sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O Poder sem poder



Receio, receio muito o amanhã, caso prevaleça visão acomodadora, dando-se o certo pelo incerto, o dito pelo não dito.” Ministro Marco Aurélio Mello.

Ah, Excelentíssimo Senhor Ministro, nós já vimos o amanhã: os comentários tanto na opinião pública, quanto pelas ruas é o mesmo: a desmoralização do STF, o arranjo institucional, a troca de favores.

O STF não tira Renan Calheiros da Presidência do Senado e, em troca, o Senado retira o projeto que trata do abuso de autoridade de juízes. Parece tão claro, mas se é isso o que a gente enxerga, então é porque tem algo mais. Sempre tem algo que não vemos. Algo que só a justiça vê (mesmo com aquela venda nos olhos). 

No fim das contas, Renan está apto para exercer a Presidência do Senado, mas não está apto a exercer eventualmente a Presidência do Executivo.

Mais uma vez alteraram as regras já estabelecidas para evitar uma crise maior. Lembremos que ao julgar o impeachment de Dilma Rousseff, votaram pela permanência dos direitos políticos dela, ao invés de retirá-los como fez com Fernando Collor. Ou seja, quando é conveniente, as regras mudam para benefício do réu.

Em 125 anos desde a criação do STF, começam a vir a público lastimáveis decisões. O que antes era o orgulho dentro do Poder Judiciário, agora fica o descrédito.

Do modo que caminha o STF, o que poderemos esperar dos futuros julgamentos de políticos envolvidos na Operação Lava Jato? Um jeitinho pra cá, um jeitinho pra lá.

Este blog adverte o cidadão comum: não tente descumprir uma ordem judicial!


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

DÓRIA E TRUMP: OS APRENDIZES


A moda agora é ser governado por “não-políticos”? Por empresários?

Empresários prá lá de ricos: o bilionário Donald Trump (pela Revista Forbes, o patrimônio de Trump é superior a US$ 4,5 bilhões, mais ou menos R$ 12 bilhões). Enquanto João Dória declarou um patrimônio de quase 180 milhões de reais.

Com tanto dinheiro no bolso, os dois afirmam que doarão seus salários como governantes.  O presidente dos EUA recebe o equivalente a R$ 1,37 milhão e o prefeito paulistano embolsaria R$ 24,1 mil.

O estilo gestor de cada um revelou que grande parte dos eleitores acredita que para governar uma cidade ou um país basta saber gerir recursos, mesmo que não haja experiência com a “coisa pública”. Tudo é uma empresa. Uma grande empresa.  

A vida pública de muitos políticos tem se revelado manchada e de alguma forma, durante a campanha, essas manchas vão aparecendo.  Foi assim com Hilary Clinton, foi assim com os adversários de Dória. E quanto aos gestores? A experiência como administradores de grandes negócios não deixou “manchas”?

Os partidos apostaram que pessoas desconexas do mundo político teriam melhor resultado do que velhos cacifes dos partidos. Até nisso os dois eleitos tiveram em comum: dentro de seus partidos não tinham total apoio. Dória teve o padrinho Alckmin para defendê-lo nas prévias do PSDB e Trump derrotou outros pré-candidatos, sem falar em alguns que retiraram suas candidaturas dentro do Partido Republicano.

Assim sendo, a cidade de São Paulo e os Estados Unidos da América serão duas enormes empresas que ainda veremos se se recuperam ou se vão à falência. Tem muita gente otimista, acreditando que tudo vai melhorar. Porém ouço muitos comentários que enfatizam a possível piora e deterioração do patrimônio público: principalmente em São Paulo, visto que o mesmo partido administrará a cidade e o Estado.

Na pior das hipóteses, os eleitores terão de dizer aos governantes: “Você está demitido!”