quarta-feira, 17 de julho de 2019

“QUANDO VI TODO MUNDO NA RUA DE BLUSA AMARELA...”


Nessa semana andei limpando uns e-mails antigos.

Passei por um e-mail do grupo da Pós-Graduação e li uma discussão que se iniciou após a aula em que o professor falava do avanço da democracia e dos benefícios que ela traz. Alguns alunos achavam que poderiam mudar muita coisa no Brasil. Acreditavam em suas ideologias e na melhoria da vida do povo através da justiça.

E aí bateu aquela saudade.

Saudade desses jovens sonhadores. Sonhadores e realistas ao mesmo tempo. Jovens que buscavam, pela democracia, um futuro melhor para o país.

Saudades do tempo em que podíamos divergir da opinião de um amigo socialista, de direita ou comunista, igualmente, e não éramos rotulados nem excluídos da lista de amigos.

Esse ano era 2013.

E em 13 de junho, lembro que estava na aula de Fundamentos Teóricos da Ciência Política, discutindo o Estado e a Revolução, de Lenin, quando ouvimos as bombas nas ruas.

Os protestos começaram a partir do aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus. E a partir daí, os movimentos agregaram outras pautas.

E o grande Chico Buarque, com sua música “Pelas tabelas” invadiu minha mente nesse momento de nostalgia. Tantos sentimentos naquela época brotaram na população brasileira. E o que vemos hoje? Mudança? Corrupção zero? Melhores representantes no Congresso? No Planalto?

“Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela

Eu achei que era ela puxando o cordão”

 
Achei que era ela: a democracia.

 
Achei que ela vinha com força, levando multidões para as ruas. Lutando por melhores condições de vida e por políticos menos corruptos. Fazendo juz ao direito ao voto: saber escolher e saber cobrar.
 

“Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas

Eu pensei que era ela voltando”

Achei que ela, a democracia, enfim voltava ao seu curso.

E o que vejo hoje?

“Ando com minha cabeça já pelas tabelas”

Ministro do STF suspende investigação do caso COAF (aquele do Queiroz) a pedido do Deputado Flavio Bolsonaro.

“Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela”

Reforma da Previdência produzirá idosos mais pobres.

Ministério da Saúde suspende produção de 19 remédios gratuitos.

“Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas...”

Não ouço panelas.

Ainda há os que, com bom humor, dizem que as panelas sairiam do armário se aumentassem R$ 0,20 na passagem do ônibus. Porém, em relação a tudo o mais que acontece no país, não há protestos.

 
Seguimos.

Na democracia.

Pela democracia.

 
Eu pensei que era ela voltando”

 

 

quarta-feira, 10 de julho de 2019

INDÍCIOS FRÁGEIS



Não se trata de denegrir a imagem da Operação Lava Jato, afinal, foi através dela que muitos esquemas de corrupção vieram ao nosso conhecimento.

A questão central que todos (TODOS OS BRASILEIROS) deveriam centralizar é: Sérgio Moro atuou como promotor e juiz ao mesmo tempo.

Todos nós, se um dia precisarmos passar por um julgamento, seja qual for, presumiremos e gostaríamos muito que o juiz fosse imparcial.

Tanto Procurador quanto Juiz, alegam que seguiram a lei e que a veracidade das gravações não pode ser atestada. 

Ouvimos o Moro dizer que não reconhece as mensagens. Ao mesmo tempo, ele pediu desculpas ao Movimento Brasil Livre por tê-los chamado de tontos, nessas “supostas” mensagens.

Se ele não confirma que disse isso, então por que pedir desculpas?

Sem falar em pedidos que fazia à acusação para incluir provas no processo. Outro fato curioso é que Leo Pinheiro, da OAS, primeiro disse que Lula não era culpado. Depois, em outro depoimento, disse que Lula era o dono do tríplex.

Léo Pinheiro vinha há 1 ano contando a sua versão e a Operação Lava Jato não dava crédito para o que ele falava. Somente após ele incriminar o ex-presidente Lula, foi que a sua delação foi aceita. A partir daí, a pena de Léo Pinheiro foi reduzida para 10 anos e 8 meses (era 16 anos) , mas foi solto após 2 anos e 6 meses.

E ninguém acha isso estranho.

Como eu já disse em outros posts: não acho que Lula seja inocente. A Petrobrás estava abaixo de Lula e ele não sabia de nada. Porém, não considero que as provas inexistentes são consideradas justas para colocar ninguém na cadeia.

O Procurador escreveu: “Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis...”

Claro que há a ilegalidade na obtenção das mensagens, então que apurem quem invadiu os celulares e apurem também o conteúdo das gravações.

A Justiça, para Aristóteles, era uma virtude moral que leva o indivíduo a agir conforme a lei, garantindo isonomia.

O que vemos é que a imparcialidade foi deixada de lado e a justiça, que deveria trilhar um caminho reto e cego, caminha lado a lado com a política.

Em outras conversas, outros procuradores falam que Moro não escondia sua preferência partidário-ideológica e até eleitoral pelo candidato Bolsonaro, em suas redes sociais.

Não se faz justiça com política. A justiça é imparcial. Nem de direita. Nem de esquerda. Apenas o justo. O que passar disso, vira descrédito e afronta à democracia.