Ontem, passando pelas redes
sociais, achei um post interessante de nossa colega, Emanuelle Lira, que questiona:
quem são os cidadãos de bem que comemoram a ida de jovens pobres para presídios
comuns?
Seguiu-se um comentário de outra
colega, alegando que muitos jovens pobres estão trabalhando como jovens
cidadãos, aprendizes e que, os jovens que estão na prisão são os delinquentes.
Por esse caminho, travou-se uma
discussão, como essas que estão aflorando em todas as redes, nos grupos do
whattsapp, nos e-mails, enfim, cada um tenta, da melhor maneira, defender a sua
ideia.
Perguntada ontem sobre a minha
opinião, afirmei e repito: sou totalmente favorável à redução da
maioridade. Agora, dizer se apoio a
manobra do Eduardo Cunha ou não, é questão a ser estudada ainda. Alguém leu o
regimento da Câmara? Nem eu. O mínimo que podemos dizer é que, se ele conhece
bem o regimento, ele foi muito esperto.
Uma coisa é certa: quando o Cunha
diz que a maioria da população é favorável à redução, ele não está mentindo. O
percentual de favoráveis à redução da maioridade penal se mantém estável: em 2013,
eram 92,7% (CNT/MDA), em 2014: 83% (IBOPE) e em 2015: 87% (Datafolha). Nesta
última pesquisa, dentre os favoráveis, 73% aprovam a punição para qualquer tipo
de crime.
O Eduardo Cunha retirou alguns
delitos do projeto apresentado, como o tráfico de drogas, roubo qualificado,
tortura, deixando os crimes hediondos, que atentem contra a vida: homicídio
doloso e lesão corporal seguida de morte.
Algumas pessoas acham que a medida
não reduzirá a criminalidade. E estão certas. Não reduzirá mesmo. Porém, não
podemos esperar a melhora das questões-base, como educação e equidade social,
esperando que nossos jovens cresçam em condições melhores e sigam por caminhos
longe da criminalidade.
Por que não corrigir o fim,
sabendo que muito deverá ser feito no meio e no começo? Até porque o processo
do início ao meio é muito longo e trabalhoso.
Ainda nessa semana ouvi uma
pessoa dizer que quem defende os menores nunca teve um ente assassinado por
menor, ou nunca foi assaltado por menor e que essa defesa irá até um dia que
isso acontecer.
Talvez sim. Talvez não. Muitos do
que defendem o tratamento igual a adultos nunca foram prejudicados por menores.
Porém, pensam numa sociedade que a cada dia sofre mais com a impunidade.
E agora, respondendo à Emanuelle
Lira, quem são os cidadãos de bem?
São aqueles que defendem os
direitos da criança em brincar, estudar, que é totalmente legítimo.
E são aqueles que defendem a
punição de quem comete atos (conscientes) delituosos e ilícitos, que também é
legítimo.
O tema dá muito debate.
Democraticamente, não esqueçamos disso.
É.... Ainda haverá muitos debates sobre o tema ...
ResponderExcluirTb. acho que não irá reduzir a criminalidade , mas bora defender os direitos do ser humano....pois concordo com a frase clichê ... "Direitos Humanos são para os Humanos Direitos "
É preciso que se faça algo pra que haja mudanças....