Recentemente mais dois países elegeram
seus Presidentes: Peru e Colômbia.
Keiko Fujimori, após três
derrotas eleitorais, conseguiu ser eleita por uma margem muito estreita: 50,13%
contra 49,86% do candidato apoiado pela esquerda Roberto Sánchez.
Um país dividido entre a direita e a esquerda.
O sobrenome Fujimori desperta
sentimentos diversos na população peruana. Muitos lembram de quando o pai
Fujimori governava e havia segurança, não se via tanta criminalidade, segundo contam
os peruanos mais antigos.
Qualquer semelhança com o que
pensam os brasileiros nostálgicos da época da ditadura, será mera coincidência,
já que essa falácia de que não existia corrupção nem crimes naquele período, vem
justamente do fato de haver censura à imprensa e a falta de investigação.
No Peru, a campanha de Keiko deixou
claro que ela seria dura, porém, democrática. Essa maquiagem fez com que a
rejeição dela fosse menor do que nas eleições anteriores.
Desde 2016, o Peru já teve 10
presidentes. Abriu-se uma crise institucional numa intensa dança das cadeiras e
agora, ao que parece, metade da população está satisfeita.
Os movimentos internos nos países
da América Latina aliados à onda Trumpista fazem com que a direita avance,
principalmente com a pauta da segurança pública, que é um assunto que tem apoio
tanto das elites quanto das classes médias ou baixas.
O mesmo ocorre na Colômbia: o candidato Abelardo de la Espriella, usando o mesmo discurso de acabar com o crime, alcançou a vitória com menos de 1% de diferença.
Outro país dividido.
Enquanto vivemos nessa divisão, o mapa político está mudando: Na
América do Sul, já são 7 dos 12 países governados pela direita ou ultradireita.
Pela esquerda são: Brasil, Uruguai, Venezuela, Suriname e Guiana.
E o que isso importa para nós
brasileiros? O Brasil pode sofrer um isolamento político regional?
Creio que mesmo o Brasil adotando uma
postura mais diplomática, ainda devemos nos preocupar. Principalmente pela influência
que os Estados Unidos exerce nos nossos vizinhos, com acordos de segurança e operações
militares.
Trump lançou em março deste ano
de 2026 o Escudo das Américas, que é uma coalizão para enfrentar o crime
organizado, com o compartilhamento de inteligência e ações integradas, que
visem também a diminuir a influência da China.
O plano já conta com a
participação de 12 países, incluindo Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia e El
Salvador. O Presidente eleito da Colômbia já anunciou a adesão ao plano. O
Brasil está fora por não concordar com a abordagem militarizada dos EUA.
Após os EUA ter classificado como
grupos terroristas as facções do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando
Vermelho (CV), aumentou o temor de uma intervenção aqui no Brasil. Já nos
países onde a direita governa e está aliada aos EUA, não é difícil imaginar medidas
extremas a fim de acabar com cartéis de drogas. O próprio Ministro das Relações Exteriores afirmou ter esse temor, na última semana.
Como evitar? O que fazer? Fortalecimento da soberania? Leis mais rígidas?
O cenário atual é desafiador, mas
o Brasil deve continuar a deixar divergências ideológicas de lado e buscar acordos de
segurança com os vizinhos, sem descuidar de outras pautas transversais, que
muitas vezes nem são citadas pela direita.
E nós não podemos ser tão
ingênuos a ponto de pensar que os EUA querem proteger nossos vizinhos pensando
na segurança nacional. Temos de ver os interesses geopolíticos, controle de
migração, além da diminuição do domínio chinês na América Latina. E para isso,
o avanço da ultradireita é apenas o adubo para essa plantação que os EUA quer
colher.
