terça-feira, 31 de dezembro de 2019

2019: um ano de resiliência*


Agora que chegamos ao fim do ano de 2019, é hora de olharmos pra trás e vermos o que foi feito por essa turma que está no Planalto.

- Criação de uma subsecretaria no MEC (Ministério da Educação) para ampliação de escolas cívico-militares;

 - Reforma da Previdência, fazendo com que, pessoas como eu, que começaram a trabalhar antes dos 15 anos, tenha de trabalhar até os 62 anos (mulheres), em vez de aos 46 anos;

- Liberação de saque parcial do FGTS para aquecer a economia. E quem optar pelo saque aniversário, não vai poder sacar quando sair da empresa. Uma enorme vantagem. Pra quem?

-  Carteira de trabalho verde e amarela: jovens de 18 a 29 anos, em primeiro emprego, terão depositados 2% no FGTS e não mais 8% como atualmente;

- Trabalhos aos domingos e feriados: o empregador pode determinar e a folga semanal remunerada passar para um dia da semana;

- Fim da obrigação das empresas contratarem portadores de deficiência, indo contra a convenção da ONU e contra a realidade brasileira;

- Cobrança de 7,5% de INSS sobre o seguro desemprego;

- Facilitação para o porte de armas;

- Exclusão da população LGBTI das políticas públicas;

- O SUS não é mais obrigado a disponibilizar sangue e remédios;

- Tributação sobre férias, horas extras e 13º salário.

Isso tudo sem falar das falas polêmicas, dos discursos inócuos, da inação em relação às queimadas na Amazônia, do derramamento de óleo no mar, enfim, não está nada fácil.

Nem tudo foi ruim, vamos falar a verdade.

Um exemplo de boa medida adotada por esse governo foi o fim do visto dos turistas dos EUA, Japão, Canadá e Austrália. Vejam só! Muito bom mesmo! Para eles! Nós continuamos precisando enfrentar toda aquela maratona para conseguir um visto para os EUA.

Ah...eu já ia esquecendo: o governo fez uma parceria com o governo de Israel para transformar ar em água no Nordeste. Aí peço aos meus conhecidos do Nordeste para saber se isso realmente está vigorando.

Outra boa notícia seria o pagamento do 13º para quem recebe Bolsa Família. Essa novidade foi anunciada em abril, porém, nos meses seguintes, foram cortadas 1,16 milhão de famílias. Agora sabemos de onde veio o dinheiro para pagar o salário extra. Algumas famílias não cumpriam o requisito básico para o programa. Porém, a maioria foi cortada sem justificativa.

O importante é que o mote da campanha de Bolsonaro está sendo cumprido: o combate à corrupção. Basta vermos o caso do Queirós, envolvimento com as milícias do Rio de Janeiro e o laranjal do PSL. Isso sim é que foi uma fake News: acabar com a corrupção!


*Em sentido figurado, resiliência significa a habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas. (Dicionário Aulete)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

A opinião é de cada um - a verdade é de todos



Outro dia vi no Facebook um vídeo daquela garota, a Greta Thunberg, mal traduzido e além disso, colocaram vozes que não eram dela e do jornalista que a entrevistava. 

Vi o vídeo até o fim e fiquei com a pergunta: Será que quem postou isso não reparou na boca dos falantes? Não viu que isso é uma montagem grotesca?

Na era das fake News, ninguém analisa nada. Apenas repassam. Propagam as mentiras por aí e brigam com quem avisa que aquilo trata-se de uma mentira.

Da mesma forma, muitos defendem que o nazismo é de esquerda, que a Terra é plana, que nunca houve ditadura militar no Brasil.

Precisamos diferenciar o que é fato do que é opinião.

Relendo um texto de Hannah Arendt, escrito em 1967, conseguimos identificar muitos pontos parecidos com os tempos atuais. 

Arendt fala sobre a relação entre verdade e política, que sempre esteve em conflito. Nas palavras dela, “aqueles que dizem a verdade estiveram sempre conscientes dos riscos que corriam”.

Voltando às opiniões, a liberdade de opinião é uma farsa, se a informação sobre os fatos não estiver garantida, se manipularem os fatos a seu bel-prazer. E isso ocorre em todo o tempo nas mãos de tiranos, em governos extremamente ideológicos. 

Tais governos falam como se os fatos não fizessem parte da História, mas da ordem da opinião. Imagine se cada nação pós Segunda Guerra, resolvesse contar os fatos a seu modo.

Podemos discutir as diferentes opiniões, mas os fatos são resistentes e nada pode abalar a não ser as mentiras. E essas mentiras são tomadas como verdade, caso quem as diga seja alguém que tem muito poder. 

O poder ultrapassa seus limites quando falsifica e apaga os fatos, por meio de manobras. 

Arendt observou que quando essa opinião está alicerçada num extremo patriotismo, passa a ser uma mentira legitimada em nome do progresso do país. Quando um mentiroso não dispõe de poder necessário para impor suas mentiras, ele invoca seu direito constitucional de opinar: pode dizer “o sol brilha” quando lá fora chove torrencialmente.

Parece absurdo, mas o que vemos hoje com as ondas sobre terraplanismo e nazismo de esquerda? Não é nada mais do que isso: impor uma mentira.

O poder político causa um grande prejuízo à verdade. Por isso, não podemos deixar de falar a verdade. Cada dia mais vejo hostilidade à verdade e aos fatos. 

O que podemos fazer é não aceitar e não repassar mentiras. Não percamos a consciência dos fatos.


sexta-feira, 8 de novembro de 2019

O alimento da democracia


Estava há um tempo sem escrever, mas hoje não poderia deixar de expressar nesse Blog, que afinal, é sobre Política.

E diga-se de passagem:  a Política, aquela Política por quem me apaixonei há muitos anos, mudou muito.

Ultimamente a Política tem deixado de ser o que deveria ser.

Entretanto, hoje, quando ouvi e vi o ex Presidente Lula sair, beneficiado pela decisão da última quinta-feira, tive vontade de escrever.

E ao ouvi-lo, no seu primeiro discurso pós soltura, lembrei-me daquela Política pela qual me interessei.

Aquela Política que, como pensava Aristóteles, pensa no bem do ser humano e na sua felicidade.

Podem falar o que quiserem: sobre ser conivente com a corrupção, com mentiras, falarem o que quiserem, mas nunca vi o país prosperar tanto como na era Lula.  O país e muitas pessoas que conheço.

Isso não é mega sena, que você não conhece o ganhador. Isso é real.Isso é realidade.

O que vejo hoje é a realidade crua: cada vez mais nua: desemprego, sem aposentadoria, sem crédito, sem educação, sem nada.

Pelo contrário, a cada dia que passa, parece que a população emburrece, esquece o que aprendeu nas escolas e faculdades.

Estou farta de Terra plana, de aquecimento global mentiroso, enfim, acho que a ciência nos ajuda a progredir e não para tirar nossa inteligência.

Então, entendamos de uma vez por todas o que o Código Penal sempre disse a respeito das prisões após segunda instância e deixemos de criticar o STF por ter cumprido a Constituição.

Para quem não leu, procure ler e entender.

Porque quando o Lula diz que não encontrou na lei o porquê de ter sido preso, ele não está se fazendo de vítima. E você não sabe qual artigo foi infringido. Nem o Deltan Dalagnol sabe.

E o alimento da democracia é o povo, que crê que dias melhores poderão vir. É não desistirmos nunca.

E um dia, aquela Política poderá voltar a nos cativar e fazer nossos olhos brilharem novamente.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Vamos brincar de índio



Muita gente deve ter se perguntado: quem é essa índia que acompanhou o Presidente da República até a Assembleia Geral da ONU?

Para muitos, ela já é conhecida. Uma youtuber que se intitula moderna, pois tem moradia em São Paulo e na reserva Alto do Xingu. Entre os vídeos que ela posta, recentemente, está a defesa do Presidente, dizendo que as queimadas não são culpa dele. E sim, culpa dos índios mesmo, que muitas vezes, tem que limpar a terra para replantar.

Escancaradamente defensora do bolsonarismo, a índia defende a “política ambiental” do atual governo. E se ela a defende, também defende o desmatamento, o fim da demarcação de terras indígenas e  a expansão do agronegócio.

Em seu discurso na ONU, o Presidente citou o índio Raoni e disse que havia acabado o seu monopólio. E o que ele quis dizer foi: agora é a vez da índia Ysani Kalapalo, a índia de direita. Ou seja: esse é o governo sem ideologia!

O Cacique Raoni foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz 2020. A indicação se deve à dedicação que tem pelos direitos dos povos indígenas e a defesa da Amazônia, com projeção internacional. 

Enquanto isso, 16 representantes dos povos do Alto do Xingu (inclusive o povo Kalapalo) escreveram uma carta de repúdio[1] à representação indígena na comitiva presidencial.

Também há os indígenas que apoiam o governo atual, essa índia não é a única. Eles se intitulam “Agricultores indígenas”, principalmente no oeste do Mato Grosso: os povos paresis. Esses povos são produtores de soja. Isso explica muita coisa, não é mesmo? 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Colapso


Ainda no ano de 2018, enquanto a possível vitória de Jair Bolsonaro era somente rumores, cientistas políticos já previam uma possível crise na democracia.

Enquanto outros amenizavam esse tom apocalíptico, demonstrando, por A+B, que as democracias no mundo estavam em colapso e que não seria apenas o Brasil que se salvaria dessa crise democrática.

Vejamos...

A queda da democracia não acontece com militares sentando nas cadeiras do governo nas primeiras horas da madrugada. Isso foi antigamente e em muitos países.

Hoje em dia, ela acontece lentamente. Diminuem o poder das instituições, julgam os direitos humanos bobagem e a preservação do meio ambiente uma atitude insana. Como se proteger o meio ambiente fosse coisa de quem não quer o progresso.

Quando um governante defende a diminuição das liberdades civis e incita a violência, está cometendo duas atitudes típicas do esfacelamento da democracia.

No livro “Como as Democracias morrem”, os autores Steven Levitsky e Daniel Ziblatt dizem que para a democracia sobreviver, o governante deve respeitar o resultado das eleições, além de ter respeito à Constituição e equilíbrio dos poderes.

Já vimos declarações dos filhos do Presidente, em que isso não é respeitado: um diz “é fácil fechar o STF”, enquanto o outro diz:  “Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos...”

Alguns dizem: mas são os filhos.

Ora, o pai não fica atrás, quando atrela liberação de verba aos Estados nordestinos ao reconhecimento do seu governo. Ou seja, se os governadores falarem que estão trabalhando com o Presidente, daí a verba é liberada. Isso denota o espírito separatista e discriminatório.

Tudo isso sem falar no desprezo pela ciência. Porém, isso fica para outro post.

Adianto que a capacidade de refletirmos com ética está acabando e restará os desejos incontroláveis de que meninos usem azul e meninas, vermelho. Ou seja: a intolerância.

E intolerância não combina com democracia.




Observação: Em Patologia, dizemos que o colapso é como um estado de choque.
No sentido figurado, colapso significa aquilo que está desmoronando, em ruína, prestes a acabar.


domingo, 25 de agosto de 2019

Notre Dame não pode acabar. E a Amazônia?


Pelo menos em uma coisa temos de concordar: o desmatamento não começou na era Bolsonaro. Isso é verdade.

Temos de voltar muitos anos, na década de 1970, quando o governo militar criou o lema “integrar para não entregar”. Dessa forma, a ideia era povoar a região Norte com os homens do Nordeste que sofriam com a seca. Assim, os estrangeiros que estavam de olho na região amazônica não alcançariam nossas riquezas.

Para os novos moradores ganharem as terras, seria preciso botar a floresta abaixo e formar pastagens. Para garantir isso, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) adquiriu um novo sistema que começou a partir de 1988 a avaliar as taxas de desmatamento, verificando assim, se realmente estavam desmatando ou não para formar as pastagens.

Recentemente, as queimadas na Amazônia tomaram lugar em noticiários do mundo todo. E como toda questão contrária ao  desejo do atual presidente brasileiro, os bolsonaristas agora defendem o fim da Amazônia, só pra contrariar a opinião internacional e reafirmam que as queimadas já ocorrem há muitos anos e ninguém estava dando importância a isso.

Ora, não é porque o desmatamento ocorre há décadas, que vamos deixar de nos importar. Pelo contrário, a cada ano que passa fica mais evidente de como o ser humano sofre devido ao desmatamento. 

Sempre existiu o desmatamento, mas não incentivadas pelo presidente do país.

Trazendo para os dias atuais e levando em conta a estratégia bolsonarista de “estragar para não entregar”, conforme citou Claudio Angelo[1]. O atual presidente, ainda em campanha, defendeu o desmatamento e aumentar os garimpos a fim de estimular o crescimento econômico.

Na verdade, a maior parte do desmatamento que ocorre hoje na Amazônia é feita ilegalmente. Ou seja, não é computada no PIB nacional. Faz parte da grilagem e do crime organizado.

Então, por que acabar com a floresta Amazônica?

Quando os apaixonados por Bolsonaro dizem que o desmatamento não começou hoje, estão certos, realmente não começou. Porém, o atual presidente defende o desmatamento. E por isso a opinião pública atribui a ele o avanço da degradação da Amazônia.  Ele não está interessado em protege-la. Veremos em que resultará o seu discurso nacionalista: uma nação pobre em todos os sentidos: pobre em biodiversidade, pobre em riquezas naturais, pobre em ciência, pobre em valores e cultura (chega de índios, não é esse o discurso?)

Daí seremos apenas mais um país latino-americano, que não sabe aproveitar a riqueza que tem.

É isso o que queremos?

Acorda Brasil!

Ou vamos continuar chorando pelo incêndio na Notre Dame, o incêndio na Califórnia, enquanto nossos museus e florestas queimam?





Amazônia: região que pertence a nove países: Brasil (60%), Peru (13%), Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, com partes menores.



[1] Jornalista especializado em meio ambiente e autor do livro A Espiral da Morte: como a humanidade alterou a máquina do clima

quarta-feira, 17 de julho de 2019

“QUANDO VI TODO MUNDO NA RUA DE BLUSA AMARELA...”


Nessa semana andei limpando uns e-mails antigos.

Passei por um e-mail do grupo da Pós-Graduação e li uma discussão que se iniciou após a aula em que o professor falava do avanço da democracia e dos benefícios que ela traz. Alguns alunos achavam que poderiam mudar muita coisa no Brasil. Acreditavam em suas ideologias e na melhoria da vida do povo através da justiça.

E aí bateu aquela saudade.

Saudade desses jovens sonhadores. Sonhadores e realistas ao mesmo tempo. Jovens que buscavam, pela democracia, um futuro melhor para o país.

Saudades do tempo em que podíamos divergir da opinião de um amigo socialista, de direita ou comunista, igualmente, e não éramos rotulados nem excluídos da lista de amigos.

Esse ano era 2013.

E em 13 de junho, lembro que estava na aula de Fundamentos Teóricos da Ciência Política, discutindo o Estado e a Revolução, de Lenin, quando ouvimos as bombas nas ruas.

Os protestos começaram a partir do aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus. E a partir daí, os movimentos agregaram outras pautas.

E o grande Chico Buarque, com sua música “Pelas tabelas” invadiu minha mente nesse momento de nostalgia. Tantos sentimentos naquela época brotaram na população brasileira. E o que vemos hoje? Mudança? Corrupção zero? Melhores representantes no Congresso? No Planalto?

“Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela

Eu achei que era ela puxando o cordão”

 
Achei que era ela: a democracia.

 
Achei que ela vinha com força, levando multidões para as ruas. Lutando por melhores condições de vida e por políticos menos corruptos. Fazendo juz ao direito ao voto: saber escolher e saber cobrar.
 

“Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas

Eu pensei que era ela voltando”

Achei que ela, a democracia, enfim voltava ao seu curso.

E o que vejo hoje?

“Ando com minha cabeça já pelas tabelas”

Ministro do STF suspende investigação do caso COAF (aquele do Queiroz) a pedido do Deputado Flavio Bolsonaro.

“Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela”

Reforma da Previdência produzirá idosos mais pobres.

Ministério da Saúde suspende produção de 19 remédios gratuitos.

“Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas...”

Não ouço panelas.

Ainda há os que, com bom humor, dizem que as panelas sairiam do armário se aumentassem R$ 0,20 na passagem do ônibus. Porém, em relação a tudo o mais que acontece no país, não há protestos.

 
Seguimos.

Na democracia.

Pela democracia.

 
Eu pensei que era ela voltando”