Essa manchete foi estampada em alguns jornais pelo mundo,
causando até estranheza a alguns por tamanha rapidez da justiça em um país da América
Latina.
Otto Pérez Molina, do Partido Patriota, ultranacionalista e
conservador, estava no poder desde 2012, foi acusado do desvio de milhares de
dólares do serviço alfandegário. Os produtos passavam pela alfândega isentos de
tributos, em troca de suborno às autoridades, repartido entre o alto escalão do
governo.
Foram revelados dados do esquema de corrupção por uma
comissão: a Comissão Internacional contra a Impunidade da Guatemala (CICIG),
vinculado à ONU e à justiça da Guatemala. A comissão já investigava há 18
meses.
Os protestos começaram em abril deste ano, quando foi
revelado o esquema. A população ia às ruas todos os sábados desde então,
pedindo a renúncia do presidente e sua vice, Roxana Baldetti. A vice renunciou
em maio e foi presa em agosto. Já o
presidente, só deixou o cargo na última quinta-feira, dia 03 e se apresentou
para a prisão preventiva que havia sido decretada naquele mesmo dia.
Ambos alegam inocência e dizem ser mais fácil comprovar a
inocência fora dos cargos. Há mandados de prisão também para o ex-secretário da vice-presidência
e cerca de 100 pessoas envolvidas no esquema ainda estão sob verificação dos
fatos. A Presidência foi assumida por Alejandro Maldonado, que havia
sido nomeado vice em maio deste ano.
Mais uma vez, as redes sociais contribuíram para o sucesso
dos protestos da população. Ocorriam todas as semanas, chegando a reunir cerca de
20 mil, outras vezes até 50 mil pessoas espalhadas por diversas cidades do país.
Na capital, Tegucigalpa, se aglomeravam em frente ao antigo palácio do governo, com tambores e apitos.
Mesmo após a renúncia, alguns eleitores alegam ter perdido a esperança nos
políticos. E a partir dessa desesperança, nos perguntamos: quem vem por aí?
As eleições estão marcadas para o dia 06, amanhã, pois o
mandato de Otto terminaria em dezembro de 2015. Lá não há reeleição. Os
candidatos são Baldizón (centro-direita), Sandra Torres (centro-esquerda) e
Alejandro Sinibaldi (era do Partido de Molina mas criou um novo partido):
Movimento Renovador, voltado à direita liberal.
Muitos guatemaltecos acreditam que a eleição futura será um
divisor de águas, pois criaram forças para lutar por mudanças e veem que o país
não será mais o mesmo. Acompanharemos aqui como será o desdobramento dessas
eleições e se, realmente, o país refletirá melhor os últimos acontecimentos e seu
poder de manifestação. Inclusive amanhã, durante as eleições, ainda podem
ocorrer protestos. Quem sabe?
E pensar que Molina ganhou as eleições passadas, baseado num discurso
com promessas de fim da corrupção.
Como deve ser triste viver num país assim, não é? Ainda bem
que vivemos num país diferente.
E como diriam o pessoal das redes sociais: #sóquenão

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