Ultimamente
vimos e ouvimos explicações para a crise política e econômica repletas de
paixões. O que seria uma simples notícia torna-se uma justificativa ou acusação
de determinados partidos e políticos. As emoções transbordam e analistas chegam
a comparar a política com o futebol: coisa de apaixonados, que são capazes de
brigar e romper relações só porque seu amigo não torce pelo mesmo time. As
redes sociais viraram uma enorme sala de discussão, com direito a xingamentos e
insultos a jornalistas ou qualquer pessoa que exponha suas opiniões.
Nesse
momento muitos de vocês falam: “mas o leitor precisa de um formador de opinião,
alguém que abra sua mente e explique os fatos e as manobras políticas que estão
acontecendo. Chega de pessoas “em-cima-do-muro”. O povo deixa se levar pela
mídia, então, o lado que falar mais, convencerá o maior número de pessoas”.
Será mesmo que o leitor precisa disso? Ou precisa somente da notícia?
Muitas
vezes chega a ser tão explícita a preferência política de determinados canais
de televisão ou jornais, que noticiam alguns feitos de um governo e não os de
outros. Não chega a ser unânime, ainda bem, ainda há alguns meios isentos.
Poucos, mas há.
Querem
só um exemplo dessa balança viciada?
O
governo federal anunciou desde o dia 14/08 que não pagaria a metade do 13º
salário dos aposentados e pensionistas em setembro, como faz há 9 anos. Explicaram
que era devido à baixa arrecadação.
A
partir daí, choveram comentários a respeito da irresponsabilidade do
governo. Argumentavam que era mais uma
manobra para o governo ficar com o dinheiro do povo, enfim, aquela discussão de
fla-flu, como sempre.
A
oposição na Câmara disse que essa medida era mais um item do saco de maldades
da Presidência (Deputado Carlos Sampaio - PSDB). O Sindicato Nacional dos
Aposentados também entrou na briga, com uma ação no STF, alegando que os
aposentados teriam que honrar compromissos feitos confiantes nessa renda que
era certa desde 2006 e o governo não poderia, agora, quebrar o acordo.
Depois
de tentarem parcelar em 3 vezes o décimo terceiro, finalmente o governo
reconsiderou e disse que irá pagar a parcela como sempre foi, em setembro, porém
no fim do mês e não mais no início.
Agora
vamos para o outro prato da balança. Voltando uns dias no calendário e vemos
que o governo de São Paulo anunciou em 08/07/15 que não pagará os créditos da
nota fiscal paulista, como faz há 8 anos. Postergou o pagamento que sairia em
outubro desse ano para abril do ano que vem.
E
ainda alterou o percentual devolvido que chegava a ser de até 30% não passará
de 20%. Jogou um balde de água fria na população que aguardava uns trocos em
outubro.
Dentre
as consequências dessa mudança do governo, está a possível desconfiança da
população que poderá não mais exigir a nota fiscal. Esse aspecto vi e ouvi em alguns meios de
comunicação, porém, o fato de os contribuintes terem direito aos seus créditos
e terem compromissos a honrar com esses valores prometidos, não ouvi nem vi nas
notícias.
Sem
falar nas pessoas que utilizam os créditos para abater do IPVA. Se os valores
só serão repassados em abril de 2016, os proprietários terão de pagar do
próprio bolso.
Se
não bastasse isso, também as entidades que recebem doações desses valores dos
contribuintes que não querem, também irão ficar a ver navios.
Alguém
pode argumentar que a suspensão do 13º salário é muito mais grave do que os
poucos reais que a Nota fiscal paulista rende. Lá vem o fla-flu denovo! As duas
medidas tratam de adiamento de um direito. Só isso. Não quero saber qual o
partido no poder que adiou. Agora vejam qual governo reconsiderou. E qual ainda
nem pensou em voltar atrás.
Um
conselheiro do Tribunal de Contas de SP, senhor Antonio Roque Citadini,
classificou como calote, disse que o assunto é muito grave, mas só analisará
isso em 2016. E até lá nada será feito? O governo guardará o dinheiro dos
contribuintes no caixa e encerrará o ano com um valor maior do que o previsto.
Ajudem-me os entendidos: isso é pedalada fiscal? Não, não. Ou pedalada é outra
coisa: que só existe no governo federal?
O
problema maior disso tudo não são é o valor monetário desses direitos, mas sim
a maneira como tudo é abordado. A diferença no tratamento de questões muito
semelhantes, porém, em governos de partidos diferentes.
Agora me respondam: por onde anda essa tal da imparcialidade? Alguém a viu por aí?

