“Nenhuma das tratativas atribuídas ao senador tem qualquer
relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples
filiado. Por isso mesmo, o PT não se julga obrigado a qualquer gesto de
solidariedade”. Nota divulgada ontem pelo presidente nacional do
Partido dos Trabalhadores-PT.
Enquanto isso, a
direção estadual do PT de Mato Grosso do Sul, Estado natal do Senador Delcídio do
Amaral, divulga nota de apoio ao parlamentar. Alguém se esqueceu de combinar.
Segundo Renan
Calheiros, a posição do partido é “oportunista e covarde”. Há quem defenda que a prisão do Senador
poderia agravar ainda mais a situação política, desgastando a imagem da
Presidente, mesmo ela não estando envolvida na trama.
Ouvi
algumas pessoas dizerem que o partido jamais poderia escolher como líder do
governo uma pessoa que afirmou ter ajudado várias pessoas a fugirem do país
através desse mesmo esquema planejado para o Nestor Cerveró. Porém, como o
partido saberia desse passado? Não estava no currículo.
Aliás,
que currículo! Hábil negociador, porta-voz do governo dentro do Senado, o Senador
Delcídio, ex-candidato a governador do Mato Grosso do Sul, por duas vezes
derrotado, filiou-se ao PT em 2001, mas sempre teve bom relacionamento com os
demais partidos, principalmente o PSDB. Ele chegou a se inscrever no PSDB, mas
não foi oficializado. Entre 2000 e 2001 foi diretor na Petrobrás, durante o
governo Fernando Henrique Cardoso, conhecendo Nestor Cerveró e Paulo Roberto
Costa (ambos presos na Operação Lava Jato). Presidiu a CPI dos Correios e
atualmente era o relator do Projeto de lei (PLS 298/2015) que trata da
repatriação de recursos não declarados do exterior. Com a aprovação do projeto,
os brasileiros que tem contas no exterior terão de declarar os recursos e pagar
tributos e multas. Isso traria muitos recursos para o país, que, diga-se de
passagem, está precisando muito.
Enquanto
outros defendem a posição do partido, pois caso apoiasse o filiado, o partido seria
considerado cúmplice de toda a trama. Mas que dilema: apoiar ou não apoiar? O
novo líder do governo será anunciado na próxima semana, mas já tem um interino.
E
as demais pessoas citadas na gravação que levou à prisão do Senador? Os Ministros
do STF Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Teori Zavascki, o vice-Presidente Michel
Temer, todos afirmam não ter conversado com o líder do governo e nem sequer ter
sido procurados. Restava alegarem que nem sabiam que existia um Senador chamado
Delcídio do Amaral. Quem? Delcídio do que?
É...como
diria aquela humorista Maria Clara Gueiros: “Vem cá, te conheço?”
Contam
que em tempos antigos, os mendigos que pediam esmola recebiam a resposta
daqueles que não queriam dar: “Deus dará!” E assim tornou-se uma expressão
popular, que significa deixar sem amparo, ao descaso.



