sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

SALVADOR DE UM GRUPO


Desde o último dezembro, a Índia está em confronto. Para quem não ouviu falar, já morreram, até o momento dessa edição, 35 pessoas. E quanto aos feridos, já são quase 200.

E por quê?

Em dezembro do ano passado foi assinada a lei que garante a cidadania aos refugiados hindus, budistas, cristãos, parsis, jains e sikhs, exceto os muçulmanos. O autor da lei é o próprio Primeiro Ministro, Narendra Modi, que está no poder desde 2014.

Ele sempre foi visto como um líder controverso, que costuma polarizar e dividir as opiniões. Quando foi eleito em 2014, foi visto pelo mercado como o “salvador” da Economia indiana.

O atual Presidente da Índia, Modi, já foi parlamentar e governador. E quando foi governador num estado do norte indiano, ocorreram confrontos semelhantes por motivos religiosos e cerca de 800 muçulmanos morreram. Na época, em 2002, a Suprema Corte o absolveu.

Dessa vez, os protestos estão intensos e o governo colocou a tropa de choque nas ruas, além de cortar a internet para impedir a organização.

Modi alega que os refugiados fogem de seus países justamente com medo dos muçulmanos e não podem viver tranquilos na Índia se conviverem com outros muçulmanos. A Lei é tendenciosa, não há o que alegar.

Porém, os muçulmanos ainda tem uma chance de conseguir a cidadania indiana: basta comprovar que seus ancestrais já estavam lá antes de 1971. Superfácil. 

A medida do governo visa a criar um estado teocrático. O que é isso? É quando um governo se submete às normas de uma religião específica.

Em resumo, misturar a religião na forma de governar não pode dar certo, dada a diversidade das pessoas no mundo atual.

O pior é que vários líderes mundiais não se convencem disso. Antes, submetem o povo às piores situações em prol de uma vontade sua.

Vejam aí o que um governante eleito para ser o “salvador” está fazendo com seu país e com seu povo. Ou melhor, com uma parcela do seu povo.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

A corrida

Um cenário indefinido para as próximas eleições para a Prefeitura de São Paulo.

Isso se deve tanto à doença do natural candidato à reeleição, quanto à pipocação de vários nomes interessados em disputar.

O atual partido do Presidente da República, o Aliança pelo Brasil, pode não estar apto até a data de registro das candidaturas, que é 15/08/2020.

Mesmo assim, muitos eleitores bolsonaristas seguem aguardando que seu líder indique um nome para votarem.

Alguns liberais já estão flertando com Bolsonaro: nomes como Andrea Matarazzo (PSD) e Arthur do Val (Patriotas). No PSDB, a atual notícia da doença do Prefeito o tornou mais conhecido. Infelizmente isso conta muito para o eleitorado: a imagem de um candidato que luta para viver, que é guerreiro e não se entrega fácil.

No PT, há forte pressão para Haddad concorrer, porém, outra ala acha que após ele ter ganho a visibilidade nacional, não seria prudente ser candidato (novamente) à Prefeitura de São Paulo. Até o momento, o PT tem seis pré-candidatos: Carlos Zarattini, Paulo Teixeira, Alexandre Padilha (ah não...denovo esse sem-sal!), Jilmar Tatto, Eduardo Suplicy (o retorno) e o vereador Nabil Bonduki. Essa briga não vai ser fácil. 

E não podemos esquecer da Deputada Federal Joice Hasselmann (PSL). Ela pode ter perdido uns votos bolsonaristas, mas ainda está na corrida.

Não podemos deixar de falar da Deputada Janaína Paschoal (PSL) que anda atacando seu ex-colega de partido, Bolsonaro, sempre que tem a oportunidade. A última foi a agressão verbal que ele proferiu contra uma jornalista. Sem dúvida, a Deputada Janaína já o criticou e está tentando, dessa maneira, ganhar a simpatia das eleitoras que repudiam tal conduta machista.

Cada um tenta de um lado, conquista segmentos da população, mas até as prévias dos partidos muita “briga” vai rolar. Alguns são só uns potrinhos, outros, já cavalos de raça, que talvez nem precisem brigar muito. De qualquer forma, quem chegar primeiro na maior economia do país, vai ter muito trabalho.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Alianças


Na Política sempre tem pão novo saindo do forno.

Por falar em pão, estava eu almoçando num restaurante nessa semana, quando ele entrou. Olhei nos olhos dele e pensei: parece meu primo, mas tá muito alto. Quem é ele mesmo? Durou só uns segundos até me lembrar do seu rosto e seu nome na última campanha presidencial: Guilherme Boulos.

Ele sentou-se com mais duas pessoas que o acompanhavam e começaram a conversar. Olhei e pensei: devem estar definindo estratégias para a campanha. Afinal, já se fala na chapa Boulos-Erundina pelo PSOL.

E juntamente com essa notícia, vem a outra (que foi amplamente divulgada nos meios de comunicação): a que Boulos é acusado, juntamente com os manifestantes do MTST de depredarem o famoso tríplex atribuído ao Lula, quando o ex-presidente foi preso em abril de 2018. Ele foi denunciado, por conta disso, pelo Ministério Público Federal no último dia 29 de janeiro (após quase 2 anos).

A coincidência é denunciarem somente agora: ano de eleição municipal, em que o menino terá sua imagem projetada.

E não haverá quem o veja num restaurante e pense muito para recordar seu nome. Ele será reconhecido instantaneamente.

O atual Prefeito, Bruno Covas, já percebeu há tempos que a esquerda tem grande chance entre os paulistanos. Tanto é que já afirmou que espera apoio dos partidos de esquerda para sua candidatura à reeleição.

Só para refrescar a memória: o prefeito tucano atacou duramente a esquerda durante sua campanha passada.

Parece que começaram os lances. E o vale-tudo nessas alianças: sem valores ou ideologias que as valham. Já que para muitos partidos, não há mais ideologia a ser conservada e a palavra Política parece perder sentido.

Vamos aguardar as negociações. Até Praça em nome de Marielle Franco o Prefeito de São Paulo autorizou. Vale tudo pra agradar a esquerda.



Recomendo que leiam o livro[1] do imortal Ignácio de Loyola Brandão, em que ele escreve em um trecho:
“a palavra político perdeu o sentido. Passou a ser sinônimo de sicofanta, ímprobo, desonesto, infame, pérfido, falso, mentiroso, sem moral e ética, corrupto, perjuro, mentiroso, bandalho, velhaco, biltre. Em seu lugar, deve ser utilizado o termo Astuto, com maiúscula, uma vez que para fazer leis é preciso sagacidade, juízo, engenho, esperteza, requinte, acuidade de visão, argúcia e acúmen. A palavra política pode ser escrita e dita quando significar ciência ou filosofia.”

Fica a reflexão.



[1] BRANDÃO, I. L. Desta terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sobra sobre ela. 1ª ed. São Paulo: Global, 2018.