terça-feira, 28 de julho de 2015

"Me ajuda aí"


Assim que li a notícia num portal, não poderia deixar de expressar minha surpresa. Finalmente o Sr. José Luiz Datena se candidatará ao cargo de prefeito. Digo finalmente, pois, por tanto criticar e achar que nenhum governante sabe administrar a cidade, finalmente ele foi convencido de que pode tentar fazer o melhor para os paulistanos.

E diga-se de passagem, o que é o melhor para São Paulo? De quais políticas públicas NOVAS a cidade precisa? Ou quais as soluções para os VELHOS problemas?

Como exemplos recentes, temos a alteração do limite da velocidade nas Marginais e a criação das ciclofaixas: mostras claras de interesses diversos que se confrontam. Se voltarmos mais atrás, lembraremos da taxa de lixo, dos comerciantes protestando contra a lei da cidade limpa, e assim vai.  O melhor para mim pode não ser o melhor para você. Não é fácil administrar uma cidade, muito menos se ela for do tamanho de São Paulo. Não digo que é impossível resolver, mas é difícil e trabalhoso. Queremos ver o próximo(a) prefeito(a) trabalhando!

Diante de todas as situações vividas pelos paulistanos, nos dias de enchente, nos dias em que o trem e o Metrô param, nos dias em que a violência ganha as manchetes dos jornais; lá está ele, o Datena, na tela, criticando a administração pública. E o pré-candidato vai precisar de muito mais do que boa vontade. De boa vontade e da ajuda do partido.

Depois de flertar com PSDB e PSB, foi conquistado pelo PP.

Lembram do PP? Aquele que era PPB, que já foi uma mistura com o PPR... mas dessa sopa de letrinhas muitos eleitores não se lembram. Porém, se eu disser: o partido do Maluf, ah, aí todo mundo se lembra.

Que dupla: Datena e Maluf!

Quem vai dizer "me ajuda aí" seremos nós: paulistanos.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

O que fazer com esses jovens?


Ontem, passando pelas redes sociais, achei um post interessante de nossa colega, Emanuelle Lira, que questiona: quem são os cidadãos de bem que comemoram a ida de jovens pobres para presídios comuns?

Seguiu-se um comentário de outra colega, alegando que muitos jovens pobres estão trabalhando como jovens cidadãos, aprendizes e que, os jovens que estão na prisão são os delinquentes.

Por esse caminho, travou-se uma discussão, como essas que estão aflorando em todas as redes, nos grupos do whattsapp, nos e-mails, enfim, cada um tenta, da melhor maneira, defender a sua ideia.

Perguntada ontem sobre a minha opinião, afirmei e repito: sou totalmente favorável à redução da maioridade.  Agora, dizer se apoio a manobra do Eduardo Cunha ou não, é questão a ser estudada ainda. Alguém leu o regimento da Câmara? Nem eu. O mínimo que podemos dizer é que, se ele conhece bem o regimento, ele foi muito esperto.

Uma coisa é certa: quando o Cunha diz que a maioria da população é favorável à redução, ele não está mentindo. O percentual de favoráveis à redução da maioridade penal se mantém estável: em 2013, eram 92,7% (CNT/MDA), em 2014: 83% (IBOPE) e em 2015: 87% (Datafolha). Nesta última pesquisa, dentre os favoráveis, 73% aprovam a punição para qualquer tipo de crime.

O Eduardo Cunha retirou alguns delitos do projeto apresentado, como o tráfico de drogas, roubo qualificado, tortura, deixando os crimes hediondos, que atentem contra a vida: homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

Algumas pessoas acham que a medida não reduzirá a criminalidade. E estão certas. Não reduzirá mesmo. Porém, não podemos esperar a melhora das questões-base, como educação e equidade social, esperando que nossos jovens cresçam em condições melhores e sigam por caminhos longe da criminalidade.

Por que não corrigir o fim, sabendo que muito deverá ser feito no meio e no começo? Até porque o processo do início ao meio é muito longo e trabalhoso.

Ainda nessa semana ouvi uma pessoa dizer que quem defende os menores nunca teve um ente assassinado por menor, ou nunca foi assaltado por menor e que essa defesa irá até um dia que isso acontecer.

Talvez sim. Talvez não. Muitos do que defendem o tratamento igual a adultos nunca foram prejudicados por menores. Porém, pensam numa sociedade que a cada dia sofre mais com a impunidade.

E agora, respondendo à Emanuelle Lira, quem são os cidadãos de bem?

São aqueles que defendem os direitos da criança em brincar, estudar, que é totalmente legítimo.

E são aqueles que defendem a punição de quem comete atos (conscientes) delituosos e ilícitos, que também é legítimo.

O tema dá muito debate. Democraticamente, não esqueçamos disso.