Desde o último dezembro, a Índia
está em confronto. Para quem não ouviu falar, já morreram, até o momento dessa
edição, 35 pessoas. E quanto aos feridos, já são quase 200.
E por quê?
Em dezembro do ano passado foi
assinada a lei que garante a cidadania aos refugiados hindus, budistas,
cristãos, parsis, jains e sikhs, exceto os muçulmanos. O autor da lei é o
próprio Primeiro Ministro, Narendra Modi, que está no poder desde 2014.
Ele sempre foi visto como um
líder controverso, que costuma polarizar e dividir as opiniões. Quando foi
eleito em 2014, foi visto pelo mercado como o “salvador” da Economia indiana.
O atual Presidente da Índia,
Modi, já foi parlamentar e governador. E quando foi governador num estado do
norte indiano, ocorreram confrontos semelhantes por motivos religiosos e cerca
de 800 muçulmanos morreram. Na época, em 2002, a Suprema Corte o absolveu.
Dessa vez, os protestos estão
intensos e o governo colocou a tropa de choque nas ruas, além de cortar a
internet para impedir a organização.
Modi alega que os refugiados fogem
de seus países justamente com medo dos muçulmanos e não podem viver tranquilos
na Índia se conviverem com outros muçulmanos. A Lei é tendenciosa, não há o que
alegar.
Porém, os muçulmanos ainda tem
uma chance de conseguir a cidadania indiana: basta comprovar que seus ancestrais
já estavam lá antes de 1971. Superfácil.
A medida do governo visa a criar
um estado teocrático. O que é isso? É quando um governo se submete às normas de
uma religião específica.
Em resumo, misturar a religião na
forma de governar não pode dar certo, dada a diversidade das pessoas no mundo atual.
O pior é que vários líderes
mundiais não se convencem disso. Antes, submetem o povo às piores situações em
prol de uma vontade sua.
Vejam aí o que um governante
eleito para ser o “salvador” está fazendo com seu país e com seu povo. Ou
melhor, com uma parcela do seu povo.