Cada um de nós, nos últimos tempos, lemos e vimos,
principalmente nas redes sociais, ofensas, defesas de opiniões, críticas e
muita argumentação, de todos os lados da disputa.
Até ficarmos saturados.
Há os que bloquearam contatos, os que responderam
asperamente, os que xingaram, mas há aqueles que liam e simplesmente ignoravam.
Tudo para preservar as amizades. Afinal, as eleições passam, os políticos fazem
o mesmo de sempre e nossa vida tem que continuar, com nossos parentes e amigos,
sejam bolsonaristas, sejam petistas.
Não sou petista. Nunca fui. Eu apenas admirei e ainda admiro
aquele nordestino, que saiu de onde saiu para chegar ao posto mais alto da
República. Infelizmente, ele errou muito. Não sei se por indução, se por
ganância ou ingenuidade.
Ainda acho que o ditado popular que retrata muito bem as
atitudes do PT no poder é: “quem nunca come mel, quando come se lambuza”.
É assim que sou: critico quando acho que tem o que ser
criticado.
Infelizmente, Lula não merecia passar tanto tempo preso.
Pelo bem que fez ao país (ricos e pobres), pela comida que puderam comprar,
pela energia elétrica que chegou aos lugares mais afastados do Brasil, pelos
lucros que os banqueiros tiveram, pelos sonhos realizados dos jovens em fazer
um curso superior, enfim, por tudo o que ele pôs na prática, não merecia ficar
preso.
Porém, pelos seus erros, terá de pagar. E está pagando. Mesmo assim, ainda foi o melhor governo que o Brasil já teve. Basta você pesquisar e verá. Até pra você, de alguma forma, foi bom. Puxe pela memória.
Tudo foi deletado da maior parte da memória dos brasileiros.
O que vimos durante a campanha presidencial foi lamentável.
Tantas ofensas: nordestinos que são jumentos; os sulistas que são fascistas.
No fim das contas, nada disso é verdade. A única verdade é
que cada um vê o seu próprio bem estar, sem se preocupar com o próximo. Sempre
foi assim e sempre será. Exceto aqueles que receberam algum benefício mas mesmo
assim, votam contra as políticas públicas que o beneficiou.
E em 2019, caso as pesquisas de intenção de voto se
confirmem, teremos no Palácio do Planalto um fascista: preconceituoso, conservador,
racista, misógino, entre outros adjetivos.
Mas você, leitor e eleitor de Bolsonaro, não é fascista. E
eu não tento te convencer de que o é. Você terá dado um cheque em branco nas
mãos de um inadimplente. E o que ele pode fazer para prejudicar o pobre e o
trabalhador, ele fará, através de sua política suja (herdada de Temer).
E antes de chegar na metade do ano de 2019, muitos não se
lembrarão das coisas que defendia em Bolsonaro. Muitos sequer dirão que seu
voto na urna foi para o número 17.
Isso porque a vergonha e a revolta serão tantos, por não ter
ouvido seu amigo, ou seu parente.
E pensará em fazer algo, sair às ruas, vestidos de verde e
amarelo, com faixas nas mãos, com vuvuzelas, com cartazes, e aí, meu amigo
eleitor, poderá ser tarde demais. Ou, na pior das hipóteses, você será impedido
de se manifestar.
E se chegar a esse extremo, caro leitor, eu, provavelmente, também
não escreverei mais neste blog.
Como eu disse acima, não sou petista, mas sou a favor da
democracia.
Há quem diga que a verdadeira tortura é ver sua mãe na fila
do SUS morrendo. Concordo que isso também seja um tipo de sofrimento, a que o
Estado não deveria nos sujeitar.
Porém, a tortura a que todos nós nos referimos, é muito mais
profunda: é o fim da linha numa democracia.
No livro que estou
lendo, “1984”, escrito em 1949, George Orwell disse:
“Se é que há esperança, a esperança está nos proletas.”
Então, proletas, uni-vos a favor da vida.


