terça-feira, 7 de julho de 2026

A grama do vizinho é mais azul

 


Recentemente mais dois países elegeram seus Presidentes: Peru e Colômbia.

Keiko Fujimori, após três derrotas eleitorais, conseguiu ser eleita por uma margem muito estreita: 50,13% contra 49,86% do candidato apoiado pela esquerda Roberto Sánchez.

Um país dividido entre a direita e a esquerda.

O sobrenome Fujimori desperta sentimentos diversos na população peruana. Muitos lembram de quando o pai Fujimori governava e havia segurança, não se via tanta criminalidade, segundo contam os peruanos mais antigos.

Qualquer semelhança com o que pensam os brasileiros nostálgicos da época da ditadura, será mera coincidência, já que essa falácia de que não existia corrupção nem crimes naquele período, vem justamente do fato de haver censura à imprensa e a falta de investigação.            

No Peru, a campanha de Keiko deixou claro que ela seria dura, porém, democrática. Essa maquiagem fez com que a rejeição dela fosse menor do que nas eleições anteriores.

Desde 2016, o Peru já teve 10 presidentes. Abriu-se uma crise institucional numa intensa dança das cadeiras e agora, ao que parece, metade da população está satisfeita.

Os movimentos internos nos países da América Latina aliados à onda Trumpista fazem com que a direita avance, principalmente com a pauta da segurança pública, que é um assunto que tem apoio tanto das elites quanto das classes médias ou baixas.

O mesmo ocorre na Colômbia: o candidato Abelardo de la Espriella, usando o mesmo discurso de acabar com o crime, alcançou a vitória com menos de 1% de diferença. 

Outro país dividido.

Enquanto vivemos nessa divisão, o mapa político está mudando: Na América do Sul, já são 7 dos 12 países governados pela direita ou ultradireita. Pela esquerda são: Brasil, Uruguai, Venezuela, Suriname e Guiana.

E o que isso importa para nós brasileiros? O Brasil pode sofrer um isolamento político regional?

Creio que mesmo o Brasil adotando uma postura mais diplomática, ainda devemos nos preocupar. Principalmente pela influência que os Estados Unidos exerce nos nossos vizinhos, com acordos de segurança e operações militares.

Trump lançou em março deste ano de 2026 o Escudo das Américas, que é uma coalizão para enfrentar o crime organizado, com o compartilhamento de inteligência e ações integradas, que visem também a diminuir a influência da China.

O plano já conta com a participação de 12 países, incluindo Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia e El Salvador. O Presidente eleito da Colômbia já anunciou a adesão ao plano. O Brasil está fora por não concordar com a abordagem militarizada dos EUA.

Após os EUA ter classificado como grupos terroristas as facções do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), aumentou o temor de uma intervenção aqui no Brasil. Já nos países onde a direita governa e está aliada aos EUA, não é difícil imaginar medidas extremas a fim de acabar com cartéis de drogas. O próprio Ministro das Relações Exteriores afirmou ter esse temor, na última semana. 

Como evitar? O que fazer? Fortalecimento da soberania? Leis mais rígidas?

O cenário atual é desafiador, mas o Brasil deve continuar a deixar divergências ideológicas de lado e buscar acordos de segurança com os vizinhos, sem descuidar de outras pautas transversais, que muitas vezes nem são citadas pela direita.

E nós não podemos ser tão ingênuos a ponto de pensar que os EUA querem proteger nossos vizinhos pensando na segurança nacional. Temos de ver os interesses geopolíticos, controle de migração, além da diminuição do domínio chinês na América Latina. E para isso, o avanço da ultradireita é apenas o adubo para essa plantação que os EUA quer colher.

Um comentário:

  1. Ao contrário do Peru, na Colômbia o candidato derrotado não aceitou a vitória até o momento do fim dessa edição. Ele pediu que organismos internacionais, o exército e as instituições colombianas se mantenham atentos. Isso significa que muita coisa ainda pode acontecer nos próximos dias.

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