quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

A Revolta da vacina: uma história que se repete

 

Em 1904, Oswaldo Cruz[1] pressionou Rodrigues Alves[2] a convencer o Congresso para aprovação da Lei da Vacina[3]. E tornar a vacina contra a varíola obrigatória a todos os brasileiros.

Olavo Bilac[4] e Rui Barbosa[5] eram contrários à vacina, pois era contra à liberdade individual. Como assim não posso dizer “não quero a vacina?”

Então, quando foi aprovada a Lei, houve uma revolta, repleta de inquietações.

Assim como hoje, 116 anos depois, ouvimos pessoas falarem que não se sentem confortáveis em tomar uma vacina produzida em tão pouco tempo.

Outro dia ouvi as sábias palavras do meu pai que sugeriu a solução para esse impasse:

“Quem não quiser tomar a vacina, não toma! Será igual à votação. Votar é obrigatório, mas quem não vota nem justifica, não pode tomar posse em cargo público, não pode emitir passaporte, sem falar nos servidores que podem ter seu pagamento suspenso.”

Curioso notar que há países em que determinada vacina é obrigatória, por exemplo, a febre amarela. Muitos países da Ásia e África ainda exigem a carteira de vacinação para comprovar a imunização do viajante.

Imaginem o mundo pós-pandemia do Covid 19: qual país aceitará brasileiros não vacinados? Sabendo que no Brasil houve milhares de infectados e que a vacinação não foi abrangente, pense em como será o controle da Europa e Estados Unidos, por exemplo.

Com a Lei aprovada em 1904, somente os vacinados poderiam viajar, trabalhar registrado, ser matriculados em escolas e obter certidão de casamento. Vejam só.

A Revolta da Vacina, como ficou conhecida, resultou em tumultos, resultando em prisões e mortes.  Rodrigues Alves se viu obrigado a revogar a Lei e desistiu da obrigatoriedade.

E isso culminou numa perda de ambos os lados: os revoltosos sofreram tanto com as prisões e o governo, como com a varíola.

Somente em 1908, quando o surto de varíola assolou o Rio de Janeiro, a população correu para se vacinar.

Mas até aí, quantos fizeram parte do número dos mortos?

 



[1] Foi médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista.

[2] Foi Presidente do Brasil entre 1902 e 1906, além de governar o estado de São Paulo nos períodos de 1887-1888, 1900-1902, 1912-1916

[3] Lei nº 1.261, de 31/10/1904. Torna obrigatória em toda a República, a vacinação e a revacinação contra a varíola.

[4] Jornalista e cronista

[5] Jornalista. Diplomata, político

sábado, 28 de novembro de 2020

Alinhamento: mais um pouco para a esquerda, por favor!

 

Já faz uns anos que escutamos: o PT precisa se reinventar. E não poderia ser diferente agora que termina mais um período eleitoral.

Ao longo dos anos, desde que o PT lançou Lula como candidato à Presidência em 1989, o partido vem abandonando algumas bandeiras que defendia historicamente. 

Até 2002, muitos não percebiam as pequenas mudanças. Até que o PT assumiu o poder e começou a praticar políticas relativamente ortodoxas, com base em austeridade fiscal e estabilidade de preços. 

Ao longo dos anos, em diferentes países, os partidos de esquerda se transformam durante o exercício do poder.

Ainda mais desejosa de mudança ficou a população, após vários escândalos de corrupção.

E desde então, o PT vem diminuindo o número de seus apostadores.

Em algumas cidades brasileiras, o PT poderia ter apoiado outro partido de esquerda, ao invés de lançar candidato próprio, por exemplo São Paulo e Rio de Janeiro.

Em vez disso, lançou candidatos com rendimento pífio nas urnas. Vejamos o exemplo paulistano: o candidato Jilmar Tatto teve apenas 8,65% dos votos válidos, ficando na 6ª posição.

Um rendimento péssimo, como não visto desde 1988.Tatto reconheceu o apoio ao candidato Boulos (PSOL) a tempo para o segundo turno, alegando que a militância do PT irá ajudá-lo a vencer o pleito.

No exemplo carioca, a candidata Benedita da Silva saiu do primeiro turno com apenas 11,27% dos votos, no 4º lugar. 

Então você se pergunta: por que não juntaram as forças para o primeiro turno? Por que não fizeram essa aliança antes, convergindo a união da esquerda para muitos votos?

Desde 2012, o Partido dos Trabalhadores só vem encolhendo o número de prefeitos eleitos: Em 2012 foram 630 cidades; em 2016 caiu para 254 e em 2020 foram apenas 179.

O que seria reinventar o PT?

Trocar de nome, como fez o PMDB? Será que eles acham mesmo que MDB parece ser um partido mais confiável?

Uma coisa é certa: uma nova roupa para o partido é necessária e é urgente! Uma roupa costurada com ética e política.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Made in China

 

Há meses só se fala em uma coisa: vacina contra coronavírus.

E não poderia ser diferente. O mundo espera ansiosamente uma vacina. Os quase 8 bilhões de habitantes acompanham as pesquisas, notícias, conhecem as fases de desenvolvimento de vacinas, ou seja, tornaram-se especialistas em Imunologia e até discutem qual o melhor tipo: a vacina que usa o vírus inativado, ou se usam o RNA do vírus ou ainda um vetor viral.

Não importa como ela será feita, o que realmente queremos saber é: quando estará pronta e quão eficaz ela será.

Felizmente, temos esperança:  a CoronaVac, parceria entre o Instituto Butantan e a Sinovac Biotec, além de outras instituições. Essa vacina é conhecida popularmente pelo nome de “vacina chinesa”. 

Para quem não sabe, a China é o segundo país que mais investe em pesquisa. Perde apenas para os Estados Unidos. 

Então, usar essa desculpa de que “o que vem da China não presta" não cola, já que eles deixaram de ser um país voltado pra si mesmo e passaram a pesquisar para o mundo.

Ao contrário do que acontece por aqui ultimamente.

O Brasil a cada dia parece mais retrógrado. Não digo em relação à pesquisa, mas em relação a comportamentos nessa pandemia em comparação ao restante do mundo.

Quando alguém imaginou que, quando tivéssemos uma vacina para o coronavírus, isso não seria obrigatório para toda a população? Ainda que, no início, não haja vacina para todos e tenhamos que imunizar os grupos de risco, mesmo assim, o objetivo é que todos sejam vacinados.

Você, que me lê agora, tem certeza de que isso acontecerá no Brasil?

Estamos na torcida.

Além da CoronaVac, citada acima, temos a outra vacina em desenvolvimento: parceria entre a Universidade de Oxford e a Fundação Oswaldo Cruz.

Seja qual for a vacina, queremos tomá-la.

E queremos que o poder público a compre e a distribua gratuitamente para toda a população.

É dever do Estado.

Não só deve fornecer, mas também incentivar, fazer campanhas para que a taxa de cobertura seja a maior possível. Todos devem ser imunizados.

Os antivacinas vão reclamar, mas o que posso fazer? Se a minha saúde depende da sua vacinação?

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Passando a boiada

 

Lá se vão cerca de 3 milhões de hectares queimando no Pantanal.

Na Amazônia tem mais de 20 mil focos de incêndio, segundo o INPE.

Comparar o fogo que devasta a Califórnia com as queimadas no Pantanal e Amazônia não é coerente, pois não possuem a mesma origem.

A queimada no Pantanal não é devido ao tempo quente, mas sim, provocada pelo homem. E o que dizer, por coincidência, se os incêndios ocorrem em fazendas de agronegócio.

A floresta é úmida sim, mas em algumas regiões o desmatamento retirou essa característica e a cada vez, o fogo se alastra mais por essas regiões em que não há umidade.

A cada clareira nova que se abre, se torna mais vulnerável a incêndios criminosos.

De acordo com imagens de satélite, é possível confirmar que é ao redor das áreas desmatadas que surgem os focos de incêndio na Amazônia.

A atual política de NÃO fiscalização só torna mais fácil a atividade das queimadas e desmatamentos.  Seja no Pantanal, seja na Amazônia.

A fauna e a flora dessas regiões sofrem um dano irreversível. As diferentes espécies que vivem nesses biomas estão sendo dizimadas. Isso sem falar nas que já eram ameaçadas de extinção.

Uma grande perda.

Mas o Presidente do Brasil acha que isso tudo é invenção da oposição. Ele não disse que diminuiu a fiscalização ambiental ainda mais durante a pandemia para que a boiada passasse, não é mesmo?

A vergonha deixa de ser nacional e passa a ser internacional com o discurso de Bolsonaro na Convenção da ONU.

Aliás, nada de novidade. A cada discurso dele, uma ou várias inverdades.

Até quando?

E ainda ouvi hoje mesmo que para alguns de seus eleitores, isso não significa nada. O importante é que esse presidente não é corrupto.

Não é? Então tá. A coleção de bobagens que diz e faz não tem importância pra você?

Deixe a boiada passar.

 

domingo, 7 de junho de 2020

Meus dias na Coreia do Norte


Assim que coloquei os pés em território norte-coreano, revistaram minha mochila de um modo bem aterrorizante, nada gentil. Minha mala foi jogada e o cadeado arrebentado com um alicate enorme.

Tudo foi revirado e, claro, nenhum daqueles militares sequer devolveu minhas roupas para a mala.
Tudo bem até aí. Já haviam me alertado que tudo isso aconteceria ainda no aeroporto.

Mesmo assim, eu estava lá. E estava ansiosa para conhecer o país.

Ao chegar ao hotel, a ascensorista me disse num inglês perfeito: “Estamos numa epidemia de tuberculose. Tome cuidado. ”

E eu disse para ela que não tinha essa informação quando saí do meu país.

Ela disse: “Claro que não. Aqui eles escondem os números de mortos, mas já foram muitos. Eu mesma conheci cinco pessoas da mesma família que morreram dessa doença. ”

No dia seguinte, aqueles militares vieram me buscar para iniciarmos um tour pelos principais pontos turísticos.

E como já tinham me avisado: não pude filmar nada. E o final, ainda tive meu celular vasculhado, para confirmarem se realmente não fotografei ou filmei algo inapropriado.

Leia-se inapropriado: aquilo que o governo não quer que os outros saibam.

A vida é assim na Coreia do Norte. Talvez muitos de vocês já saibam disso.

O que vocês talvez não saibam é que nunca estive lá.

Apenas quis descrever aqui no blog como seria viver num país em que dados básicos de saúde são omitidos da população. Na verdade, qualquer dado que leve qualquer insatisfação à população.

Como já disse em outro post, a existência do vírus não é culpa de nenhum governante. Porém, a conduta que tal governante toma, determinará o número de infectados e mortos.

A omissão de dados durante crises não é ideia nova. No Brasil mesmo já houve, durante uma epidemia de meningite em 1975. A maquiagem feita no governo militar, objetivava esconder o número real de mortos, para não causar alarme. E isso acabou gerando mais mortes.

Sem a devida informação, as pessoas não podem se prevenir corretamente. Além disso, gera um sentimento de desconfiança do governo. E de todos.

Quantas vezes, você aí, não ouviu alguém dizer: “será que ele morreu mesmo de Covid 19?”

E navegando nesse mar de desinformação, os brasileiros vão saindo do confinamento, vão se reunindo em casas de amigos, vão para suas confraternizações, afinal, o número de infectados não está subindo, nem o número de mortos está aumentando.

É uma maravilha esse mundo cor de rosa, sem informações. Sem corrupção, sem hospital superfaturado, nada a ser questionado.

E se não há nada a ser questionado, não há motivos para protestos, para reivindicações.

Países governados por regimes autoritários costumam esconder dados.

Na Coreia do Norte não há manifestações. Afinal, tudo lá é tão certinho. Tudo é tão perfeito! Os militares cuidam do país com tanto zelo. Ai de quem discordar!

Já estamos alinhados com a Coreia do Norte e a Venezuela: ambos também não divulgam os dados sobre essa pandemia. Ou quando divulgam, como a Venezuela, diz que morreram apenas 10 pessoas no país inteiro.

É assim um governo autoritário.

Pra você que acha que é melhor mesmo não saber os números da pandemia, infelizmente, um dia a chega a contar ao próprio redor: ainda hoje contei 8 pessoas infectadas na rua que minha mãe mora. E já são 4 mortos na mesma rua.

Infelizmente, uma hora os números aparecem na sua cara.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

A CONTAMINAÇÃO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE







Nos 28 dias da gestão do Ministro Teich, houve bem menos coletivas falando com a população, em comparação com seu antecessor. Outra característica dele foi não defender o uso da Cloroquina como protocolo para tratamento de COVID 19 e não estimula o fim do isolamento.

Aliás, o ex-Ministro Teich pesquisou entre os Hospitais que utilizaram a Cloroquina, os resultados obtidos e ficou convencido de que não é viável a recomendação de seu uso. 

Há probabilidade do novo Ministro ser um General: Eduardo Pazuello, que já está respondendo pelo cargo interinamente. Ele compartilha das ideias com Bolsonaro. 

Além dele, a médica oncologista Nise Yamaguchi defende o uso da Cloroquina, ainda que em dose menor, segue alinhada com o pensamento presidencial.

Não podemos esquecer, ainda, do Deputado Osmar Terra. Esse reflete o desejo do Presidente a respeito de fazer a economia voltar a funcionar.

Será que somente eu acho estranho uma pessoa que não entende de medicação, de doenças, de pesquisas, interferir tanto no que é melhor para a saúde dos pacientes?

E em breve, já anunciado pelo Presidente da República, será alterado o protocolo, para que o médico que queira usar a Cloroquina, não seja punido por não estar aprovado no protocolo.

O Presidente já deixou bem claro que a sua vontade deve prevalecer. Talvez ele devesse assumir o cargo de Ministro da Saúde também. Assim, evitaria cerimonias de posse desnecessárias, coletivas de imprensa e outros desgastes.

Afinal, seja quem for que assumir a pasta, será apenas um boneco, sem exprssão e opinião, prevalecendo a lealdade ao Presidente.  

A conclusão a que chegamos é a contaminação de um governo que não admite ideias proprias de seus Ministros. Infelizmente, essa contaminação se alastra a quem não tomar os devidos cuidados. Fique atento com a intolerância. E jamais seja um Ministro da Saúde nesse desgoverno. 



  


domingo, 26 de abril de 2020

Um sujo e o outro mal-lavado


O Brasil segue perdendo.

Conforme conversei com algumas pessoas que votaram 17, em parte, querem que a justiça seja feita, doa a quem doer. Mesmo que isso signifique conhecermos a verdadeira face do ex-juiz Sergio Moro e os verdadeiros escrúpulos do presidente da República.

Outra parte, bem maior, alega que o ex-juiz está blefando. Na verdade, ele é o traidor que queria a cadeira no STF e como não conseguiu, resolveu desmoralizar o presidente.

Nesse momento, em que beiramos a um novo processo de impeachment, pergunto-me se agora, as pessoas de bem, as que votaram no 17 para acabar com a corrupção no país, será que irão votar: “Pela família, pela honestidade e pelos meus filhos, eu voto SIM.”

Aquela velha política, aquela que o candidato Bolsonaro tanto criticou, talvez essa o salvará do impeachment.

Os acordos com o centrão, mais favores para a direita, enfim, Bolsonaro precisará de muitos votos no Congresso para não sucumbir. Desse modo, ele pode enfraquecer Rodrigo Maia e se salvar da crise.
Em resumo, a velha política que muitos queriam mudar, sempre aí esteve.

Vamos ver como correrá esse processo. Será que o vice-Presidente assumirá? Para quem queria tanto os militares de volta, vai ser a glória! E para os que não querem, vai ser um golpe.

Para quem acha que retirar o Bolsonaro do poder vai representar uma justiça contra o acordão que fizeram com Supremo e tudo, esquece”. Isso não é justiça. Isso é apenas a roda gigante que não para.

A vida é assim: uma grande roda gigante que, hora você está lá em cima, e outra hora você está embaixo.

Justiça mesmo seria ver novamente a esperança no rosto das pessoas.  E isso é capaz de nunca mais vermos.

A cada dia que passa, os trabalhadores perdem seus direitos. Basta acompanhar o que está sendo feito no Congresso. E assim vamos: de impeachment a impeachment.

Como eu já escrevi em outro post, se gritar pega ladrão, não fica um!

domingo, 12 de abril de 2020

COMO ADQUIRIR IMUNIDADE CONTRA BOLSOMINIONS?



Assim como a vida dos habitantes do planeta Terra, a minha também mudou muito. Mudou tanto que, somente hoje fui capaz de escrever no Blog.

Nos últimos dias, além da preocupação natural com meus pais idosos, irmã com bronquite, teve também meu cunhado internado com sintomas de COVID19, outro amigo internado ainda, um conhecido falecido, enfim, uma soma de notícias que abalaram meu cotidiano.

Sei que para cada um de vocês também não está sendo fácil a vida em quarentena.

Quem poderia imaginar um 2020 tão conturbado?

Quem poderia imaginar que teríamos de lidar com sentimentos tão variados?

Quem poderia imaginar que haveria tantos brasileiros ignorando recomendações da OMS para não ir contra suas opções políticas?

Quando escrevo um texto para o Blog, geralmente, a inspiração vem de outros textos que leio ou de alguma frase que ouço e daí desencadeia minha linha de raciocínio.

Porém, nas últimas semanas, tenho ouvido e lido frases tão absurdas e estapafúrdias*, que meu raciocínio saiu da linha muitas vezes.

Porém hoje consegui volta-lo para a linha e aqui estou para dizer ao contrário de muitas pessoas por aí:

Não gosto do Governador de São Paulo, João Dória. Sequer votei nele.

Entretanto, não é por isso que irei sair da quarentena, como andam apregoando seus adversários. Não é por isso que vou sair por aí cumprimentando e beijando todo mundo como se estivesse em campanha eleitoral.

Ontem vi o cúmulo da burrice daqueles em carreata pedindo o fim da quarentena e xingando o Dória de comunista.

Oras, chamar João Dória de comunista é no mínimo uma idiotice. Aconselho que estudem mais o significado de comunismo, antes de rotular alguém.

Todos estão preocupados com a Economia mundial? Sem dúvida que estão.

Todos estão preocupados com a vida de seus entes queridos também.  

Como diriam os economistas, há de se fazer um tradeoff, ou seja, temos uma situação em que ao escolher uma alternativa econômica, acarretaremos numa piora na situação da saúde pública. Isso significa que somos obrigados a fazer uma escolha conscientes de que não serão resolvidos os dois problemas: saúde e economia.

Deixando esse economês de lado, é evidente que os empresários fiquem aflitos com suas empresas fechadas. Porém, o Brasil dos últimos tempos parece que só tem empresários!

Vi muito trabalhador defendendo a abertura do comércio e o retorno à vida normal, como se não houvesse um vírus espalhado pelo mundo. Quando se está preocupado com seu emprego, eu entendo, mas vi pessoas que nem trabalham e estão por aí posando de preocupados com a população pobre.

Fachada!

Diversos países comprovaram por A+B que o isolamento social retarda o contágio. Aqui no Brasil, como em outros países, não há leitos para tantos infectados. E esse é o motivo de precisarmos retardar a contaminação.

Para aqueles que dizem que tudo não passa de uma conspiração chinesa, eu ainda acrescento: vai ver que tudo isso foi para derrubar o Bolsonaro, além do Trump, do Putin, da Rainha Elizabeth, ou seja, devem ser alienígenas querendo dominar a Terra e lançaram esse vírus no mundo todo.

Para todos os demais: sensatos e conscientes do momento em que vivemos, eu digo: cuide-se! Além da recomendação para reforçar nossa imunidade com alimentação adequada, há de se fazer outra recomendação muito importante: fique imune aos bolsominions. Essa espécie dotada da incapacidade de ver o que é melhor para sua saúde e para a sua família.

Não se trata de escolha política. Se você acha o Presidente um mito, uma criatura capaz de conduzir o país, veja que na área da saúde, durante essa pandemia, ele tem se mostrado irresponsável ao incitar a população a quebrar a quarentena, criticando inclusive seu ministro da Saúde que segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

Devemos nos imunizar para saber ouvir e não nos contagiar com as atrocidades que falam.

Até o momento, 1.144 mortos no Brasil. No mundo, a soma atinge 113.266 mil. Isso é só uma gripezinha?

Reflitam e não queira ser laureado pela burrice.




Obs: Para quem não conhece os minions, eles são ajudantes do vilão para cumprir seus planos malvados.
Logo, por definição, os bolsominions são aqueles que defendem de maneira irrestrita (leia-se: cega) o atual Presidente.

*estapafúrdia: diz-se de pessoa ou coisa muito estranha; fora do comum; esquisito, esdrúxulo - Dicionário Aulete

terça-feira, 17 de março de 2020

Política e Saúde


O Ministério da Saúde, apesar de fazer parte de um governo que trata com descaso a ciência, vem demonstrando maturidade e seriedade em relação à pandemia do Coronavírus.

Nos Estados Unidos já houve cancelamento de shows; na França restringiram acesso ao Museu do Louvre que é o local francês que mais recebe visitas. Na Itália, nem se fala, algumas cidades parecem desabitadas, cidades fantasmas.

Isso demonstra a gravidade da situação e que os governantes do mundo todo adotaram medidas para barrar a propagação ainda maior.

Enquanto isso, o Presidente do Brasil acha que “tudo isso” é exagero da mídia. Os números atuais somam 6.513 mortos.

O Brasil começa com medidas de contenção do vírus. Já tive congresso cancelado, aulas na Universidade, show cancelado, enfim, algumas medidas necessárias devido a grande emergência. Sem falar que minha filha não pode beijar meus pais. Isso é triste!

Na Política, um surto dessa proporção deveria encorajar o governante a não temer e demonstrar sua força e capacidade de ação e digo mais: capacidade de acalmar a população.

Ao contrário do recomendado pela OMS, nosso Presidente foi à manifestação do último domingo, em Brasília, demonstrando seu “pouco-caso” diante do ambiente de crise de saúde pública.

Ele chegou até a colar o rosto com quem queria selfie, além de apertar a mão de vários manifestantes.
Não precisa ser infectologista para ver que a atitude dele foi inadequada. Ele desafia o bom senso. Se é que ele sabe o que é isso.

Enquanto isso, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, decretou estado de emergência na capital paulistana, suspendendo todos os eventos e fechando os espaços culturais, além de ordenar a higienização dos ônibus ao final de cada linha.

Quanto à economia, é prevista uma redução significativa, pois o comércio e serviços estão parando gradativamente. E muita gente só pensa na saúde financeira. A saúde das pessoas fica em segundo plano. 

O povo brasileiro conhecido por dar um “jeitinho” em tudo, precisa aprender a se colocar mais no lugar do outro. Um exemplo disso é o estoque dos materiais necessários a quem está infectado: as máscaras. Só é pra usar quem está infectado. E o que vemos hoje nas ruas? Muita gente usando sem necessidade. Isso vai acarretar na falta para quem realmente precisa.

E o álcool em gel? Alguns brasileiros que se dizem “espertinhos” estão estocando para revender pelo preço que quiser.

Isso não é atitude de um povo que pense no próximo.  Não mesmo.

O tamanho da epidemia no Brasil vai depender muito da atitude das pessoas. Tenhamos consciência coletiva e sobreviveremos para contar essa história.

E aí nossos filhos voltarão a beijar seus avós.


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

SALVADOR DE UM GRUPO


Desde o último dezembro, a Índia está em confronto. Para quem não ouviu falar, já morreram, até o momento dessa edição, 35 pessoas. E quanto aos feridos, já são quase 200.

E por quê?

Em dezembro do ano passado foi assinada a lei que garante a cidadania aos refugiados hindus, budistas, cristãos, parsis, jains e sikhs, exceto os muçulmanos. O autor da lei é o próprio Primeiro Ministro, Narendra Modi, que está no poder desde 2014.

Ele sempre foi visto como um líder controverso, que costuma polarizar e dividir as opiniões. Quando foi eleito em 2014, foi visto pelo mercado como o “salvador” da Economia indiana.

O atual Presidente da Índia, Modi, já foi parlamentar e governador. E quando foi governador num estado do norte indiano, ocorreram confrontos semelhantes por motivos religiosos e cerca de 800 muçulmanos morreram. Na época, em 2002, a Suprema Corte o absolveu.

Dessa vez, os protestos estão intensos e o governo colocou a tropa de choque nas ruas, além de cortar a internet para impedir a organização.

Modi alega que os refugiados fogem de seus países justamente com medo dos muçulmanos e não podem viver tranquilos na Índia se conviverem com outros muçulmanos. A Lei é tendenciosa, não há o que alegar.

Porém, os muçulmanos ainda tem uma chance de conseguir a cidadania indiana: basta comprovar que seus ancestrais já estavam lá antes de 1971. Superfácil. 

A medida do governo visa a criar um estado teocrático. O que é isso? É quando um governo se submete às normas de uma religião específica.

Em resumo, misturar a religião na forma de governar não pode dar certo, dada a diversidade das pessoas no mundo atual.

O pior é que vários líderes mundiais não se convencem disso. Antes, submetem o povo às piores situações em prol de uma vontade sua.

Vejam aí o que um governante eleito para ser o “salvador” está fazendo com seu país e com seu povo. Ou melhor, com uma parcela do seu povo.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

A corrida

Um cenário indefinido para as próximas eleições para a Prefeitura de São Paulo.

Isso se deve tanto à doença do natural candidato à reeleição, quanto à pipocação de vários nomes interessados em disputar.

O atual partido do Presidente da República, o Aliança pelo Brasil, pode não estar apto até a data de registro das candidaturas, que é 15/08/2020.

Mesmo assim, muitos eleitores bolsonaristas seguem aguardando que seu líder indique um nome para votarem.

Alguns liberais já estão flertando com Bolsonaro: nomes como Andrea Matarazzo (PSD) e Arthur do Val (Patriotas). No PSDB, a atual notícia da doença do Prefeito o tornou mais conhecido. Infelizmente isso conta muito para o eleitorado: a imagem de um candidato que luta para viver, que é guerreiro e não se entrega fácil.

No PT, há forte pressão para Haddad concorrer, porém, outra ala acha que após ele ter ganho a visibilidade nacional, não seria prudente ser candidato (novamente) à Prefeitura de São Paulo. Até o momento, o PT tem seis pré-candidatos: Carlos Zarattini, Paulo Teixeira, Alexandre Padilha (ah não...denovo esse sem-sal!), Jilmar Tatto, Eduardo Suplicy (o retorno) e o vereador Nabil Bonduki. Essa briga não vai ser fácil. 

E não podemos esquecer da Deputada Federal Joice Hasselmann (PSL). Ela pode ter perdido uns votos bolsonaristas, mas ainda está na corrida.

Não podemos deixar de falar da Deputada Janaína Paschoal (PSL) que anda atacando seu ex-colega de partido, Bolsonaro, sempre que tem a oportunidade. A última foi a agressão verbal que ele proferiu contra uma jornalista. Sem dúvida, a Deputada Janaína já o criticou e está tentando, dessa maneira, ganhar a simpatia das eleitoras que repudiam tal conduta machista.

Cada um tenta de um lado, conquista segmentos da população, mas até as prévias dos partidos muita “briga” vai rolar. Alguns são só uns potrinhos, outros, já cavalos de raça, que talvez nem precisem brigar muito. De qualquer forma, quem chegar primeiro na maior economia do país, vai ter muito trabalho.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Alianças


Na Política sempre tem pão novo saindo do forno.

Por falar em pão, estava eu almoçando num restaurante nessa semana, quando ele entrou. Olhei nos olhos dele e pensei: parece meu primo, mas tá muito alto. Quem é ele mesmo? Durou só uns segundos até me lembrar do seu rosto e seu nome na última campanha presidencial: Guilherme Boulos.

Ele sentou-se com mais duas pessoas que o acompanhavam e começaram a conversar. Olhei e pensei: devem estar definindo estratégias para a campanha. Afinal, já se fala na chapa Boulos-Erundina pelo PSOL.

E juntamente com essa notícia, vem a outra (que foi amplamente divulgada nos meios de comunicação): a que Boulos é acusado, juntamente com os manifestantes do MTST de depredarem o famoso tríplex atribuído ao Lula, quando o ex-presidente foi preso em abril de 2018. Ele foi denunciado, por conta disso, pelo Ministério Público Federal no último dia 29 de janeiro (após quase 2 anos).

A coincidência é denunciarem somente agora: ano de eleição municipal, em que o menino terá sua imagem projetada.

E não haverá quem o veja num restaurante e pense muito para recordar seu nome. Ele será reconhecido instantaneamente.

O atual Prefeito, Bruno Covas, já percebeu há tempos que a esquerda tem grande chance entre os paulistanos. Tanto é que já afirmou que espera apoio dos partidos de esquerda para sua candidatura à reeleição.

Só para refrescar a memória: o prefeito tucano atacou duramente a esquerda durante sua campanha passada.

Parece que começaram os lances. E o vale-tudo nessas alianças: sem valores ou ideologias que as valham. Já que para muitos partidos, não há mais ideologia a ser conservada e a palavra Política parece perder sentido.

Vamos aguardar as negociações. Até Praça em nome de Marielle Franco o Prefeito de São Paulo autorizou. Vale tudo pra agradar a esquerda.



Recomendo que leiam o livro[1] do imortal Ignácio de Loyola Brandão, em que ele escreve em um trecho:
“a palavra político perdeu o sentido. Passou a ser sinônimo de sicofanta, ímprobo, desonesto, infame, pérfido, falso, mentiroso, sem moral e ética, corrupto, perjuro, mentiroso, bandalho, velhaco, biltre. Em seu lugar, deve ser utilizado o termo Astuto, com maiúscula, uma vez que para fazer leis é preciso sagacidade, juízo, engenho, esperteza, requinte, acuidade de visão, argúcia e acúmen. A palavra política pode ser escrita e dita quando significar ciência ou filosofia.”

Fica a reflexão.



[1] BRANDÃO, I. L. Desta terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sobra sobre ela. 1ª ed. São Paulo: Global, 2018.






segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

PENSANDO FORA DO LUGAR-COMUM


As disciplinas de Sociologia e Filosofia foram incorporadas ao currículo do Ensino Médio em 2008, mas ainda há quem as veja como disciplinas menos importantes, como se fossem inúteis e abstratas.

E por serem vistas dessa maneira, sem o menor interesse, não correspondem ao real sentido dessas disciplinas para a vida humana.

Concordo que a Filosofia e a Sociologia não agradem a todos. Isso é normalmente aceito. Porém, temos de admitir que a “marginalização” que sofrem e sempre sofreram não é justa.

Afinal, para que servem?

A Sociologia tem um importante papel na educação, pois permite e estimula a “ação consciente e transformadora”, como disse Paulo Freire.[1]

Ainda nos anos 1960, o sociólogo Wrigt Mills[2] observou a Sociologia como uma prática criativa e definiu como “imaginação sociológica”. Isso seria como a capacidade de conectar situações da realidade com os diversos interesses que existem na sociedade. Ou seja, nada acontece por acaso na sociedade. O indivíduo passa a compreender temas públicos com maior amplitude.

Dessa forma, o aluno desenvolve a capacidade de problematizar o mundo a sua volta. Possui postura crítica e reflexiva. Ou seja, deixa de ser subserviente a tudo o que lhe impõem as outras pessoas (não só a mídia, como qualquer outro meio de informação).

A depreciação da Sociologia tem muito a ver com essa atitude reflexiva que ela promove nas pessoas. Nenhum governo quer seu povo crítico. Ninguém quer um povo que use lentes de interpretação da realidade e que pense em novas práticas sociais.

A Filosofia levanta muitas questões e não responde a nenhuma. Muitas pessoas podem afirmar isso, porém, filosofar é muito mais do que apenas saber o que os outros autores pensaram. É abrir possibilidades de elucidar os sentidos dessas questões.

O filósofo não é uma pessoa alienada que não se preocupa com a vida cotidiana. Muito pelo contrário: o filósofo está atento a tudo o que ocorre na sociedade.

Por isso, é tão importante a união dessas duas disciplinas no Ensino Médio: criar nos jovens o pensamento reflexivo e crítico de tudo o que há na sociedade. Ter consciência de que a mudança só ocorre quando há vontade e pensamento!






[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 41. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.
[2] MILLS, C. W. A imaginação sociológica. 5. ed. Rio de Janeiro. Zahar Editores, 1982.