Toda vez que há um conflito, a questão ressurge: afinal, para que serve a ONU? É para garantir a paz entre as nações? Por que a ONU não exige o fim dos conflitos?
Constantemente está acontecendo alguma
guerra civil, algum confronto entre grupos rivais ou cartéis. Só pra citar
alguns que estão ocorrendo neste momento: Ucrânia x Rússia desde 2022, Israel x
Palestina, tensões que vão e vem em Mianmar, Sudão, Iêmen e na região do Sahel
(envolvendo Mali, Burkina Fasso e Niger).
Muitos desses talvez o leitor nem
ouviu falar pela mídia tradicional do Brasil, principalmente os que estão em regiões
de extrema pobreza, em que muitas pessoas tiveram de se deslocar gerando uma crise
humanitária gigante e muita instabilidade. Disputam territórios, petróleo,
poder, provocando limpeza étnica com pouca visibilidade internacional.
Ao total, a ONU tem 193 Estados-membros
e 2 Estados observadores: Vaticano e Palestina. A ONU pode intervir nos
conflitos, aplicando sanções econômicas ou até mesmo enviar militares para o
alcance da paz. Porém, qualquer ação tem de ser aprovada pelo Conselho de
Segurança. E quem faz parte desse Conselho? China, França, Estados Unidos,
Rússia e Reino Unido.
Esses senhores países tem poder
de veto e podem impedir qualquer ação mais eficaz da ONU, como ocorre em Gaza e
na Ucrânia. Se um votar contra, nada será feito!
Discutimos isso na Academia: a
Teoria do Realismo: onde cada país pode emitir seu desconforto em relação à
guerra, mas na realidade ninguém entra no meio do fogo.
No mais recente conflito iniciado
em 2026, os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. E ainda nesta semana o
Presidente estadunidense afirmou: “uma civilização inteira morrerá esta noite,
para nunca mais ser ressuscitada”, se referindo aos iranianos.
E a frase foi repetida várias
vezes por diversos meios de comunicação, sem ao menos ser contestada como um
ato deliberado de genocídio.
Normalizaram o extermínio de um
povo?
Aqui aparece a Teoria Construtivista
das Relações Internacionais: a ONU foi vendida como sendo a grande protetora
das nações, mas fica cada dia mais escancarado que não é bem assim. Uma narrativa
foi construída de que os Estados Unidos tem o poder, isso é aceito e aceitamos
que os EUA tem o poder de intervir em qualquer país soberano impondo suas regras
com seu poder de fogo. A mídia internacional acata e reproduz suas falas grotescas,
normalizando a guerra e o fim de um povo.
A ONU sofre a queda de sua credibilidade na resolução de conflitos armados, mas ainda mantém sua capacidade na ajuda humanitária. Aliás, a ajuda humanitária seria uma maneira de mostrar que faz algo? Que ainda tem uma função? Não vamos nos esquecer de que se não houvesse os conflitos, nem haveria crise humanitária. Uma reforma estrutural é urgente na ONU. Ou o fim dela?
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Agradeço a colaboração para a produção desse texto:
- ao sempre questionador André Carvalho. @andremuringa
