segunda-feira, 25 de junho de 2018

Calculando o custo


Segundo a última pesquisa Datafolha, feita entre os dias 06 e 07 de junho, Lula aparece em 1º lugar quando colocado entre os candidatos.

Algumas alternativas ao seu nome, seriam o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, ou o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner.

Algumas pessoas acham que seria melhor o PT escolher logo um sucessor e partir pra cima. Já outros acham que somente o Lula deve ser o candidato, nem que ao fim do pleito, sua candidatura seja impugnada.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode impugnar uma candidatura durante todo o processo eleitoral. O partido ainda consegue registrar um novo candidato, caso a impugnação ocorra até 20 dias antes do primeiro turno. Mas, se o TSE decidir a menos de 20 dias para o primeiro turno, Lula não será o candidato e o PT estará fora do jogo.

Ainda temos de levar em conta o tempo que o partido perde em exposição: apesar de pensarmos que isso não é necessário para Lula, visto que ele é vastamente conhecido no país inteiro, o aparecimento do candidato na TV ainda é mais importante do que qualquer outra fonte de comunicação.

Se um partido escolhe um candidato pouco conhecido dos eleitores, precioso é o tempo pré-campanha, em que vários programas de radio/tv e internet sabatinam os pré-candidatos. E neste quesito, o PT está perdendo tempo.

Sabemos que a ausência de um líder como Lula, numa disputa presidencial, pode favorecer a extrema direita. O eleitor que busca alguém que represente a ascensão dos menos favorecidos e a melhor distribuição de renda, como ocorreu nos anos governados por Lula, não encontra substituto nas urnas. Com isso, pode pender para o extremo oposto. Principalmente, por considerar a corrupção impregnada em qualquer lado do poder: direita ou esquerda. Aqui recomendo a leitura do meu post: Direita e Esquerda: https://escrevendoapolitica.blogspot.com/2016/10/esquerda-e-direita.html

Toda ação ou a falta dela provoca um impacto. Em política, chamamos de custo político. Com certeza, o PT está avaliando esse custo e nós aqui, como muitos cientistas políticos, estamos chovendo no molhado.
Mesmo assim, digo: que isso só favorece a "direita" e acredito que seria melhor o PT definir logo outro candidato, caso não queira sumir das urnas no próximo pleito.



Para consulta:
http://datafolha.folha.uol.com.br/eleicoes/2018/06/1971537-sem-lula-bolsonaro-so-e-superado-por-brancos-e-nulos.shtml

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Falem bem ou falem mal, mas falem de mim


O ex-capitão do Exército, Jair Messias Bolsonaro, está na conversa de muitos brasileiros por aí. E sabem por quê?

Porque ele apostou e deu certo numa técnica que chamamos de rage marketing: a propaganda do ódio, ou da raiva e serve para alavancar marcas novas.

Você tem todo o direito de achar que isso não dá certo, mas basta ver o que ocorreu nos Estados Unidos: qual foi a propaganda que Donald Trump usou em sua campanha? Ele era conhecido nos Estados Unidos, mas não no resto do mundo. Parecia que ninguém gostava dele, no entanto, vejam onde ele chegou, atacando as minorias e soltando frases “politicamente incorretas”.

É a chamada mídia gratuita: falem bem ou falem mal, mas falem de mim.

Você deve estar se perguntando: “então o segredo é não espalhar?”

Entenda que aqueles que se definem como eleitores do Bolsonaro não mudarão de ideia só porque a mídia mostra o horror por trás de suas ideias.

As minorias que se sentem ofendidas com a doutrina que ele defende são os maiores propagadores de suas ideias, dando visão a um deputado que já está há 27 anos na Câmara sem grande visibilidade.

Bolsonaro tem algumas características que o favorecem, aos olhos de muitos eleitores: a autenticidade é a principal delas. A sensação que ele passa é que realmente fala o que pensa. O eleitor leva muito isso em consideração. Os brasileiros estão cansados dos mentirosos, de falsos discursos, daqueles que falam uma coisa, mas praticam outra.   

Depois de quase 13 anos de governo de esquerda, a tendência da população é seguir mais à direita. Isso ocorreu com alguns países, inclusive na nossa vizinha Argentina.

A situação econômica e institucional do Brasil leva os eleitores a acreditarem em candidatos com discursos extremos, que pregam o fim disso, a ruptura daquilo e tantas coisas absurdas aos nossos olhos, mas que na verdade, muitos gostariam que acontecesse.  Isso sem citar a pauta da segurança pública, agenda defendida pelo Deputado como primordial, visto a tamanha insegurança em que vivemos.

Apesar desses pontos favoráveis, outros fatores desfavorecem a sua candidatura. Entre eles, está o tamanho do partido, que o dá pouco tempo de exposição na TV durante a campanha, poucos recursos para os palanques pelo país. Também há o fato de ele ser uma pessoa com baixa capacidade de negociação, ou seja, estagnação no Congresso.

Meu leitor neste momento diz: ela falou da propaganda ruim e está fazendo o mesmo! Parece contraditório, não?

Só o estou fazendo para mostrar que o resultado das pesquisas eleitorais até o momento apontam que, sem Lula na disputa presidencial, o candidato Jair Bolsonaro aparece em 1º lugar, com 17% das intenções de voto. (Pesquisa Datafolha – 11 a 13 de abril de 2018).

Bem verdade é que Marina Silva (Rede) cola na segunda posição com 15%, porém, lembrem-se dos fatores que favorecem o candidato do PSL e atentem que a situação econômica não vai melhorar até outubro e que velhos conhecidos e velhos partidos, como Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) precisarão de um marketing muito mais efetivo do que o rage marketing.