quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Ao Deus dará

“Nenhuma das tratativas atribuídas ao senador tem qualquer relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado. Por isso mesmo, o PT não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade”. Nota divulgada ontem pelo presidente nacional do Partido dos Trabalhadores-PT.

Enquanto isso, a direção estadual do PT de Mato Grosso do Sul, Estado natal do Senador Delcídio do Amaral, divulga nota de apoio ao parlamentar. Alguém se esqueceu de combinar.

Segundo Renan Calheiros, a posição do partido é “oportunista e covarde”.  Há quem defenda que a prisão do Senador poderia agravar ainda mais a situação política, desgastando a imagem da Presidente, mesmo ela não estando envolvida na trama.

Ouvi algumas pessoas dizerem que o partido jamais poderia escolher como líder do governo uma pessoa que afirmou ter ajudado várias pessoas a fugirem do país através desse mesmo esquema planejado para o Nestor Cerveró. Porém, como o partido saberia desse passado? Não estava no currículo.

Aliás, que currículo! Hábil negociador, porta-voz do governo dentro do Senado, o Senador Delcídio, ex-candidato a governador do Mato Grosso do Sul, por duas vezes derrotado, filiou-se ao PT em 2001, mas sempre teve bom relacionamento com os demais partidos, principalmente o PSDB. Ele chegou a se inscrever no PSDB, mas não foi oficializado. Entre 2000 e 2001 foi diretor na Petrobrás, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, conhecendo Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa (ambos presos na Operação Lava Jato). Presidiu a CPI dos Correios e atualmente era o relator do Projeto de lei (PLS 298/2015) que trata da repatriação de recursos não declarados do exterior. Com a aprovação do projeto, os brasileiros que tem contas no exterior terão de declarar os recursos e pagar tributos e multas. Isso traria muitos recursos para o país, que, diga-se de passagem, está precisando muito.

Enquanto outros defendem a posição do partido, pois caso apoiasse o filiado, o partido seria considerado cúmplice de toda a trama. Mas que dilema: apoiar ou não apoiar? O novo líder do governo será anunciado na próxima semana, mas já tem um interino.

E as demais pessoas citadas na gravação que levou à prisão do Senador? Os Ministros do STF Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Teori Zavascki, o vice-Presidente Michel Temer, todos afirmam não ter conversado com o líder do governo e nem sequer ter sido procurados. Restava alegarem que nem sabiam que existia um Senador chamado Delcídio do Amaral. Quem? Delcídio do que?

É...como diria aquela humorista Maria Clara Gueiros: “Vem cá, te conheço?”

Contam que em tempos antigos, os mendigos que pediam esmola recebiam a resposta daqueles que não queriam dar: “Deus dará!” E assim tornou-se uma expressão popular, que significa deixar sem amparo, ao descaso.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Enquanto isso, nossos vizinhos...


Ontem foi dia de vitória para o empresário Mauricio Macri, o prefeito de Buenos Aires (há 8 anos), que ganhou de forma apertada, com 51,46% dos votos, a Presidência da Argentina. A diferença pequena fez lembrar as nossas últimas eleições presidenciais.

Desde 1916, quando se instituiu o voto na Argentina, é a primeira vez que outro partido ganha, fora da divisão peronista PJ (Partido Justicialista) ou social-democrata UCR (Unión Cívica Radical). Também foi a primeira vez que houve 2º turno para as eleições presidenciais.

Durante o governo Kirchner, foram criados 5 milhões de empregos, milhares de pessoas recebem aposentadorias especiais  e subsídios do governo.  A população teme perder esses benefícios sociais.  Macri afirma que não irá acabar, pelo contrário, irá ampliar esse subsídio. Ele ainda prometeu devolver o imposto de renda pago pelos trabalhadores. Ohhh! Será?

O seu mandato começará no próximo dia 10 de dezembro. E os problemas econômicos não são pequenos: a inflação medida em alguns alimentos chega a 1000% (entre 2003 e 2015). Macri propõe reduzir o gasto público e a emissão de moeda, além de reduzir o subsídio à energia elétrica e ao transporte.  

O Presidente eleito quer abrir o mercado e recuperar o valor da moeda local, estreitar relações com Europa e Estados Unidos, tentando apagar a mancha com a Inglaterra devido à questão Malvinas. Atualmente, a Argentina tem inflação em torno de 20%. Macri quer diminui-la para um dígito, nos próximos 4 anos.

Um ponto crítico prometido pelo candidato eleito é a exclusão da Venezuela do Mercosul. Segundo ele, a cláusula democrática deverá ser acionada, deixando a Venezuela fora do bloco. Daí veremos qual posição o Brasil adotará, pois terá de decidir.

Mais uma vez vemos na América Latina que a vontade do povo é a mudança. E acho, não, tenho certeza, de que a mudança faz parte do regime democrático. Aprovo a alternância de poder. Votei pela alternância nas últimas eleições, EM TODAS AS ESFERAS DE PODER. Aguardo as mudanças. E torço para que os brasileiros deem uma espiadinha por cima do muro e acompanhem as mudanças que virão para os nossos vizinhos, se é que virão. Só provam da mudança aqueles que arriscam.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Quanto vale o pedido de desculpas da Vale?

Quanto Vale o pedido de desculpas?


Nos últimos dias, a tragédia ocorrida em Mariana tem povoado os noticiários do nosso país. No dia seguinte à tragédia, o Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico defendeu a ideia de que as empresas privadas façam a fiscalização ambiental, e não mais o governo. Além disso, o secretário mineiro alega que a empresa foi vítima também do acidente.

Ora essa! Vítima? Mais uma vez vemos uma inversão de valores.  Vai ver é por isso que o slogan da Vale é: “Para um mundo com novos valores.”
Enquanto isso, em Brasília...
A Comissão na Câmara que discute o novo código de mineração possui 37 deputados. Desses, 17 receberam doação de mineradoras.  Aliás, a votação já deveria ter ocorrido em setembro passado, mas desentendimentos atravancaram as discussões. Vale lembrar que tal comissão discute projetos de lei de 2011 e 2013, ou seja, faz tempo que está em discussão.
Agora, com o tema mineração à tona, os deputados ambientalistas querem apressar a votação.
Como é costume, depois do ocorrido, é hora de prevenir para que não ocorra mais. Foi assim com o incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria-RS, que levou as autoridades a discutirem o regulamento e fiscalização sobre as saídas de emergência e concessão de alvarás em locais públicos; o massacre de doze crianças em Realengo (Rio-RJ), quando um atirador entrou atirando em uma escola, que reacendeu a discussão sobre o desarmamento. E assim vamos: tomando a vacina depois da doença.
E pra completar o infortúnio, responsáveis da empresa mineradora Samarco disseram que “não é o caso de pedir desculpas” pelas mortes decorrentes do rompimento da barragem.
Provavelmente eles acreditam que as desculpas não trarão as vidas e os bens perdidos pela população de Mariana.
Conforme a Psicologia, uma criança menor de 5 anos não consegue pedir desculpas, pois não tem a capacidade de se colocar no lugar do outro, tampouco compreendem que cometeram um erro. Mas acreditamos que esses responsáveis tem mais de 5 anos, não?


terça-feira, 3 de novembro de 2015

Está chegando: em 2017, o Palácio do Anhangabaú receberá o(a) novo(a) Prefeito(a)

Não é surpresa ao ver o candidato Celso Russomanno (PRB) em primeiro lugar nas pesquisas, com 34% de intenção de voto. Isso é o que chamamos de recall. A imagem dele ainda está bem presente nos eleitores paulistanos. É provável que os entrevistados lembrem com clareza suas propostas do último pleito.

Em um dos cenários, a segunda posição ficaria empatada: Marta Suplicy (PMDB) com 13%, Datena (PP) com 13% e Fernando Haddad (PT) com 12%. Nessa simulação, o candidato do PSDB é João Dória Júnior, que apresenta 3% dos votos.
Em outro cenário, quando o PSDB altera seu candidato para o atual vereador Andrea Matarazzo, continua igual para Russomanno: ele ganha 34% das intenções de voto, enquanto o tucano 4%. Os demais candidatos citados continuam empatados no 2º lugar.

Junto a essa pesquisa, o Datafolha divulgou a pesquisa de avaliação do governo Haddad: 51% aprovam (ótimo e bom) e 49% desaprovam (entre regular e ruim/péssimo).Coerentemente, cruzando as duas pesquisas, dentre os que avaliam a gestão Haddad como ótima e boa, a maioria votaria pela continuidade de seu governo.
Já entre os que acham o governo ruim ou péssimo, a indecisão ainda é grande em quem poderá substituir o atual prefeito.

Há quem diga que a rejeição à Haddad faz parte da rejeição ao PT, considerando que os protestos contra a Presidente Dilma tiveram grande participação em São Paulo. Não estranhem se durante a campanha, Haddad começar a criticar a política de Dilma.

E por que não considerar as medidas polêmicas que o prefeito adotou nos últimos anos? Medidas que geraram discussões e partidarismos extremos, como a redução da velocidade, o fechamento da Paulista para os carros, as ciclovias...
Não teriam sido essas medidas que levaram ao alto índice de rejeição do prefeito?

Impressionante notar a falta de competitividade dos candidatos tucanos. Tanto o candidato João Dória Jr. quanto o Andrea Matarazzo, perdem para o pastor Marcos Feliciano (PSC). Vejam só! Essa falta de pessoas de peso no PSDB pode levar a um resultado inusitado: aventureiros governando a maior economia do país.

Não há consenso dentro do PSDB para indicar um nome. Fernando Capez, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, os deputados federais Bruno Covas e Ricardo Trípoli, o senador José Aníbal e assim vai, até que surjam outros. As opções são muitas, porém todas fracas, sem peso político. Quem discorda tem a liberdade de opinar aqui.
Tem gente que olha o copo meio vazio e outros olham o copo meio cheio:

 "O importante não é o candidato do PSDB estar com percentual baixo de votos, pois na última eleição, Haddad começou com 3% e venceu!", diriam os tucanos.

"O importante não são os 49% de ruim/péssimo e regular, mas os 51% de ótimo/bom", diriam os petistas. 

E assim vai.

domingo, 13 de setembro de 2015

Tá rindo de quê?

Complementando o último texto que postei aqui, o primeiro turno das eleições na Guatemala levou dois candidatos à próxima disputa em outubro: uma delas é Sandra Torres, de centro-esquerda, com 19,7% e na liderança, Jimmy Morales com quase 24% dos votos.

O que chama a atenção é que parece ter chegado lá o fenômeno Tiririca. Sim, pois Jimmy Morales é um ator comediante. Alguns o chamam de palhaço. O comediante mais famoso da Guatemala e a um passo da Presidência.

E coloco-me a pensar: o que leva o povo de um país, ou a sua grande maioria, a eleger as celebridades?

Será um tipo de protesto ou será somente um gesto involuntário da desesperança de um povo cansado dos mesmos políticos? Cansado das mesmas promessas?

Ouvi pessoas argumentarem que votaram no Tiririca porque ele parecia ser honesto. Na hora da reeleição dele, disseram que ele era um dos poucos deputados que compareciam a todas as sessões. Ora, mas não é esse o emprego dele? Isso não é sua obrigação? Devo premiá-lo com meu voto por ele cumprir sua obrigação?

Uma pesquisa rápida no site da Câmara revela que nesse período de trabalho, Tiririca apresentou 16 projetos de lei (autoria somente dele) priorizando o tema “circo”, como foi anunciado em suas campanhas. Até hoje, nenhum virou lei. Alguns estão em tramitação nas comissões, outros estão na pauta, mas nunca entram em votação.

Dentre os projetos, tem uns interessantes, como a isenção de IPI para os veículos circenses. Ou ainda que as atividades circenses sejam incluídas como manifestação cultural na Lei Rouanet.  No ano passado, ele apresentou um projeto fora da sua área circense: proibir a substituição de candidato que estiver com ficha-suja. Já vimos várias candidaturas impugnadas e na hora H, o candidato coloca a esposa, o irmão, enfim, alguém com a ficha limpa no seu lugar. Ainda está tramitando na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.

E o que falar do ex-jogador Romário? Eleito pelo Rio de Janeiro, cumpriu o mandato de Deputado Federal e agora é Senador.

Tenho um amigo carioca que elogia o trabalho do senador Romário. Ele alega que enquanto o ex-jogador foi deputado federal fez um ótimo trabalho e por isso mereceria o seu voto para senador. Ele diz que vota consciente: acompanha o trabalho do senador junto aos portadores de necessidades especiais e que além do futebol, Romário se preocupa muito com pessoas que tem doenças raras ou são incapacitados de alguma maneira, principalmente com os mais pobres.

Enquanto deputado, Romário apresentou 29 projetos de lei, a maioria voltado para as pessoas especiais. Ele propõe o fim de taxa adicional para alunos especiais em escolas, incentivo às atividades paraolímpicas, enfim, quem achou que ele só se preocuparia com o futebol, dessa vez se enganou.

Na Câmara dos Deputados, o novato Sérgio Reis vai levando a vida entre o mandato e os shows. Não teve votação recorde, bem verdade que recebeu ajuda dos votos de Celso Russomanno, do mesmo partido. Porém, mesmo assim, é uma celebridade que resolveu fazer algo pelo povo. E o que ele está fazendo?

No seu curto período de atuação, apresentou 6 projetos de lei um tanto curiosos: que os shows e espetáculos não comecem com atraso. Ah...isso é muito importante mesmo! Acho um absurdo pagar caríssimo em certos shows e o artista se dar o luxo de atrasar duas horas, ou meia hora que seja. Além disso, os eventos que forem financiados com dinheiro público deverão ter entrada gratuita. Hummm...estou gostando. Outro projeto do sertanejo é que as empresas de transporte tenham funcionários aptos a tratar os idosos. Por enquanto, tudo em tramitação. Lenta. Quem sabe um dia?

E quanto às demais celebridades que povoam o Congresso Nacional? E nas Assembleias e Câmaras Municipais? Faltaria o tempo para escrever sobre todos, mas o que leva as pessoas a votarem nessas ou em outras celebridades?

O candidato Jimmy da Guatemala, assim como Tiririca, fez uma campanha apolítica, ou seja, contrariando o que os demais candidatos sempre fizeram e chamando a atenção do povo para a sua diferença: ele não era político. 

E se o eleitor está cansado dos políticos, parte para alternativa: um artista que tem carisma, alguns beiram ao idolatrado e já tem um público cativo e fiel: voto certo!

Com isso, a política deixa de ser coisa séria? Basta ser famoso? Até o bom marqueteiro pode ser dispensado? Esse fenômeno ocorre em todo o mundo? Ajudem-me os colegas cientistas políticos.

A cada dia que passa, as pessoas estão apostando as fichas em pessoas famosas, crendo que farão um bom trabalho, que defenderão suas causas. E se não fizerem? E se os palhaços só nos fizerem rir?  Ou pior: e se não acharmos engraçado?

A situação é mais séria do que parece. Nas mãos de quem está o futuro das leis deste país e dos demais países?

Observação pós-postagem: Já era quase certa a vitória de Jimmy na Guatemala. No último dia 25 de outubro, no segundo turno, o comediante foi conduzido à Presidência pelos votos do povo guatematelco.  

sábado, 5 de setembro de 2015

E o slogan era: O FIM DA CORRUPÇÃO





Fonte: Moises Castillo


“Presidente da Guatemala preso por corrupção”.

Essa manchete foi estampada em alguns jornais pelo mundo, causando até estranheza a alguns por tamanha rapidez da justiça em um país da América Latina.

Otto Pérez Molina, do Partido Patriota, ultranacionalista e conservador, estava no poder desde 2012, foi acusado do desvio de milhares de dólares do serviço alfandegário. Os produtos passavam pela alfândega isentos de tributos, em troca de suborno às autoridades, repartido entre o alto escalão do governo.

Foram revelados dados do esquema de corrupção por uma comissão: a Comissão Internacional contra a Impunidade da Guatemala (CICIG), vinculado à ONU e à justiça da Guatemala. A comissão já investigava há 18 meses.

Os protestos começaram em abril deste ano, quando foi revelado o esquema. A população ia às ruas todos os sábados desde então, pedindo a renúncia do presidente e sua vice, Roxana Baldetti. A vice renunciou em maio e foi presa em agosto.  Já o presidente, só deixou o cargo na última quinta-feira, dia 03 e se apresentou para a prisão preventiva que havia sido decretada naquele mesmo dia.

Ambos alegam inocência e dizem ser mais fácil comprovar a inocência fora dos cargos. Há mandados de prisão também para o ex-secretário da vice-presidência e cerca de 100 pessoas envolvidas no esquema ainda estão sob verificação dos fatos. A Presidência foi assumida por Alejandro Maldonado, que havia sido nomeado vice em maio deste ano.

Mais uma vez, as redes sociais contribuíram para o sucesso dos protestos da população. Ocorriam todas as semanas, chegando a reunir cerca de 20 mil, outras vezes até 50 mil pessoas espalhadas por diversas cidades do país. Na capital, Tegucigalpa, se aglomeravam em frente ao antigo palácio do governo, com tambores e apitos. 

Mesmo após a renúncia, alguns eleitores alegam ter perdido a esperança nos políticos. E a partir dessa desesperança, nos perguntamos: quem vem por aí?

As eleições estão marcadas para o dia 06, amanhã, pois o mandato de Otto terminaria em dezembro de 2015. Lá não há reeleição. Os candidatos são Baldizón (centro-direita), Sandra Torres (centro-esquerda) e Alejandro Sinibaldi (era do Partido de Molina mas criou um novo partido): Movimento Renovador, voltado à direita liberal.

Muitos guatemaltecos acreditam que a eleição futura será um divisor de águas, pois criaram forças para lutar por mudanças e veem que o país não será mais o mesmo. Acompanharemos aqui como será o desdobramento dessas eleições e se, realmente, o país refletirá melhor os últimos acontecimentos e seu poder de manifestação. Inclusive amanhã, durante as eleições, ainda podem ocorrer protestos. Quem sabe?

E pensar que Molina ganhou as eleições passadas, baseado num discurso com promessas de fim da corrupção.

Como deve ser triste viver num país assim, não é? Ainda bem que vivemos num país diferente.

E como diriam o pessoal das redes sociais: #sóquenão


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A tal da imparcialidade


 

Ultimamente vimos e ouvimos explicações para a crise política e econômica repletas de paixões. O que seria uma simples notícia torna-se uma justificativa ou acusação de determinados partidos e políticos. As emoções transbordam e analistas chegam a comparar a política com o futebol: coisa de apaixonados, que são capazes de brigar e romper relações só porque seu amigo não torce pelo mesmo time. As redes sociais viraram uma enorme sala de discussão, com direito a xingamentos e insultos a jornalistas ou qualquer pessoa que exponha suas opiniões.

Nesse momento muitos de vocês falam: “mas o leitor precisa de um formador de opinião, alguém que abra sua mente e explique os fatos e as manobras políticas que estão acontecendo. Chega de pessoas “em-cima-do-muro”. O povo deixa se levar pela mídia, então, o lado que falar mais, convencerá o maior número de pessoas”. Será mesmo que o leitor precisa disso? Ou precisa somente da notícia?

Muitas vezes chega a ser tão explícita a preferência política de determinados canais de televisão ou jornais, que noticiam alguns feitos de um governo e não os de outros. Não chega a ser unânime, ainda bem, ainda há alguns meios isentos. Poucos, mas há.

Querem só um exemplo dessa balança viciada?

O governo federal anunciou desde o dia 14/08 que não pagaria a metade do 13º salário dos aposentados e pensionistas em setembro, como faz há 9 anos. Explicaram que era devido à baixa arrecadação.

A partir daí, choveram comentários a respeito da irresponsabilidade do governo.  Argumentavam que era mais uma manobra para o governo ficar com o dinheiro do povo, enfim, aquela discussão de fla-flu, como sempre.

A oposição na Câmara disse que essa medida era mais um item do saco de maldades da Presidência (Deputado Carlos Sampaio - PSDB). O Sindicato Nacional dos Aposentados também entrou na briga, com uma ação no STF, alegando que os aposentados teriam que honrar compromissos feitos confiantes nessa renda que era certa desde 2006 e o governo não poderia, agora, quebrar o acordo.

Depois de tentarem parcelar em 3 vezes o décimo terceiro, finalmente o governo reconsiderou e disse que irá pagar a parcela como sempre foi, em setembro, porém no fim do mês e não mais no início.

Agora vamos para o outro prato da balança. Voltando uns dias no calendário e vemos que o governo de São Paulo anunciou em 08/07/15 que não pagará os créditos da nota fiscal paulista, como faz há 8 anos. Postergou o pagamento que sairia em outubro desse ano para abril do ano que vem.

E ainda alterou o percentual devolvido que chegava a ser de até 30% não passará de 20%. Jogou um balde de água fria na população que aguardava uns trocos em outubro.

Dentre as consequências dessa mudança do governo, está a possível desconfiança da população que poderá não mais exigir a nota fiscal.  Esse aspecto vi e ouvi em alguns meios de comunicação, porém, o fato de os contribuintes terem direito aos seus créditos e terem compromissos a honrar com esses valores prometidos, não ouvi nem vi nas notícias.

Sem falar nas pessoas que utilizam os créditos para abater do IPVA. Se os valores só serão repassados em abril de 2016, os proprietários terão de pagar do próprio bolso.

Se não bastasse isso, também as entidades que recebem doações desses valores dos contribuintes que não querem, também irão ficar a ver navios.

Alguém pode argumentar que a suspensão do 13º salário é muito mais grave do que os poucos reais que a Nota fiscal paulista rende. Lá vem o fla-flu denovo! As duas medidas tratam de adiamento de um direito. Só isso. Não quero saber qual o partido no poder que adiou. Agora vejam qual governo reconsiderou. E qual ainda nem pensou em voltar atrás.

Um conselheiro do Tribunal de Contas de SP, senhor Antonio Roque Citadini, classificou como calote, disse que o assunto é muito grave, mas só analisará isso em 2016. E até lá nada será feito? O governo guardará o dinheiro dos contribuintes no caixa e encerrará o ano com um valor maior do que o previsto. Ajudem-me os entendidos: isso é pedalada fiscal? Não, não. Ou pedalada é outra coisa: que só existe no governo federal?

O problema maior disso tudo não são é o valor monetário desses direitos, mas sim a maneira como tudo é abordado. A diferença no tratamento de questões muito semelhantes, porém, em governos de partidos diferentes.

Agora me respondam: por onde anda essa tal da imparcialidade? Alguém a viu por aí?

 

 

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Mito ou verdade?


 
 
 

A trajetória de Lula é conhecida no mundo inteiro. Desde sua infância pobre no nordeste, a difícil vinda com a família para São Paulo, a militância no partido, a luta sindical, a persistência em candidatar-se a Presidente até ganhar.

Muitos seguidores de Lula o veem como um mito, alguém que lutou a vida toda em prol de um ideal e conseguiu realizar seu sonho de chegar à presidência do Brasil. Ao término do segundo mandato, Lula seria capaz de se reeleger para um terceiro mandato, caso houvesse. Mesmo após ter passado pelas turbulências do mensalão (em 2006), Lula ainda terminou seu mandato em 2010 com índice de ótimo e bom em 87% (CNT/Sensus), 80% (CNI/Ibope) e 83% (Datafolha). E não foi somente porque ele atendeu parcelas mais carentes da sociedade, ampliou as políticas sociais e de redistribuição de renda, foi muito mais do que isso: a aprovação naquela época ocorreu como resultado de um fenômeno chamado lulismo: a união de um Estado forte, com diminuição da desigualdade social, ao mesmo tempo em que é preservada a política econômica do país.

Até então muitos temiam ter suas poupanças confiscadas (!) ou terem suas propriedades entregues para os camponeses sem terra (!), temiam o desconhecido: um governo de esquerda.

Nunca antes nesse país havíamos tido um governo de esquerda e isso preocupava muitos brasileiros. Mas Lula provou que a esquerda, assim como em muitos lugares no mundo, quando sobem ao poder, acabam se “endireitando”,literalmente. E nessa "chegadinha" mais para a direita, fez com que o número de cidadãos satisfeitos com seu governo aumentasse, tanto os declaradamente de esquerda, quanto os direitistas. Mas o mito está sumindo. Em seu lugar destaca-se um metalúrgico que chegou ao poder e ajudou a afundar o país, assim dizem opiniões várias. Eu mesma conheço um senhor que, quando o José Dirceu foi preso, pela segunda vez, disse para mim: “Só fico contente quando o Lula for preso! Ele tá envolvido em tudo isso!”

E qual a razão para esse desejo? Há quem chame isso de senso de justiça. Os brasileiros cansaram de ser enganados, querem que todos paguem por seus erros. Se for assim, quem sobrará pra trancar a cela?

O povo perdeu totalmente a esperança e a confiança em algo que há 5 anos tinha: num líder capaz de reduzir desigualdades, ampliar o acesso a bens e serviços que a camada mais pobre da população não tinha. Esse fácil acesso também revolta os mais endinheirados, não é só a corrupção que os revolta. Eles querem exclusividade e segregação em aeroportos, restaurantes, escolas, enfim, em todos os lugares em que for possível separar em classes sociais. Essa falta de confiança e esperança agrava ainda mais devido à falta de líderes. Esse vazio é tão grande, que acredito que Dilma ganhou a reeleição por falta de um candidato melhor. Muitas pessoas ainda pensam assim: vou votar no “menos pior”. Isso é um erro imenso.

Como todos sabem a sucessora de Lula conseguiu a vitória na eleição mais apertada da história e desde então está na corda bamba se equilibrando como consegue.

O problema de indicar alguém para te suceder é que as pessoas acham que vão ter alguém igual a você. E quando isso não acontece, a culpa é de quem? De quem? A culpa é toda sua que indicou. Foi assim também com Pitta que, ao serem descobertos seus atos ilícitos, pôs fim à carreira no Executivo de Paulo Maluf, que o indicou. (Não que Maluf fosse um exemplo de honestidade, mas ainda assim era um líder e levava muitos seguidores até hoje).

E será assim também com Lula. Já é assim. Ele já foi incluído entre os temas dos protestos, como vimos no último dia 16. Ou seja, o mito está se esvaindo e o símbolo foi aquele boneco inflável do Lula em Brasília. Os manifestantes trouxeram à tona que a situação que vivemos hoje é criação dele. Reavivaram a memória de muitas pessoas que ainda acreditavam num possível retorno de Lula em 2018. Romperam o último fiozinho de esperança em um Brasil melhor em 2018, com o retorno do líder.

Nós bem sabemos que se não fosse a Dilma a sucessora de Lula, quem seria? Seria o José Dirceu. Ou seja, o PT teve de mudar os planos e preparar um novo sucessor. E prepararam uma pessoa sem experiência nas urnas, mas que tinha experiência em gestão. Tinha?

Agora vemos que sofremos, há tempos, da falta de líderes. Não há líderes como foi Lula. E temo que demore muito a aparecer alguém como ele: que leva multidões, com carisma, poder de articulação política e popularidade. Outro dia li uma opinião que dizia que Lula errou ao esquecer uma célebre frase do pensador Lord Acton: “o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Pode ter se esquecido dessa, mas lembrou-se de Maquiavel: “a arte da política é a manutenção no poder”. Uma coisa é certa: ele vai continuar reconhecido no mundo inteiro, mas dessa vez não por sua trajetória de homem que luta, mas apenas como o homem que indicou a Dilma para sucedê-lo.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Não suspeitem da coincidência! Ela é inocente!

O assunto desta semana é a pauta-pátria: a salvação para os problemas de ordem fiscal, social e política que o Brasil enfrenta. Digamos que a pauta-pátria é a irmã boazinha da pauta-bomba. Chamo pauta-pátria porque Renan disse que não faz isso por amor à Dilma, mas sim por amor ao país.

Pelo visto, Eduardo Cunha é a ovelha negra, aquele que quer desmoralizar a família. Levar a família brasileira ao caos e ainda por cima mal falada pelo mundo afora. Em contrapartida, Renan Calheiros é o bom-moço: aquele que resolveu abrir a caixinha de soluções para os problemas mais graves.  

Dentre as medidas anunciadas no pacote, chamado de Agenda Brasil, 19 ideias já são antigas e existem projetos de lei ou medida provisória que trata do assunto. Por aí já detectamos que as ideias não são tão novas assim!
 
Não vou falar de todas aqui, pois precisaria de um post enorme, mas vejamos algumas:
        
Um ponto polêmico é aumentar a idade mínima para aposentadoria. A proposta é aprimorar a Medida Provisória 676, de junho deste ano, que criou as condições 85/95. Se em 2022, já teremos que alcançar 90/100 pontos do jeito que está a regra hoje, imagina se aumentar a idade mínima: os mais jovens não vão conseguir se aposentar. Tudo tem um lado bom: as contas da Previdência irão se endireitar. (!)
 
Também é pretensão rever a legislação sobre as áreas protegidas e naturais, cidades históricas, além de áreas indígenas, a fim de torna-las áreas produtivas.  Junto a isso, facilitar a obtenção de licenças ambientais para projetos do PAC, ou seja, as obras tem de sair ainda que acabem com o resto de área verde que temos.
 
Uma família quando precisa de dinheiro, se tiver alguns imóveis sem uso, o que faz? Vende. Simples. Então entrou na pauta também a venda de alguns imóveis da Marinha e da União que não são usados. Desse jeito, já garantem uns trocos pra sanar a dívida.
 
O imposto sobre heranças que hoje é em média 3,86% seria elevado a fim de equiparar à média de outros países: 25%. Que diferença entre o Brasil e os outros países! Essa é uma matéria que ronda o Palácio do Planalto há algum tempo, mesmo porque pode aumentar a arrecadação em cinco vezes.

Em relação à saúde, a Agenda Brasil traz dois pontos muito discutíveis: cobrar por procedimentos do SUS proporcional à faixa de renda e proibir decisões judiciais sobre tratamentos no SUS. Atualmente, se uma pessoa recorre à justiça pra conseguir um procedimento ou para receber medicação de alto custo pelo SUS, na grande maioria, ela ganha. Isso é chamado de judicialização da saúde. Ocorre muito e segundo especialistas, o Judiciário onera o SUS com tais decisões.  Quanto à cobrança para usar o SUS, pretendem vincular uma tabela com faixas de renda, como a utilizada para o Imposto de Renda, a fim de que os procedimentos não saiam de graça para ninguém. Mais uma medida que traria recursos para a União.

Em resumo, a Agenda Brasil traz alternativas para a crise que, diga-se de passagem, é tudo o que um governante quer. E a Presidente já disse que as propostas do Renan Calheiros criam uma agenda positiva para o país, sinalizando simpatia pela pauta.

 A pauta foi apresentada na segunda, dia 10 e coincidentemente, no dia 12 saiu a nota sobre a possível exclusão do nome de Renan da lista de políticos denunciados na Operação Lava-Jato pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. O Procurador alega que não há comprovação suficiente para a indicação na lista.
 
Janot foi reconduzido ao cargo de Procurador na semana passada. Escolhido pelo Senado entre três nomes e aprovado pela Presidente.

Para quem não sabe, Renan é suspeito de crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, citou Renan como beneficiário de um porcentual dos contratos fechados com a Transpetro.

Mais curioso ainda foi o Tribunal de Contas da União, que analisa as contas de 2014, ter concedido mais 15 dias para a Presidência explicar as ditas “pedaladas”. E como o TCU decidiu adiar o prazo? Por meio de um requerimento de Senadores da Comissão de Meio Ambiente, no dia 11. Os Senadores pediram, o TCU atendeu. Simples assim.

Mas tudo isso são coincidências. Incríveis coincidências. Não desconfiem da coincidência! Ela é inocente!

 

 

terça-feira, 28 de julho de 2015

"Me ajuda aí"


Assim que li a notícia num portal, não poderia deixar de expressar minha surpresa. Finalmente o Sr. José Luiz Datena se candidatará ao cargo de prefeito. Digo finalmente, pois, por tanto criticar e achar que nenhum governante sabe administrar a cidade, finalmente ele foi convencido de que pode tentar fazer o melhor para os paulistanos.

E diga-se de passagem, o que é o melhor para São Paulo? De quais políticas públicas NOVAS a cidade precisa? Ou quais as soluções para os VELHOS problemas?

Como exemplos recentes, temos a alteração do limite da velocidade nas Marginais e a criação das ciclofaixas: mostras claras de interesses diversos que se confrontam. Se voltarmos mais atrás, lembraremos da taxa de lixo, dos comerciantes protestando contra a lei da cidade limpa, e assim vai.  O melhor para mim pode não ser o melhor para você. Não é fácil administrar uma cidade, muito menos se ela for do tamanho de São Paulo. Não digo que é impossível resolver, mas é difícil e trabalhoso. Queremos ver o próximo(a) prefeito(a) trabalhando!

Diante de todas as situações vividas pelos paulistanos, nos dias de enchente, nos dias em que o trem e o Metrô param, nos dias em que a violência ganha as manchetes dos jornais; lá está ele, o Datena, na tela, criticando a administração pública. E o pré-candidato vai precisar de muito mais do que boa vontade. De boa vontade e da ajuda do partido.

Depois de flertar com PSDB e PSB, foi conquistado pelo PP.

Lembram do PP? Aquele que era PPB, que já foi uma mistura com o PPR... mas dessa sopa de letrinhas muitos eleitores não se lembram. Porém, se eu disser: o partido do Maluf, ah, aí todo mundo se lembra.

Que dupla: Datena e Maluf!

Quem vai dizer "me ajuda aí" seremos nós: paulistanos.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

O que fazer com esses jovens?


Ontem, passando pelas redes sociais, achei um post interessante de nossa colega, Emanuelle Lira, que questiona: quem são os cidadãos de bem que comemoram a ida de jovens pobres para presídios comuns?

Seguiu-se um comentário de outra colega, alegando que muitos jovens pobres estão trabalhando como jovens cidadãos, aprendizes e que, os jovens que estão na prisão são os delinquentes.

Por esse caminho, travou-se uma discussão, como essas que estão aflorando em todas as redes, nos grupos do whattsapp, nos e-mails, enfim, cada um tenta, da melhor maneira, defender a sua ideia.

Perguntada ontem sobre a minha opinião, afirmei e repito: sou totalmente favorável à redução da maioridade.  Agora, dizer se apoio a manobra do Eduardo Cunha ou não, é questão a ser estudada ainda. Alguém leu o regimento da Câmara? Nem eu. O mínimo que podemos dizer é que, se ele conhece bem o regimento, ele foi muito esperto.

Uma coisa é certa: quando o Cunha diz que a maioria da população é favorável à redução, ele não está mentindo. O percentual de favoráveis à redução da maioridade penal se mantém estável: em 2013, eram 92,7% (CNT/MDA), em 2014: 83% (IBOPE) e em 2015: 87% (Datafolha). Nesta última pesquisa, dentre os favoráveis, 73% aprovam a punição para qualquer tipo de crime.

O Eduardo Cunha retirou alguns delitos do projeto apresentado, como o tráfico de drogas, roubo qualificado, tortura, deixando os crimes hediondos, que atentem contra a vida: homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

Algumas pessoas acham que a medida não reduzirá a criminalidade. E estão certas. Não reduzirá mesmo. Porém, não podemos esperar a melhora das questões-base, como educação e equidade social, esperando que nossos jovens cresçam em condições melhores e sigam por caminhos longe da criminalidade.

Por que não corrigir o fim, sabendo que muito deverá ser feito no meio e no começo? Até porque o processo do início ao meio é muito longo e trabalhoso.

Ainda nessa semana ouvi uma pessoa dizer que quem defende os menores nunca teve um ente assassinado por menor, ou nunca foi assaltado por menor e que essa defesa irá até um dia que isso acontecer.

Talvez sim. Talvez não. Muitos do que defendem o tratamento igual a adultos nunca foram prejudicados por menores. Porém, pensam numa sociedade que a cada dia sofre mais com a impunidade.

E agora, respondendo à Emanuelle Lira, quem são os cidadãos de bem?

São aqueles que defendem os direitos da criança em brincar, estudar, que é totalmente legítimo.

E são aqueles que defendem a punição de quem comete atos (conscientes) delituosos e ilícitos, que também é legítimo.

O tema dá muito debate. Democraticamente, não esqueçamos disso.

 
 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Pega a cebola e chora!

Hoje cedo dei carona para uma senhora, minha vizinha, falante como ela só. E no meio da conversa, quem aparece? A inflação.

Ela disse que no mercado encontrou o quilo da cebola por R$ 8,00. Um absurdo, nas palavras dela. Onde nós vamos parar? Indaga a dona de casa.

Ela nem sabia que, a sensação dela foi comprovada pela divulgação do índice IPCA nessa semana.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mede a inflação de um conjunto de produtos e serviços. E dentre esses produtos, a cebola foi a que mais contribuiu para a elevação do índice.

Junto com a choradeira por causa da cebola, vieram as profecias: quem tem três filhos e paga aluguel, vai ter dias difíceis daqui pra frente.

Quando as donas de casa vão ao mercado e continuam comprando seus itens preferidos, não se percebe o aumento, nem se dão conta de que um ou outro alimento puxou o índice para cima.

Porém, quando elas são obrigadas a optar por algum produto mais barato, aí as coisas mudam. E tudo aquilo que era cotidiano, deixa de ser. A pizza de calabresa terá que ter menos cebola.
Eu nem ligo pra cebola na pizza mesmo! 
Ah...mas e o arroz sem cebola? O bife acebolado?
Ah, não dá! 

domingo, 31 de maio de 2015

O outro patamar

Outro dia presenciei uma discussão entre duas pessoas: uma tinha acabado de dizer que não aguentava mais tanta roubalheira e escândalos no governo. A outra disse: “Até você pensa assim? Achei que você estivesse em outro patamar.”

Essa frase fez-me até parar de mastigar. Pensei: Onde é esse outro patamar?

Penso que, só está em “outro patamar” aqueles que conseguem enxergar o que os governos fazem, seja bom ou ruim. E conseguem discutir e aceitar as críticas, quando necessário.

A crítica nem foi pra mim, mas fiquei intrigada: ora, mas que patamar é esse? E ouvia, ali, enquanto almoçava, aquela discussão que se formou, agora incluindo outro rapaz que estava na mesma mesa.

Continuou a defesa, falando somente os bons feitos do governo federal desde há 12 anos. E os maus feitos, conseguia transformar em bons, tamanho o poder de argumentação, como o de um advogado.

Diga-se merecidamente, que o governo federal, principalmente no mandato de Lula, foi quem mais contribuiu para a redução da pobreza extrema. Segundo o Banco Mundial, o número de brasileiros que vivem com até R$ 7,5 por dia caiu de 10% para 4% entre 2001 e 2013.

Tanto foi que, o Datafolha registrou 83% de avaliação ótimo ou bom no final de 2010, a mais alta alcançada por um presidente. Isso não se pode negar.

Mas aquela palavra “patamar” continuava a me intrigar, enquanto eu almoçava. O primeiro que reclamou da corrupção estaria em um patamar inferior, conforme pensava o segundo? E o segundo encontrava-se num patamar superior por conseguir ver o que realmente acontecia no Brasil? Ou seria o contrário? O primeiro estaria acima do segundo, por julgar-se superior, conhecedor da verdade por trás da corrupção? Ou por acreditar em tudo o que a mídia falava?

E continuaram as três pessoas debatendo: a corrupção, o mensalão, o cartel dos trens, o fim da miséria, a elevação do preço da energia elétrica, ufa!

Impressionante que, em apenas meia hora, surjam tantos argumentos a favor e contra alguém.

A comida esfriava em seus pratos.

O meu prato já estava vazio, mas queria ver até onde iriam naquela discussão.

Porém não foram a lugar algum.

Provavelmente num próximo embate, quer na mesa do restaurante, quer no cafezinho, a conversa continuará. E é assim que acontece hoje em dia: em muitas mesas de restaurante, em muitos pontos de ônibus, dentro da condução, no elevador, as reclamações e as argumentações sobre política tomaram o lugar daquela prosa de antigamente: “tá muito calor hoje!” ou “será que vai chover?”


A educação política ainda é incipiente no nosso país, mas vejo muitos que buscam entender como avaliar e cobrar os que foram eleitos, querem debater e querem expor suas ideias para melhorar a representação nos parlamentos. É isso que tenho visto por aí ultimamente. E não somente às vésperas de eleições. Espero que aprendamos muito com esses debates, que levem à sociedade a votar melhor e a cobrar mais.

sábado, 30 de maio de 2015

Sistema Eleitoral: Não mexa em time que está ganhando

A manutenção do sistema eleitoral que existe no Brasil significa que a população não quer mudança?

Não, apenas quer dizer que os parlamentares não a querem, afinal, foram eleitos por esse sistema e temem não conseguir se eleger por um novo modelo, desconhecido e incerto.

Conforme o TSE, nas eleições de 2014, para os cargos legislativos, 1,75 milhão votou em legenda do PT (21,6% dos votos válidos) e 1,92 milhão votou em legenda do PSDB (23,8% dos votos válidos). Os votos em legenda ainda são bastante expressivos para eleger os deputados. Por que os deputados iriam mudar para o distritão ou para o distrital ou ainda distrital misto? Ou qualquer outro modelo?

E o que a população quer?

Em junho de 2013, manifestantes reiteravam que não queriam o envolvimento de partidos políticos. Ficaram conhecidos como os “sem partido”.

Qual o motivo dessa aversão aos partidos políticos?

Os partidos foram criados como instrumento de participação política. Nossa Constituição só permite candidatura a cargo eletivo por meio de filiação a um partido.

O problema é que os partidos estão se degenerando: não cumprem nem defendem seus estatutos e programas.

Uma crise que não é só dos partidos, mas de todo o sistema representativo.
A população não se sente representada pelos eleitos.
Não há coerência ideológica entre o que pregam e o que fazem os parlamentares.

A cada eleição, o povo vota mais conforme a personalidade dos candidatos, do que de acordo com partidos ou ideologia.

Em pesquisa realizada por mim, entre os meus colegas de trabalho, na última semana, 83% afirmaram que não votam conforme o partido, mas sim, conforme o candidato.

Isso corrobora as últimas pesquisas realizadas pelo Datafolha, em 10/04/15 e 09/02/15, em que 66% e 71%, respectivamente, afirmam não ter partido de preferência.

Entrevistei apenas 43 pessoas, questionando se votavam nas pessoas ou nos partidos e se ainda, costumavam votar em legenda quando não tinham um candidato definido. A minha amostra é bem pequena, mas a do Datafolha é bastante significativa. E ressalto que entre os meus entrevistados, há pessoas que se dizem de direita e há os que se dizem de esquerda. Porém, na hora do voto, alegam que ainda que um candidato de esquerda, por exemplo, o ex-Senador Suplicy ou o ex-Presidente Lula, fosse para um partido de centro-direita, ainda assim, votariam nele, considerando a história do candidato e seu desenvolvimento durante o mandato. Do mesmo modo, um entrevistado disse que o faria com um candidato de direita, caso migrasse de partido.

Durante as entrevistas, ouvi muitos reclamarem do sistema atual, das candidaturas de celebridades, em resumo: o sistema proporcional não leva em consideração os milhares de votos que um candidato tem, mas considera as centenas de votos de outro candidato. A mudança começaria por aí. 

O time está ganhando mesmo? Por isso não mexeram?

Ou será o fundo do poço da instituição PARTIDO POLÍTICO?




domingo, 17 de maio de 2015

Matrioskas




Sempre tive orgulho das minhas Matrioskas. E as deixo bem na frente, na biblioteca, ainda que escondam alguns livros de que também me orgulho.

Outro dia, alguém olhando as Matrioskas, disse: “Como uma pessoa pode ter Lula e FHC na mesma estante? Ah...você fica em cima do muro!” (E olha que nem viram o Hitler e o Mujica, mais novo que chegou essa semana...rs)

Oooopa! Não é porque sou cientista política, que devo me filiar a um partido e defender uma ideologia! Muito pelo contrário, a meu ver, devo conhecer todos, para falar de suas diferenças e semelhanças. Também há os que se lançam em determinada ideologia e lá ficam: estagnados. Esses não critico, mas na hora de fazer ciência, o que deve prevalecer? A minha paixão ou os fatos?

Conheço pessoas que gostam de criticar quem esteja no poder, seja qual for o partido ou a história de vida que esse governante carrega. Outras, criticam só determinado partido, como se fosse aquela velha rixa Corinthians x Palmeiras. Pois bem, esses são os piores, pois não veem que outros partidos cometem os mesmos erros.

E o que as Matrioskas tem a ver com tudo isso? Você deve estar se perguntando.

As Matrioskas simbolizam a maternidade: uma mãe que dá a luz a uma filha, que dá a luz a outra filha e assim vai. Porém, se olharmos atentamente, nenhuma Matrioska é igual a outra. Cada uma nasce diferente. E é assim também na Política.

Quem pode afirmar que o 2º mandato de FHC foi igual ao 1º? Ou o 1º mandato de Lula foi igual ao 2º? E da mesma forma com Dilma Rousseff. O que houve? Nasceram diferentes após suas reeleições?
E se não houvesse reeleição? (ih....Isso dá outro post sobre reforma política)

Se não houvesse reeleição, haveria menos decepção na população? O povo não teria como comparar os mandatos do mesmo governante, mas comparariam por partido?

Não adianta. Não é porque pertencem ao mesmo partido que pensarão e agirão da mesma maneira. A Matrioska pode ser a mesma, mas nunca serão iguais.

Vamos escrevendo.


terça-feira, 12 de maio de 2015

Olá, ser político!

Sim, você é um ser político, por mais que negue, por mais que diga que anula o seu voto, que não participa de reunião de condomínio, que não se candidata nem a representante de classe, ainda assim, você escolheu fazer política. E isso você vai descobrir aos poucos. Ou pelo menos, esse é o meu intento com o blog.

A Política faz parte de nossa vida, desde que o mundo se formou, nas mais simples das situações.

Meu interesse por Política nasceu timidamente numa assessoria parlamentar e cá estou, agora Cientista Política e com muito a aprender. O objetivo do blog é expor e receber opiniões sobre os assuntos que permeiam a nossa vida.
Há quem pense que falar sobre Política está na moda.
Na verdade, não está. Não para mim, pelo menos.
Quem me conhece, sabe que sou de pouco falar e mais de escrever.

Por isso, sigamos escrevendo.