domingo, 21 de outubro de 2018

Emoções eleitorais



Cada um de nós, nos últimos tempos, lemos e vimos, principalmente nas redes sociais, ofensas, defesas de opiniões, críticas e muita argumentação, de todos os lados da disputa.

Até ficarmos saturados.

Há os que bloquearam contatos, os que responderam asperamente, os que xingaram, mas há aqueles que liam e simplesmente ignoravam. Tudo para preservar as amizades. Afinal, as eleições passam, os políticos fazem o mesmo de sempre e nossa vida tem que continuar, com nossos parentes e amigos, sejam bolsonaristas, sejam petistas.

Não sou petista. Nunca fui. Eu apenas admirei e ainda admiro aquele nordestino, que saiu de onde saiu para chegar ao posto mais alto da República. Infelizmente, ele errou muito. Não sei se por indução, se por ganância ou ingenuidade.

Ainda acho que o ditado popular que retrata muito bem as atitudes do PT no poder é: “quem nunca come mel, quando come se lambuza”.

É assim que sou: critico quando acho que tem o que ser criticado.

Infelizmente, Lula não merecia passar tanto tempo preso. Pelo bem que fez ao país (ricos e pobres), pela comida que puderam comprar, pela energia elétrica que chegou aos lugares mais afastados do Brasil, pelos lucros que os banqueiros tiveram, pelos sonhos realizados dos jovens em fazer um curso superior, enfim, por tudo o que ele pôs na prática, não merecia ficar preso.

Porém, pelos seus erros, terá de pagar. E está pagando. Mesmo assim, ainda foi o melhor governo que o Brasil já teve. Basta você pesquisar e verá. Até pra você, de alguma forma, foi bom. Puxe pela memória.

Tudo foi deletado da maior parte da memória dos brasileiros. 

O que vimos durante a campanha presidencial foi lamentável. Tantas ofensas: nordestinos que são jumentos; os sulistas que são fascistas.

No fim das contas, nada disso é verdade. A única verdade é que cada um vê o seu próprio bem estar, sem se preocupar com o próximo. Sempre foi assim e sempre será. Exceto aqueles que receberam algum benefício mas mesmo assim, votam contra as políticas públicas que o beneficiou.

E em 2019, caso as pesquisas de intenção de voto se confirmem, teremos no Palácio do Planalto um fascista: preconceituoso, conservador, racista, misógino, entre outros adjetivos.

Mas você, leitor e eleitor de Bolsonaro, não é fascista. E eu não tento te convencer de que o é. Você terá dado um cheque em branco nas mãos de um inadimplente. E o que ele pode fazer para prejudicar o pobre e o trabalhador, ele fará, através de sua política suja (herdada de Temer).

E antes de chegar na metade do ano de 2019, muitos não se lembrarão das coisas que defendia em Bolsonaro. Muitos sequer dirão que seu voto na urna foi para o número 17.

Isso porque a vergonha e a revolta serão tantos, por não ter ouvido seu amigo, ou seu parente.
E pensará em fazer algo, sair às ruas, vestidos de verde e amarelo, com faixas nas mãos, com vuvuzelas, com cartazes, e aí, meu amigo eleitor, poderá ser tarde demais. Ou, na pior das hipóteses, você será impedido de se manifestar.

E se chegar a esse extremo, caro leitor, eu, provavelmente, também não escreverei mais neste blog.
Como eu disse acima, não sou petista, mas sou a favor da democracia.

Há quem diga que a verdadeira tortura é ver sua mãe na fila do SUS morrendo. Concordo que isso também seja um tipo de sofrimento, a que o Estado não deveria nos sujeitar.

Porém, a tortura a que todos nós nos referimos, é muito mais profunda: é o fim da linha numa democracia.

 No livro que estou lendo, “1984”, escrito em 1949, George Orwell disse:

“Se é que há esperança, a esperança está nos proletas.”

Então, proletas, uni-vos a favor da vida.


domingo, 7 de outubro de 2018

Uma alma que se converte

Conforme comentei no último post, não entendo pobre votar na repressão e num defensor da tortura.

Daí ontem, falei pro meu pai: "o senhor vote em quiser, mas pense bem no futuro dos seus netos"

Hoje fui votar. Como disse alguém: "uma festa da democracia se tornou uma luta por ela."

E ainda hoje soube que meu pai desistiu do voto. Também não votou no PT, como antipetista desde menino, jamais faria isso. Entendo e compreendo. Afinal, há mais opções. Ele simplesmente abdicou do seu voto, já que lhe é facultativo pela idade.

E me pergunto: o que o fez mudar de ideia? Ele estava e ainda está tão preocupado com a insegurança que seu bairro vive. Ele tinha esperança de que o defensor da tortura iria ajudar seu bairro?

Provavelmente o que o fez mudar de ideia foi o "pensar em sua família", os ainda pequenos, que viverão nesse país. E qual será o futuro desse país? Provavelmente isso o fez mudar de ideia.

E que assim seja, com alguns abençoados que ouviram seus amigos e familiares.

Aos que não mudaram seus votos, lamento que sua esperança torne o Brasil um péssimo lugar para se viver e que aprendam, da pior forma possível, que seu voto vale muito para uma nação.

Por uma alma que se converte, já valeu muito a pena.

E digo pena como Machado de Assis: a pena que escreve. 
Por tudo o que escrevi, já valeu a pena.

A esperança ainda vive.



segunda-feira, 1 de outubro de 2018

MUITOS MOTIVOS

Conheço muita gente que vai votar no Bolsonaro.
Conheço uma pessoa que vai votar na Marina.
Conheço alguns que vão votar no Alckmin.
Conheço uma pessoa que vai votar no Amoedo.
Conheço muitas que vão votar no PT.
E conheço muitos que repudiam o PT, inclusive o meu pai.
Não sei o porquê de tanto ódio contra o PT. Digo isso, analisando o meu pai.
Meu pai, um nordestino que sobreviveu na cidade grande de São Paulo.
Um nordestino, que viu os parentes da minha mãe melhorarem um pouco de vida lá no Nordeste nos anos do governo Lula.
Um nordestino, que viu sua filha, que sempre estudou em escola pública, conseguir uma vaga na maior Universidade do país: e pública.
Enfim, um aposentado, que na verdade, não vê sua aposentadoria crescer nos mesmos índices que o salário mínimo, porém, vê quem ganha pouco se beneficiar com essa política do salário mínimo, iniciada no governo Lula.
Eu tenho mil motivos para não votar no PT, entre eles a corrupção. E diria mais: a corrupção que os outros partidos souberam fazer tão bem, há anos. O PT não soube fazer.
A única coisa que ele soube fazer foi melhorar a miséria do país.
Muitos não conhecem essa palavra. Muitos que saem na rua para pedir impeachment ou a volta da ditadura, não sabe o que é miséria.
Sou da opinião que não precisamos saber o que é fome, pra poder ajudar a quem passa fome.
Então, quando vejo os dados (sérios) do período Lula, me pergunto: por que as pessoas não acreditam que o governo Lula foi o melhor que tivemos?
Por que a população não fica indignada quando há corrupção que desvia rios de dinheiro que seriam gastos com saúde? com merenda escolar? quantos remédios que estragam em estoques, que são desviados para outras finalidades? quando tanta gente precisa de ajuda?
Onde está a população que não vai para a rua protestar contra tudo isso? Contra a escassez de água em São Paulo? Um estado tão rico que deixa de investir no necessário básico?
Eu tenho mil motivos para não votar em comete crimes de corrupção, mas tenho mil e um motivos para votar em quem deixa meu país menos pobre, com mais esperança de um amanhã melhor.
Não quero ter que me calar amanhã, por viver numa constante censura.
Não quero que minha filha tenha um amanhã incerto e que talvez saia do país, por não encontrar aqui a oportunidade que seus pais tiveram.
Não quero ver os aposentados inventarem maneiras de ganhar o sustento, por não ter mais direito a uma remuneração digna de todo o trabalho que desempenharam por anos.
A liberdade de escolha é a única coisa que temos. E se soubermos usar, ainda dá tempo de recuperar o tempo perdido.
Concordo que Dilma foi um grande erro.
Talvez o Haddad também seja num futuro, mas só saberemos se apostarmos todas as fichas.
O que não posso concordar é com o fascismo. E o pior: a ignorância ou ingenuidade dessas pessoas (tantas) que acham que o primeiro colocado nas pesquisas irá melhorar os índices do Brasil. Tais pessoas acham que jamais o "coiso" irá instaurar uma ditadura no país ou acabar com os direitos já adquiridos.
Quando eu estava na faculdade, lembro de ter visto pesquisas do DIEESE, do IPEA, de institutos confiáveis e sérios, que mostravam a melhora significativa do Brasil nos anos do governo Lula. Será que nada disso importa para os brasileiros?
Até os ricos melhoraram: por que esses mesmos hoje se mostram contrários ao progresso do país?
Abaixo selecionei alguns gráficos que mostram bem isso. Todos disponíveis no endereço eletrônico:


SALÁRIO MÍNIMO



DESEMPREGO

Em relação ao desemprego, nota-se uma piora a partir do ano 2015, sendo que o principal motivo foi o excesso de confiança ao exportar nos anos de prosperidade e deixou o país com fraca produtividade, segundo a OIT - Organização Internacional do Trabalho.

POBREZA


É disso que eu falo. Difícil para a elite entender. Quer dizer, não é só a elite que não entende. E isso é o que me deixa mais preocupada: é o assalariado. É meu próprio pai. São pessoas estudadas, que leem, que interpretam gráficos, que não concordam que o governo Lula foi o melhor que o Brasil já teve.

Quem tiver curiosidade em mais gráficos, acesse o link acima e o link abaixo do IPEA, mais abrangente:


http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/politicas_sociais/bps_20_completo.pdf








quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O JOGO SÓ ACABA QUANDO TERMINA


Como eu terminei o post anterior, muita coisa pode acontecer ainda até as eleições.

E está acontecendo: o cenário mudou após a entrada definitiva de Haddad na campanha.

Ciro Gomes ficou para trás, sem crescimento em relação à pesquisa anterior. Alckmin não sai de um dígito. Marina? Alguém viu? Está em queda.

Enquanto isso, apenas o candidato do PT cresceu 3 pontos.

Como não podemos ignorar, os índices de rejeição dizem muito sobre a opinião do eleitor e podem decidir essa eleição: Bolsonaro ainda tem 46% de eleitores que não votariam nele de jeito nenhum. Sei que muitos de nós, em nossos círculos de amizade, ouvimos alguém dizer que vai votar em Bolsonaro. A partir daí, passamos a duvidar das pesquisas que apontam a elevada rejeição para ele.

Porém, eu acredito nas pesquisas e também acredito que essa rejeição é que não dará a vitória para ele, ainda mais se for para segundo turno.

Não, não estou louca. Não acreditem fielmente que Bolsonaro irá para segundo turno. Isso ainda não é uma certeza plena.

A rejeição ao PT também é bem grande: nessa pesquisa do IBOPE aponta que 30% não votaria em Haddad. Aliás, a rejeição dele só vem aumentando.

Ciro ainda é o candidato que tem a menor rejeição (18%): continuo batendo nessa tecla, como no post anterior.

A rejeição ao Alckmin está em 24%, mas quando recortamos por Estado, esse percentual sobe para 30% em São Paulo. Importante avaliarmos isso, pois é o Estado que ele governou por 14 anos. Por que os paulistas o rejeitam?

Tempo de exposição na mídia não foi tão relevante nessas eleições, pois o candidato do PSDB não decola, embora tenha o maior tempo de TV.

Algumas pessoas perguntam para mim se agora acredito que o Haddad vai ganhar.



Bem, acredito que ele irá para segundo turno, pois está ainda numa curva ascendente. E isso aparecerá nas próximas pesquisas. Porém, ainda tenho dúvidas quanto ao candidato Bolsonaro. Tudo devido a seu alto índice de rejeição. Pode surgir uma surpresa e ele não ir para o segundo turno.

Sei que muitos dos meus leitores já viram, mas para ilustrar tudo o que disse, coloquei abaixo o gráfico resumo das últimas pesquisas do IBOPE.


            Fonte: Pesquisas IBOPE: 20/08, 04/09, 11/09, 18/09 e 24/09.

Sabe aquela célebre frase? "O jogo só acaba quando termina."

Bem assim.
Vamos dar nosso voto de maneira consciente, sabendo as implicações que isso terá para nossas vidas.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Um cara sem destaque e sem ideologia


Na primeira pesquisa realizada sem o nome do ex-Presidente Lula como opção, Ciro sobe 3 pontos percentuais na pesquisa IBOPE.

Cheguei a falar: esse cara vai ganhar.

E disse isso não porque torço por ele, ou por ser sua eleitora, mas porque é uma tendência que a pesquisa mostra.

Baseada em que afirmo isso?

Ciro tem baixa rejeição (20%) em relação ao primeiro colocado: Bolsonaro tem 49% de rejeição. Marina tem rejeição de 26% e nas duas últimas pesquisas permaneceu com 12%. Alckmin cresceu 2%, mas está sendo muito questionado pelo que fez em São Paulo, ou deixou de fazer, com rejeição de 22%.

Ao começar a propaganda eleitoral gratuita na TV e rádio, as pessoas passam a conhecer melhor os candidatos, fazendo com que os índices de rejeição aumentem. É o que vamos ver daqui para frente.

Verdade é que muitas coisas podem mudar até o dia 07 de outubro e Bolsonaro e Haddad podem seguir para o segundo turno. E caso isso aconteça, a pesquisa mostra que o ex-capitão ganha, apesar da grande resistência feminina. (Nota: o eleitorado feminino equivale a 53% do total nacional)

Até essa certeza pode variar: a transferência de votos de Lula para Haddad segue uma incógnita: muitos votam na pessoa Lula e não tem fidelidade ao Partido dos Trabalhadores. Outros vêem o PDT, de Ciro Gomes, como melhor alternativa ao PT, do que arriscar em Haddad e esse se tornar uma “Dilma”, que contrariava algumas decisões do partido.

Trata-se de uma característica psicossociológica do eleitorado: votam baseados em sua experiência com candidatos do mesmo partido, com situações semelhantes em que o ex-Presidente Lula indica um candidato como seu sucessor de confiança.

Sempre haverá o voto útil: que leva o eleitor a votar no candidato “menos pior”: ele não quer um extremista que quer armar a população, mas também não quer um Presidente que privatize tudo ou outro que esqueça a redistribuição de renda. 

Veremos se isso se fundamenta ou não. Outras pesquisas serão feitas até o pleito e o cenário pode mudar, mas a tendência que temos hoje é a vitória do pedetista: um cara sem expressão, como dirá alguns, um político que passou por vários partidos, de diferentes ideologias, que diz que Deus é bom e o Diabo não é ruim.
Vai vendo.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

RUMO AO BANDEIRANTES


Será verdade que o público de SP só conhece dois partidos: o PT e o que não é PT?

O atual governador de São Paulo e candidato à reeleição Marcio França está apostando nisso.
Disse que o PT nunca chegará ao Palácio dos Bandeirantes, pois os eleitores paulistas tem grande rejeição ao Partido dos Trabalhadores.

Sendo assim, o seu partido PSB está confiante de ir ao 2º turno com seu adversário João Dória (PSDB). E aposta que a rejeição à Dória cresça no restante do Estado, assim como está subindo na capital: 35%.

O eleitorado na capital de São Paulo corresponde a 27% do Estado.

A pesquisa IBOPE de hoje, 21/08/2018, revelou uma aprovação do governo França em 14% de ótimo e bom; 35% de regular; 29% de ruim e péssimo, enquanto 22% não souberam avaliar.

Levando em consideração a pesquisa IBOPE anterior, de 04/08/2018, o percentual de ótimo e bom era 11% e o ruim e péssimo era de 30%. E o que isso significa? O governo de São Paulo melhorou?
Isso significa que as pessoas estão mais atentas à administração dos candidatos à reeleição, a medida que que se aproxima a eleição.

Quanto às intenções de voto para o governo: Dória tem 20%; seguido por Skaf (MDB) com 18% e França com 5% e Marinho (PT) com 4%.

Não podemos esquecer que os eleitores da capital tem muitos motivos para rejeitar um governo de Dória. Isso vai muito além da falta de sinceridade dele ao admitir que não sairia da Prefeitura. Isso tem a ver com sua gestão.  Porém, isso é assunto para um post especial: o  próximo.

Continuemos nosso trabalho: avaliando o que fizeram enquanto estiveram no poder: Dória, França, Marinho (na Prefeitura de São Bernardo do Campo por dois mandatos: de 2009 a 2017). E aqueles que nunca foram prefeitos ou governadores, temos de pesquisar.

Eu mesma tenho uma amiga que trabalha no SESC. Quando pergunto a ela se vai votar no Skaf, ela diz: “Nunca!”

Vale a pena pesquisar pra votar naquele que realmente trabalha pelo bem da população e dos seus servidores. E então poderemos responder após as eleições se a população de São Paulo só conhece dois partidos.





·                   Pesquisa IBOPE realizada entre os dias 17 e 19 de agosto de 2018. Registro no TSE: BR-05723/2018



domingo, 15 de julho de 2018

A CAMINHO DA PRIVADA


Infelizmente, um tema está recorrente na minha cabeça ultimamente: privatização. Quem trabalha comigo, sabe o porquê.

Todo o investimento público entregue nas mãos de uma ou várias empresas privadas.

Quando eu estava no cursinho, ouvia meu professor de geopolítica dizer que privatização era coisa de governo liberal. E que o liberalismo era coisa de direita. Será que ainda é assim? Ou será que algum dia foi assim?

O PT, quando no governo federal, também privatizou. Podemos citar apenas os 5 aeroportos privatizados no governo Dilma. Um bom negócio para o governo?

E o que o PSDB vem fazendo no governo de São Paulo nas últimas décadas?

Não foi à toa que o ex-governador Geraldo Alckmin, todo sorridente, bateu o martelo no leilão da concessão das linhas 5-Lilás e 17-Ouro. O grupo vencedor, CCR, velho conhecido do Estado de São Paulo, arrematou pelo valor equivalente a 7,9% do total investido pelo governo paulista. Privado.

Com isso, já somam 3 linhas operadas pelo grupo CCR: juntando a linha 4-Amarela. Um bom começo. Depois serão outras linhas, os prédios administrativos, tudo sob concessão, e em poucos anos a população terá o grande grupo CCR administrando tudo que o governo construiu. Todo o investimento público indo parar nas mãos de um consórcio.

Como dizem por aí: a prática de mercado é quem comanda tudo.

Quem trabalha numa dessas empresas a ser privatizada, e acha que estará a salvo no caso de uma privatização, engana-se.

Primeiro, criam um plano de negócios, implantam um sistema gerencial “de mercado”, compram as ações de pessoas físicas, depois criam os CSC-Centro de Serviços Compartilhados e depois de outras etapas, tchau tchau.

O caminho é a privada mesmo!!! O trocadilho do título deste post não foi escolhido à toa.



segunda-feira, 25 de junho de 2018

Calculando o custo


Segundo a última pesquisa Datafolha, feita entre os dias 06 e 07 de junho, Lula aparece em 1º lugar quando colocado entre os candidatos.

Algumas alternativas ao seu nome, seriam o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, ou o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner.

Algumas pessoas acham que seria melhor o PT escolher logo um sucessor e partir pra cima. Já outros acham que somente o Lula deve ser o candidato, nem que ao fim do pleito, sua candidatura seja impugnada.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode impugnar uma candidatura durante todo o processo eleitoral. O partido ainda consegue registrar um novo candidato, caso a impugnação ocorra até 20 dias antes do primeiro turno. Mas, se o TSE decidir a menos de 20 dias para o primeiro turno, Lula não será o candidato e o PT estará fora do jogo.

Ainda temos de levar em conta o tempo que o partido perde em exposição: apesar de pensarmos que isso não é necessário para Lula, visto que ele é vastamente conhecido no país inteiro, o aparecimento do candidato na TV ainda é mais importante do que qualquer outra fonte de comunicação.

Se um partido escolhe um candidato pouco conhecido dos eleitores, precioso é o tempo pré-campanha, em que vários programas de radio/tv e internet sabatinam os pré-candidatos. E neste quesito, o PT está perdendo tempo.

Sabemos que a ausência de um líder como Lula, numa disputa presidencial, pode favorecer a extrema direita. O eleitor que busca alguém que represente a ascensão dos menos favorecidos e a melhor distribuição de renda, como ocorreu nos anos governados por Lula, não encontra substituto nas urnas. Com isso, pode pender para o extremo oposto. Principalmente, por considerar a corrupção impregnada em qualquer lado do poder: direita ou esquerda. Aqui recomendo a leitura do meu post: Direita e Esquerda: https://escrevendoapolitica.blogspot.com/2016/10/esquerda-e-direita.html

Toda ação ou a falta dela provoca um impacto. Em política, chamamos de custo político. Com certeza, o PT está avaliando esse custo e nós aqui, como muitos cientistas políticos, estamos chovendo no molhado.
Mesmo assim, digo: que isso só favorece a "direita" e acredito que seria melhor o PT definir logo outro candidato, caso não queira sumir das urnas no próximo pleito.



Para consulta:
http://datafolha.folha.uol.com.br/eleicoes/2018/06/1971537-sem-lula-bolsonaro-so-e-superado-por-brancos-e-nulos.shtml

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Falem bem ou falem mal, mas falem de mim


O ex-capitão do Exército, Jair Messias Bolsonaro, está na conversa de muitos brasileiros por aí. E sabem por quê?

Porque ele apostou e deu certo numa técnica que chamamos de rage marketing: a propaganda do ódio, ou da raiva e serve para alavancar marcas novas.

Você tem todo o direito de achar que isso não dá certo, mas basta ver o que ocorreu nos Estados Unidos: qual foi a propaganda que Donald Trump usou em sua campanha? Ele era conhecido nos Estados Unidos, mas não no resto do mundo. Parecia que ninguém gostava dele, no entanto, vejam onde ele chegou, atacando as minorias e soltando frases “politicamente incorretas”.

É a chamada mídia gratuita: falem bem ou falem mal, mas falem de mim.

Você deve estar se perguntando: “então o segredo é não espalhar?”

Entenda que aqueles que se definem como eleitores do Bolsonaro não mudarão de ideia só porque a mídia mostra o horror por trás de suas ideias.

As minorias que se sentem ofendidas com a doutrina que ele defende são os maiores propagadores de suas ideias, dando visão a um deputado que já está há 27 anos na Câmara sem grande visibilidade.

Bolsonaro tem algumas características que o favorecem, aos olhos de muitos eleitores: a autenticidade é a principal delas. A sensação que ele passa é que realmente fala o que pensa. O eleitor leva muito isso em consideração. Os brasileiros estão cansados dos mentirosos, de falsos discursos, daqueles que falam uma coisa, mas praticam outra.   

Depois de quase 13 anos de governo de esquerda, a tendência da população é seguir mais à direita. Isso ocorreu com alguns países, inclusive na nossa vizinha Argentina.

A situação econômica e institucional do Brasil leva os eleitores a acreditarem em candidatos com discursos extremos, que pregam o fim disso, a ruptura daquilo e tantas coisas absurdas aos nossos olhos, mas que na verdade, muitos gostariam que acontecesse.  Isso sem citar a pauta da segurança pública, agenda defendida pelo Deputado como primordial, visto a tamanha insegurança em que vivemos.

Apesar desses pontos favoráveis, outros fatores desfavorecem a sua candidatura. Entre eles, está o tamanho do partido, que o dá pouco tempo de exposição na TV durante a campanha, poucos recursos para os palanques pelo país. Também há o fato de ele ser uma pessoa com baixa capacidade de negociação, ou seja, estagnação no Congresso.

Meu leitor neste momento diz: ela falou da propaganda ruim e está fazendo o mesmo! Parece contraditório, não?

Só o estou fazendo para mostrar que o resultado das pesquisas eleitorais até o momento apontam que, sem Lula na disputa presidencial, o candidato Jair Bolsonaro aparece em 1º lugar, com 17% das intenções de voto. (Pesquisa Datafolha – 11 a 13 de abril de 2018).

Bem verdade é que Marina Silva (Rede) cola na segunda posição com 15%, porém, lembrem-se dos fatores que favorecem o candidato do PSL e atentem que a situação econômica não vai melhorar até outubro e que velhos conhecidos e velhos partidos, como Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) precisarão de um marketing muito mais efetivo do que o rage marketing.

 

quinta-feira, 5 de abril de 2018

DA ARQUIBANCADA VIA O LETREIRO QUE MARCAVA: 6 X 5


Quem dera eu estivesse no Maracanã e visse esse letreiro. Quem dera ainda mais eu estivesse na Rússia, mas não foi.

Era ainda madrugada quando começaram os posts nas redes sociais: “O Brasil venceu!”
 
O Brasil não ganhou nada ontem. Pelo contrário, o Brasil só perdeu. A cada dia perde mais.  A Constituição não vale nada. Lembro dos ilustres meus professores que me falavam sobre a Constituição e o valor dela, sobre a vontade de fazê-la cumprir. Em vez disso, vejo o contrário de Constituição, o contrário de constituir: vejo a dispersão, o desmembramento, a dissolução de tudo: maior índice de desemprego; volta da precarização do mercado de trabalho; investimentos em saúde e educação congelados; maior dívida pública.
 
Esse é o retrato do Brasil vencedor.

Aos esquecidos, eu relembro aquela conversa que nos levou ao dia de hoje:

 
JUCÁ: Tem que resolver essa porra, tem que mudar o governo pra estancar essa sangria.
 
MACHADO: Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel (...) é um acordo, botar o Michel num grande acordo nacional
 
JUCÁ: Com o Supremo, com tudo.

MACHADO: Com tudo, aí parava tudo.
 

Lembraram?
 
Quem não lembrou, não fique triste.
 
Comemore do seu jeito o placar de ontem, mas saiba que o Brasil que você tanto ama, com sua bandeira, com seu hino, com sua ordem e progresso, esse Brasil está perdendo e os 208 milhões de técnicos de futebol, que somos, não conseguiremos fazê-lo ganhar, enquanto não acordarmos.