Nessa semana andei limpando uns e-mails antigos.
Passei por um e-mail do grupo da Pós-Graduação e li uma
discussão que se iniciou após a aula em que o professor falava do avanço da democracia
e dos benefícios que ela traz. Alguns alunos achavam que poderiam mudar muita
coisa no Brasil. Acreditavam em suas ideologias e na melhoria da vida do povo
através da justiça.
E aí bateu aquela saudade.
Saudade desses jovens sonhadores. Sonhadores e realistas ao
mesmo tempo. Jovens que buscavam, pela democracia, um futuro melhor para o
país.
Saudades do tempo em que podíamos divergir da opinião de um
amigo socialista, de direita ou comunista, igualmente, e não éramos rotulados
nem excluídos da lista de amigos.
Esse ano era 2013.
E em 13 de junho, lembro que estava na aula de Fundamentos
Teóricos da Ciência Política, discutindo o Estado e a Revolução, de Lenin, quando
ouvimos as bombas nas ruas.
Os protestos começaram a partir do aumento de R$ 0,20 na passagem
de ônibus. E a partir daí, os movimentos agregaram outras pautas.
E o grande Chico Buarque, com sua música “Pelas tabelas”
invadiu minha mente nesse momento de nostalgia. Tantos sentimentos naquela
época brotaram na população brasileira. E o que vemos hoje? Mudança? Corrupção
zero? Melhores representantes no Congresso? No Planalto?
“Quando vi todo mundo
na rua de blusa amarela
Eu achei que
era ela puxando o cordão”
“Quando ouvi
a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei
que era ela voltando”
Achei que ela, a democracia, enfim voltava ao seu curso.
E o que vejo hoje?
“Ando com minha cabeça já pelas tabelas”
Ministro do STF suspende investigação do caso COAF (aquele
do Queiroz) a pedido do Deputado Flavio Bolsonaro.
“Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela”
Reforma da Previdência produzirá idosos mais pobres.
Ministério da Saúde suspende produção de 19 remédios
gratuitos.
“Quando ouvi
a cidade de noite batendo as panelas...”
Não ouço
panelas.
Ainda há os
que, com bom humor, dizem que as panelas sairiam do armário se aumentassem R$
0,20 na passagem do ônibus. Porém, em relação a tudo o mais que acontece no
país, não há protestos.
Na
democracia.
Pela
democracia.
Eu pensei
que era ela voltando”