2022

Ela está em coma

Uma conhecida muito querida, quase da família, tão querida que a cada leitura, cada estudo, cada análise, ela se tornava mais querida.

Hoje, ela entrou em coma.

A conhecida a quem me refiro é a Política. A Política como ciência. Desculpem-me os colegas cientistas políticos que discordam.  

Entender e estudar o comportamento político dos eleitores, usando as teorias que aprendemos na faculdade, não vale mais nada! O voto racional, o voto útil, o voto econômico, etc.

Quando você percorre as ruas do extremo da zona leste e vê manifestações de voto na extrema direita, bem você vê que não há mais ligação entre a posição social com o voto. Nem há mais consciência de classe, daquelas que víamos trabalhadores votando em quem se preocupa com o povo.

O resultado das urnas hoje demonstrou que a mentira sobre o que pode acontecer num governo de esquerda venceu. A mentira venceu.

E digo mentira pois já tivemos 13 anos de governo esquerdista e principalmente: nenhuma igreja foi fechada, nenhum cristão foi preso ou sumiu (como ocorria na ditadura).

Essa guerra de mentiras foi quem levou a minha conhecida ao coma. Ela não merecia isso. Ela achava que o povo que passa fome, o povo que perdeu o emprego, o povo que ganha um salário suado, pegando o trem lotado todo dia, o povo que conta as moedas pra pagar o transporte caro, o povo que não consegue mais pagar uma passagem de avião pra ver a família no Pará, ou em Rondônia, ela achava que essas pessoas iriam escolher a democracia.

Talvez ela consiga acordar do coma no segundo turno e ainda veja a democracia para visitá-la no dia da sua alta.