Cuba está com problemas sérios de
falta de energia, sem comida e principais itens de primeira necessidade. Isso
é um reflexo da tomada da Venezuela, pois os EUA proibiram o envio de petróleo
e derivados para Cuba, que dependem da energia para bombeamento de água,
eletricidade, transporte, enfim, uma série de atividades essenciais para a
população.
Daí vejo pela internet circular
um vídeo em que uma cubana (que não mora lá) diz esperar que seu país seja
liberto logo! Ela espera que os EUA sejam o libertador do seu povo.
E os venezuelanos, também queriam
que os EUA fossem lá libertá-los, abduzindo o Maduro?
E os iranianos também se sentem
mais protegidos agora que os EUA os atacaram?
E o que falar do Iraque?
Afeganistão? Líbia? A história se repete.
Como diria Machado de Assis: “Me
faltaria a pena” para escrever tanto!” Então, vamos no deter no Irã:
No início de janeiro de 2026, a
população iraniana saiu às ruas para protestar contra o regime repressivo. Em
sua maioria, eram mulheres, que queimaram fotos do líder supremo. Muitos homens
também aderiram aos protestos.
Dentre os motivos dos protestos
estava a polícia da moralidade. As mulheres não tem direito de escolher nem a
própria roupa. Essa polícia age como uma patrulha que pune mulheres que usem
maquiagem, roupas justas, cortes de cabelo no estilo “ocidental”, podendo
receber como punição desde aulas de “reeducação” até chicotadas, prisão ou pena
de morte.
Enquanto isso, o dito “salvador”
Donald Trump avisou que caso o governo reprimisse os manifestantes, os EUA
iriam ajudá-los.
Como forma de represália, o
governo iraniano cortou acesso à internet e deixou cerca de 92 milhões de
habitantes sem comunicação. E nos dias seguintes, a repressão do governo
iraniano foi letal: o saldo foi de 43 mil mortos, de acordo com o Centro
Internacional para Direitos Humanos.
E não é preciso dizer que os EUA
intervieram no Irã. Não exatamente preocupados com a situação repressiva em que
se encontravam os manifestantes. Os Direitos Humanos das mulheres e dos homens
que morreram lutando por uma vida mais livre não comoveram o presidente dos
EUA. Sabemos que os interesses são outros, assim como no Iraque ou na
Venezuela. Um interesse econômico.
Porém, o que vale ressaltar aqui
não é o interesse dos EUA no Irã e sim o porquê de, mesmo após o seu líder
supremo morto (aquele de quem estavam queimando a foto), os iranianos não estão
agradecidos ao governo estadunidense?
Porque existe uma coisa muito
mais forte na cultura iraniana: a soberania, a autonomia. E não poderia existir
coisa pior do que os EUA intervir. Poderia ter sido qualquer país a tentar
derrubar o regime, mas não, foram os EUA. E a percepção que temos é que o povo
iraniano não aceita essa intervenção. O conflito armado trouxe a destruição de grande
parte do país, matando vidas inocentes.
O desejo de mudança é grande,
legítimo, mas o conflito no momento não é interno e sim, contra os EUA e Israel. Aliás, Israel é um velho inimigo do Irã e chamou os EUA para ajudar a destruir o Irã.
A arquitetura do regime iraniano
não irá cair, dure o tempo que durar essa guerra. Eles tem o apoio de grupos em
diversos países: no Iêmen, tem os Houthis. No Líbano tem o Hezbollah. No
Iraque, tem o Hashd-al-Shaabi e na Síria também há grupos armados que defendem
o Irã controlando corredores logísticos por onde passam armamentos e equipamentos
militares.
Esse não é um texto atemporal.
Talvez quando você o ler, muita coisa terá mudado no cenário global. Infelizmente,
talvez, a única coisa que permaneça inalterada seja a política externa dos EUA disfarçada
de “ajuda”, pensando nos seus próprios interesses, impondo sua ideologia
ocidental.

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