quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Ao Deus dará

“Nenhuma das tratativas atribuídas ao senador tem qualquer relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado. Por isso mesmo, o PT não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade”. Nota divulgada ontem pelo presidente nacional do Partido dos Trabalhadores-PT.

Enquanto isso, a direção estadual do PT de Mato Grosso do Sul, Estado natal do Senador Delcídio do Amaral, divulga nota de apoio ao parlamentar. Alguém se esqueceu de combinar.

Segundo Renan Calheiros, a posição do partido é “oportunista e covarde”.  Há quem defenda que a prisão do Senador poderia agravar ainda mais a situação política, desgastando a imagem da Presidente, mesmo ela não estando envolvida na trama.

Ouvi algumas pessoas dizerem que o partido jamais poderia escolher como líder do governo uma pessoa que afirmou ter ajudado várias pessoas a fugirem do país através desse mesmo esquema planejado para o Nestor Cerveró. Porém, como o partido saberia desse passado? Não estava no currículo.

Aliás, que currículo! Hábil negociador, porta-voz do governo dentro do Senado, o Senador Delcídio, ex-candidato a governador do Mato Grosso do Sul, por duas vezes derrotado, filiou-se ao PT em 2001, mas sempre teve bom relacionamento com os demais partidos, principalmente o PSDB. Ele chegou a se inscrever no PSDB, mas não foi oficializado. Entre 2000 e 2001 foi diretor na Petrobrás, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, conhecendo Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa (ambos presos na Operação Lava Jato). Presidiu a CPI dos Correios e atualmente era o relator do Projeto de lei (PLS 298/2015) que trata da repatriação de recursos não declarados do exterior. Com a aprovação do projeto, os brasileiros que tem contas no exterior terão de declarar os recursos e pagar tributos e multas. Isso traria muitos recursos para o país, que, diga-se de passagem, está precisando muito.

Enquanto outros defendem a posição do partido, pois caso apoiasse o filiado, o partido seria considerado cúmplice de toda a trama. Mas que dilema: apoiar ou não apoiar? O novo líder do governo será anunciado na próxima semana, mas já tem um interino.

E as demais pessoas citadas na gravação que levou à prisão do Senador? Os Ministros do STF Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Teori Zavascki, o vice-Presidente Michel Temer, todos afirmam não ter conversado com o líder do governo e nem sequer ter sido procurados. Restava alegarem que nem sabiam que existia um Senador chamado Delcídio do Amaral. Quem? Delcídio do que?

É...como diria aquela humorista Maria Clara Gueiros: “Vem cá, te conheço?”

Contam que em tempos antigos, os mendigos que pediam esmola recebiam a resposta daqueles que não queriam dar: “Deus dará!” E assim tornou-se uma expressão popular, que significa deixar sem amparo, ao descaso.


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